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Como não cair em notícias falsas sobre a Covid-19

Em tempos de pandemia, a busca por informação cresce. Mas não é prudente confiar em tudo que aparece nas redes sociais.

Por Carolina Fioratti - Atualizado em 28 jul 2020, 14h36 - Publicado em 9 abr 2020, 16h25

Na medida em que os casos aumentam, a incidência de informações incorretas ou equivocadas cresce junto. Uma pesquisa feita pela Fundação Bruno Kessler, na Itália, aponta que, diariamente, 46 mil novas postagens feitas no Twitter abordam o tema de forma imprecisa ou enganosa.

Em todo o mundo, a população quer saber mais sobre a pandemia – mas motivações políticas ou crenças pessoais podem abrir espaço para a desinformação. No Brasil, não é diferente: em 2018, a revista Forbes nos classificou como o terceiro país que mais consome notícias falsas.

Mas, com medidas simples, é possível evitar a disseminação de notícias falsas sobre o novo coronavírus. Como nós já mostramos neste manual, basta seguir alguns passos: análise, pesquisa, confirmação e denúncia. Veja como aplicar tudo isso durante a pandemia.

Verifique a fonte e o autor

Para saber se a fonte da informação é confiável, busque no Google e confira se é um veículo de mídia reconhecido ou um canal oficial do governo. O Ministério da Saúde, inclusive, disponibiliza um número de telefone para mandar notícias via WhatsApp. Você envia e eles realizam a checagem de fatos. O site do ministério ensina como o serviço funciona.

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Não é recomendado confiar em uma única fonte. Veja se outros veículos compartilharam a mesma informação e se todos chegaram a conclusões semelhantes. Considere também a data de publicação, uma vez que os dados são atualizados diariamente. Uma informação pode até estar correta, mas já não vale mais. 

Além disso, preste atenção se o texto traz links que levam até as fontes primárias da notícia. Aqueles dados têm embasamento? A pesquisa foi feita por uma universidade reconhecida? Confira todos os detalhes. 

Preste atenção em quem é o autor. Considere se quem escreveu é especialista na área da saúde ou está cobrindo a pandemia e, caso seja um jornalista, como nós da Super, busque saber se a o profissional está acostumado com esses assuntos, trata de temas semelhantes e, mais importante, mostra no texto a origem da informação. 

Preste atenção nas pesquisas científicas 

Algumas pessoas se contentam em ouvir que aquela notícia foi confirmada por “um especialista”. Mas será que isso é suficiente? É préciso lembrar que a Covid-19 é uma doença nova. Logo, todas as pesquisas que saem sobre ela são iniciais. Os cientistas publicam seus estudos para se basear neles no futuro – e também para que outros pesquisadores avancem com o material. Ou seja, nem tudo está finalizado. 

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Além disso, a pesquisa passa por um processo chamado revisão por pares. Outros cientistas não ligados ao estudo revisam o material, aprovando-o ou não. Essa fase pode levar semanas e até meses – tanto está sendo pulada em várias ocasiões em função da pandemia e da necessidade em encontrar uma cura. Um relatório da Reuters, publicado em fevereiro, mostrou que, dos 153 estudos publicados sobre a doença na época, três foram desconsiderados por imprecisão e 92 não haviam passado pela revisão por pares.  

Considere também o tamanho do estudo. Quantas pessoas participaram? Usaram efeito placebo para comparação? Ele pode ser aplicado para uma população maior? Todos esses dados mostram muito sobre a confiabilidade da informação. Ensaios clínicos devem ser observados de maneira parecida. Vacinas e medicamentos levam anos para chegar aos humanos, porque passam por uma série de testes de segurança. Então, lembre-se que, por enquanto, não temos nada pronto ou definitivo.

Assuma o erro e corrija o próximo

Caso você tenha sido vítima dessas notícias falsas, não tenha medo de admitir. Avise o seu grupo de amigos e familiares que aquilo estava errado e compartilhe a informação verdadeira.

Sempre que possível, Corrija o próximo. Alerte-o que aquilo não vale mais ou não tem embasamento suficiente. Argumente usando fontes confiáveis. 

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Por fim, não leia apenas a manchete. Entre na página, leia na íntegra e verifique fonte, dados e tudo mais que estiver ali. Se depois de seguir todos esses passos você não encontrar nada de errado ou suspeito, aí pode compartilhar a informação correta.

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