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Comer insetos faz mal?

Se você respondeu que sim, e ainda fez cara de nojo, não sabe o que está perdendo. Além de não fazer mal algum, muitos insetos podem ser tão nutritivos – e saborosos – quanto vários outros bichos que colocamos no prato todos os dias. “O nojo que nós, ocidentais urbanos, temos por esses seres é puramente cultural”, diz Bill Yosses, chef do badalado restaurante nova-iorquino Citarella.

Mas nada de largar sua revista e sair em busca de bichinhos dentro dos armários de cozinha. Insetos podem estar contaminados por pesticidas e todo tipo de doenças. Se você realmente quiser encarar os cascudos, recorra a criadores. Além disso, algumas espécies contêm glândulas venenosas que devem ser retiradas ou neutralizadas com o cozimento em fogo alto.

Repastos de insetos são apreciados por povos em todo o planeta. Só para se ter uma idéia da extensão dessas patinhas pela gastronomia, a bióloga mexicana Julieta Ramos-Elorduy estima que pelo menos 1 417 espécies apareçam em menus de todo o mundo. Ricos em proteínas e pobres em carboidratos e gorduras saturadas, formigas, cigarras e cupins são muito melhores para a sua cintura e nível de colesterol do que uma boa picanha ou macarronada.

A lista de vantagens não pára por aí. “Insetos são baratos, fáceis de encontrar e muito simples de preparar”, diz o entomologista Louis Sorkin, do Museu Americano de História Natural. Usá-los como alimento também pode ser benéfico para o ambiente. “Comemos poucas espécies de animais e isso causa um desequilíbrio na natureza”, diz David Gordon, autor de Eat-A-Bug Cookbook (O livro de receitas “Coma um Inseto”, inédito no Brasil).

E, se você ainda está com aquela expressão de “urgh!” no rosto, saiba que o FDA – o órgão que fiscaliza alimentos e medicamentos nos Estados Unidos – permite que fabricantes incluam até 60 fragmentos de insetos por 100 gramas de alguns produtos. Isso significa que, se você é fã de chocolates importados, já anda comendo muita mosca por aí.

 

Cardápio antenado

O melhor da culináriainsetívora do mundo

 

Casquinha com recheio

Inseto: Larva de besouro

Onde se come: Estados Unidos

Modo de preparo: O prato de preparação mais fácil é au naturel. Pegue uma porção de larvas vivas e limpas, coloque na boca e bom apetite! Assadas, trituradas ou fritas, são usadas em preparações doces ou salgadas, como na receita criada para a Super (página ao lado)

Calorias*: 760 (só perde para carne de porco)

 

De tirar a voz

Inseto: Cigarra

Onde se come: México, Vietnã e Japão

Modo de preparo: Devem ser assadas ou fritas até que fiquem bem crocantes

Calorias*: 470

 

Bunda apetitosa

Inseto: Formiga

Onde se come: México, Colômbia e Brasil

Modo de preparo: No Brasil, o prato mais típico é a farofa de formiga. Normalmente a cabeça e as asas são retiradas, e o abdômen e a bunda (considerada a parte mais apetitosa) são fritos no óleo e misturados com farinha de mandioca. Na Colômbia, formigas em saquinho, como se fossem pipocas, são um aperitivo bastante comum

Calorias*: 596

 

Cri-cri Crocante

Inseto: Grilo

Onde se come: Ásia, África, Américas

Modo de preparo: Junto com o gafanhoto, é o inseto mais popular nas refeições. Os grilos devem estar vivos antes de ir ao forno, o que dá um trabalho danado

Calorias*: 121. Ricos em cálcio

 

Comida de rei

Inseto: Cupim

Onde se come: Índia e África

Modo de preparo: Na Índia, um prato bastante comum é cupim refogado ao molho curry. As larvas são populares, mas rainhas têm sabor especial e, por isso, são reservadas para as crianças

Calorias*: 350. Ricos em ferro

 

Só matando!

Inseto: Barata

Onde se come: África e Ásia

Modo de preparo: “Baratas não são nem um pouco saborosas”, confessa David Gordon. Elas também não são muito nutritivas, mas aparecem em manuais militares como uma opção para escapar da fome. Antes de consumir, o ideal é alimentá-las com alface ou maçã, que limpam as vísceras. Retire a cabeça, as pernas e as asas e coloque-as no congelador para que morram. Asse, cozinhe ou frite. Nunca coma baratas cruas, já que elas podem conter vermes parasitas

Calorias*: 95

 

Pizza di larve

Uma combinação entremassa e larvas crocantes

O chef Bill Yosses elaborou uma receita de pizza especialmente para a Super. “É uma ótima opção de entrada”, diz Yosses. Aceita um pedaço?

 

Ingredientes

• Um bom punhado de larvas Tenebrio molitor

• 1 chalota (ou cebola) em cubos

• 3 tomates maduros em cubos

• Azeite

• 2 dentes de alho

• 1 lata de tomates sem pele

• Suco de 1 limão

• 2 ramos de tomilho

• 1 disco de pizza pré-assado

• 200 g de tomates secos

• 200 g de mussarela

 

Preparo

Compre as larvas vivas de um criador e mantenha-as na geladeira.

Faça o molho: refogue a chalota no azeite por cinco minutos. Acrescente os pedaços de tomate e, quando estiverem macios, junte o alho amassado, o tomate enlatado, o suco de limão e o tomilho. Cozinhe em fogo médio e tempere a gosto. Reserve.

Asse as larvas no forno a 80 0C por mais ou menos dez minutos (ou até que fiquem crocantes). Reserve.

Aumente o forno para 160 0C.

Cubra a massa com o molho de tomate, os tomates secos e a mussarela.

Asse até o queijo derreter (em média quatro minutos). Tire do forno e cubra com as larvas (use a quantidade que desejar).

 

 

A SUPER testou

A repórter Bárbara Soalheiro encarou uma pizza de larvas. “Dá um bocado de nojo vê-las vivas”, diz. “Sozinha, a larva parece uma casquinha crocante recheada com gelatina, mas, sobre a pizza, é quase impossível perceber o sabor”

 

Para saber mais

Na livraria:

Eat-A-Bug Cookbook – David Gordon, Ten Speed Press, 1998