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Células de gordura guardam “memória” da obesidade por anos – e isso explica efeito sanfona

O tecido adiposo "se acostuma" com a condição e volta a crescer mais rapidamente por conta de fatores epigenéticos, revelou uma nova pesquisa.

Por Eduardo Lima 23 nov 2024, 14h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h09
Células de gordura guardam “memória” da obesidade por anos – e isso explica efeito sanfona Priorizar nos meus resultados Google

Você já deve ter ouvido falar do efeito sanfona ou ioiô. A expressão se refere a pessoas que emagrecem com dietas restritivas, mas muitas vezes ganham de volta o peso que perderam assim que saem do regime. É frustrante, e acontece com cerca de 85% das pessoas com obesidade que perdem pelo menos um décimo de seu peso. Nesses casos, a gordura volta no período de um ano. 

Uma nova pesquisa, publicada na revista Nature e liderada por pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia em Zurique, na Suíça, mostra que o tecido adiposo – ou seja, as células de gordura – pode ser um dos fatores que causam o efeito sanfona.

O estudo descobriu que as células de gordura guardam a lembrança da obesidade, se “acostumando” à condição, e resistem às tentativas de perder peso. Isso acontece por mudanças na expressão dos genes delas. Dessa forma, quando há um consumo significativo de calorias, as células de ex-obesos crescem mais rápido e absorvem energia de forma mais veloz que o tecido adiposo de pessoas que nunca tiveram obesidade.

Essa memória biológica foi descoberta quando os pesquisadores europeus compararam o tecido adiposo de 20 pacientes com obesidade antes e dois anos depois de perder peso com cirurgia bariátrica. Também conhecida como cirurgia de redução do estômago, essa intervenção médica deixa o órgão com capacidade menor de receber alimentos. As células dessas pessoas também foram comparadas ao tecido adiposo de 18 pessoas que nunca foram obesas.

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Possível tratamento

Essa memória biológica das células de gordura parece condicioná-las a voltar ao seu antigo estado com mais facilidade, reagindo de uma forma que não é saudável a açúcares e ácidos graxo.

O que explica o fenômeno são alterações epigenéticas nas células de gordura durante a obesidade. “Epigenética” se refere aos processos em que marcados bioquímicos funcionam como “etiquetas” no DNA humano, sinalizando quais genes devem ser expressos com mais intensidade e quais não. Dessa forma, há alterações na expressão dos genes sem que, de fato, haja mudanças na sequência de letrinhas que forma o DNA. Fatores ambientais, hábitos alimentares e doenças e condições como a obesidade podem causar mudanças epigenéticas.

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Essas alterações atrapalham o metabolismo das células, possivelmente aumentando inflamação e a possibilidade de voltar a engordar no futuro. 

Para confirmar esses achados, os cientistas testaram a hipótese em camundongos. Nos roedores obesos, as mudanças celulares também persistiam após perder peso. Comendo a mesma dieta de roedores saudáveis, os ex-obesos engordaram 14 gramas, em comparação com 5 gramas dos demais.

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Ainda não dá para saber como “apagar” essa memória biológica. É possível que manter um peso saudável por um período mais longo de tempo possa ser suficiente para mudar o jeito que essas células de gordura se acostumaram a funcionar.

Remédios direcionados para tratar questões epigenéticas – ou seja, focados naquilo que afeta a expressão de nossos genes – podem ser um tratamento ideal para fazer essas células voltarem ao funcionamento saudável. Para isso, é preciso fazer mais pesquisas na área, buscando entender os diversos fatores que podem causar o efeito sanfona.

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