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Cientistas descobrem demência que tem os mesmos sintomas do Alzheimer

Apesar da semelhança, são coisas diferentes. A LATE age ainda mais devagar do que o Alzheimer e atinge pessoas no fim da vida.

Por Maria Clara Rossini - 30 abr 2019, 18h39

As características de um novo tipo de doença foram descritas pela primeira vez por um grupo de cientistas. Até aí tudo bem. Acontece que essa doença é extremamente parecida com o Alzheimer – e pode ajudar a explicar a não tão rara ineficácia do tratamento desse problema, que é a demência mais comum em todo o mundo.

Estamos falando da LATE, descrita em um estudo publicado nesta terça-feira (30) na revista científica Brain. De acordo com a pesquisa, ela afeta mais de 20% dos idosos maiores de 85 anos de idade. A sigla simplifica uma doença de nome extenso e complicado: encefalopatia TDP-43 límbico-predominante relacionada à idade. 

Não se assuste: o nome até ajuda a entender o que é essa encrenca. Encefalopatia significa que se trata de uma doença no cérebro. TDP-43 é a proteína que contribui para a manifestação da condição. “Límbico-predominante” diz que ela afeta o sistema límbico, área do cérebro responsável pelas emoções e comportamentos sociais. E “relacionada à idade” indica que os mais atingidos são os idosos.

O que distingue a LATE do Alzheimer é justamente a proteína TDP-43. Em uma pessoa jovem e saudável, ela ajuda a regular a atividade genética no cérebro. Já quando se apresenta em condições anormais, afeta o aprendizado e a memória. No caso de quem sofre com Alzheimer são outras proteínas que estão por trás: tau e beta-amiloide.

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Na prática, os sintomas são bem parecidos: perda de memória, declínio cognitivo e alterações de humor. A principal diferença é que a LATE se desenvolve mais devagar. Mas também é possível que uma pessoa tenha as duas doenças – e aí, a degeneração é mais rápida.

O fato de as duas doenças serem causadas por proteínas diferentes explica a ineficácia de alguns tratamentos para o Alzheimer – de nada adianta mirar em proteínas beta-amiloides, por exemplo, se o problema está nas TDP-43.

Para os autores do estudo, é essencial aprofundar os estudos na LATE para encontrar novos tratamentos contra as demências. “Esperamos que esse trabalho contribua para acelerar pesquisas que vão nos ajudar a entender as causas dessas doenças e desvendar novas oportunidades terapêuticas”, disse Nina Silverberg, diretora do centro de Alzheimer no Instituto Nacional de Envelhecimento, nos Estados Unidos, em nota.

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