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Obesidade afeta 1 em cada 4 na América Latina e Caribe, diz FAO

Segundo relatório de agência da ONU em parceria com a OCDE, 60% da população da região tem sobrepeso – número que aumentou 25% nas últimas quatro décadas.

Por Guilherme Eler - Atualizado em 8 jul 2019, 18h52 - Publicado em 8 jul 2019, 18h27

Obesidade, má nutrição e falta de micronutrientes. É este o tripé que ameaça a alimentação de regiões como a América Latina e Caribe segundo um novo relatório elaborado pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) em parceria com a FAO (Agência da ONU para a Agricultura e a Alimentação).

O informe “Perspectivas agrícolas 2019-2028”, que foi divulgado nesta segunda-feira (8), estima que 25% da população da região sofra de obesidade – número que, segundo as agências, já configura uma epidemia. Não para por aí: 60% dos que vivem na América Latina e Caribe têm sobrepeso, quando o peso médio está acima do considerado saudável.

As taxas são superiores à média da Europa e comparáveis a países de alta renda, onde, historicamente, as pessoas costumam ter centímetros a mais no quadril. América Latina e Caribe, hoje, ficam atrás apenas da América do Norte no ranking de regiões de planeta com porcentagem maior de obesos.

O documento aponta que o total de pessoas com sobrepeso na região, que era de 35% do total em 1975, saltou para 60% em 2016. A parcela da população relativa aos obesos foi de 8% em 1975 para 25% em 2016. O país que mais se destaca no quesito é o México, onde 65% da população tem sobrepeso. Você pode ler o levantamento completo clicando neste link.

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O maior número de obesos não significa que as pessoas estejam apenas consumindo uma quantidade maior de comida. A origem das calorias ingeridas também é um problema.

O relatório destaca que o Brasil teve a maior redução no consumo de açúcar: em 1998, 17% do total de calorias tinha origem em alimentos açucarados, número que era de 12% em 2018. “Ainda assim, essa tendência de declínio não apareceu em todos os países da América Latina e Caribe”, diz o documento. Outros países apresentaram, inclusive, um ligeiro aumento. É o caso de Argentina, onde o total de calorias vindas do açúcar na dieta da população saltou de 13,5% para 14% em 20 anos.

Há, também, uma tendência em relação à porcentagem que alimentos gordurosos representam em relação ao total de calorias. Nas últimas duas décadas, esse número foi de 26% para 29,5% em países da América Latina e Caribe – próximo aos 30%, valor máximo recomendado pela OMS. “Alguns países da região, como Argentina, Brasil e Chile já estão acima desse ideal”, completa.

Dados da OMS de 2016 mostram que 22,1% da população do Brasil era obesa e 56,5% tinha sobrepeso. Em 1975, esses números eram de 5,2% e 27,5%, respectivamente.

Apesar do excedente de produção agrícola, a quantidade de pessoas em situação de insegurança alimentar aumentou pelo terceiro ano seguido. Como segurança alimentar, você pode entender o acesso a comida saudável e em quantidade adequada.

Segundo o documento elaborado pela FAO e OCDE, o problema parece seguir avançando “especialmente para os setores pobres da população, as mulheres, as populações autóctones, as pessoas de ascendência africana e, em certos casos, as crianças”.

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Um relatório feito em 2017 pelo Programa Mundial Alimentar (WFP) e pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (ECLAC) afirma que a subnutrição deve se tornar o principal problema social e econômico na América Latina e Caribe.

Essa condição parece ainda mais contraditória se olharmos para a importância da região na produção de comida. A América Latina e Caribe é responsável por 14% dos produtos agrícolas e pesqueiros que são comercializados no mundo todo, e garante 23% das exportações nesse quesito. Para 2028, espera-se que o aumento no setor seja de até 25%.

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