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Sim, o coronavírus veio da natureza – e não de um laboratório

Os boatos de que o vírus foi manipulado pela China não passam de uma mentira. E a ciência prova.

Por Carolina Fioratti - Atualizado em 7 abr 2020, 15h49 - Publicado em 19 mar 2020, 18h33

Nos últimos dias, teorias da conspiração sobre a Covid-19 circularam na internet. Elas defendem que o vírus Sars-CoV-2 havia sido criado em laboratório pelos chineses. Mas uma pesquisa publicada na Nature Medicine desmente essa ideia, e mostra que o vírus, na verdade, é produto de evolução natural. 

Assim que a doença começou a se propagar em Wuhan, na China, os cientistas do país sequenciaram o genoma do vírus e tornaram os dados públicos. Então, uma equipe de pesquisadores utilizou as informações para explorar as origens e evolução do Sars-CoV-2.

O vírus, como você deve ter visto em diversas imagens, é uma bolinha cheia de cravos pontudos. Assim:

Image: CDC/Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAMS/Reprodução

Esse revestimento exterior caracteriza um modelo chamado proteína spike (em português, “cravos”), que servem para agarrar e se penetrar nas paredes celulares humanas e animais. Os cientistas perceberam que o vírus evoluiu para atingir, principalmente, uma proteína chamada ACE2, que está presente em alguns tecidos corporais, como nariz e boca. 

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Segundo os pesquisadores, foi a sua forma eficaz de nos infectar que fez com que eles concluírem que o vírus é, sim, resultado de seleção natural.

Caso ele tivesse sido projetado em laboratório, seus criadores teriam utilizado como base o genoma de um vírus patogênico conhecido. Mas o genoma encontrado é bem diferente dos de outros coronavírus – como os causadores de Sars e Mers – e, ao mesmo tempo, semelhante a alguns vírus encontrados em morcegos e pangolins.

Afinal, de onde ele veio?

Na visão dos cientistas, há dois cenários possíveis. No primeiro, o vírus passou por seleção natural dentro de um hospedeiro animal e, depois, chegou aos seres humanos – já com sua capacidade infecciosa.

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Essa história seria plausível, considerando que foi dessa forma que os surtos de Sars e Mers aconteceram no passado. No caso, o morcego teria sido o hospedeiro definitivo, passando para outro animal, que seria o hospedeiro intermediário, e esse teria transmitido aos humanos, provavelmente através da ingestão de sua carne.

Em um segundo cenário, o vírus também passou do animal para o humano, mas só se tornou patogênico no corpo do homem. Sua capacidade de transmissão de humanos para humanos pode ter se desenvolvido pouco antes do início da epidemia, ainda no corpo dos primeiros infectados.

Ainda não se sabe qual das duas hipóteses é a correta. A primeira é mais prejudicial, pois caso o vírus tenha essa capacidade de evoluir ainda nos animais, as chances de ocorrerem outros surtos similares no futuro são maiores. 

A China está trabalhando na proibição do comércio de animais silvestres. Esse seria um primeiro passo para evitar o surgimento de novas doenças no futuro. Além disso, os chineses se mostraram eficazes no controle da doença, apresentando grande recuperação. Até esta terça-feira (7), havia quase 1,4 milhão de infectados ao redor do globo.

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