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Brasil tem primeiro caso de febre amarela urbana desde 1942

A transmissão aconteceu em São Bernardo do Campo (SP) - e mostra que o surto ainda está ganhando força.

A febre amarela continua trazendo preocupações, em um surto que, desde julho de 2017, já registra 213 casos e 81 mortes.

Agora, a história pode ficar um pouco mais complicada: 76 anos depois do último caso registrado, o Brasil voltou a sofrer com a versão urbana da doença, com um paciente contaminado em São Bernardo do Campo (SP), nesta segunda-feira (5).

Febre Amarela Urbana

Diferente de todos os casos que acometeram o país nos últimos meses, o contágio urbano acontece por meio do Aedes aegypti (aquele mesmo mosquito que transmite a dengue e a zika). Nessa versão, o Aedes é infectado ao picar um humano doente, e então passa o vírus para outro humano. A versão silvestre da doença, que vinha sido registrada até então, se dá quando outras espécies de mosquito picam animais infectados – como macacos – e depois picam seres humanos. Ou seja, na versão urbana, a doença pode ser transmitida de pessoas para pessoas (por meio do infernal Aedes).

O grande perigo da febre amarela urbana é que, uma vez que o foco de transmissão torna-se uma pessoa, a alta incidência de mosquitos pode aumentar ainda mais a epidemia em centros urbanos.

O Ministério da Saúde, porém, contesta o acontecimento e, em comunicado divulgado nesta terça-feira (6), afirma que não há registro confirmado – e que o caso registrado em São Bernardo do Campo está sendo investigado por uma equipe da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. A suspeita do órgão público é que o paciente mora na região urbana e possivelmente trabalha na área rural.

“Temos segurança de que a probabilidade da transmissão urbana no Brasil é baixíssima por uma série de fatores: todas as investigações dos casos conduzidas até o momento indicam exposição a áreas de matas; em todos os locais onde ocorreram casos humanos também ocorreram casos em macacos; todas as ações de vigilância entomológica, com capturas de vetores urbanos e silvestres, não encontraram a presença do vírus em mosquitos do gênero Aedes; já há um programa nacionalmente estabelecido de controle do Aedes aegypti em função de outras arboviroses (dengue, zika, chikungunya), que consegue manter níveis de infestação abaixo daquilo que os estudos consideram necessário para sustentar uma transmissão urbana de febre amarela”, acrescenta a nota.

Segundo o UOL, porém, o homem infectado pela febre amarela urbana trabalha em uma zona fora da área de risco da doença, em uma confluência do Rodoanel com a Rodovia dos Imigrantes. A informação do contágio foi confirmada pelo Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e pela Secretaria de Saúde do município de São Bernardo do Campo.