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E se… o ser humano não precisasse dormir?

Você enxergaria mal, seria mais magro, e viveria menos. Fora isso, seria um desastre ambiental – que acabaria ricocheteando no sistema financeiro.

Por Marcos Nogueira - Atualizado em 10 jun 2019, 15h00 - Publicado em 30 abr 2004, 22h00

O feito está registrado no Livro Guinness dos Recordes: 11 dias é o tempo máximo que um ser humano conseguiu ficar acordado. Dispensar o sono por tanto tempo, claro, trouxe consequências: alucinações e disfunções na fala. Mas o que aconteceria se o ser humano não precisasse dormir e ficasse acordado 24 horas?

Sem descansar, a humanidade teria evoluído de uma forma completamente diferente. Mesmo que a ausência do sono não provocasse conseqüências negativas para o nosso organismo (veja alguns desses efeitos abaixo), o planeta não agüentaria o desequilíbrio provocado por uma atividade global ininterrupta e entraria em colapso.

Os recursos naturais não seriam suficientes para atender a demanda energética de uma espécie que está 24 horas por dia ativa. Se ficamos 16 horas acordados e dormimos oito horas, em média, teríamos um terço extra de demanda para suprir.

Com o sono em dia, prevê-se que o estoque de petróleo do planeta dure mais uns 200 anos. Mas, se ninguém dormisse desde 1800, o petróleo já teria acabado em 1966, segundo um cálculo feito por Paula Takatsuka, mestre em álgebra da Unicamp.

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O fim do petróleo afetaria o transporte, a indústria e todo o comércio mundial. Teríamos problemas como a queda na produção de alimentos (a agricultura depende dos fertilizantes e outros derivados do petróleo) e a escassez de outros 500 mil produtos à base de petróleo (plástico, asfalto, tintas e detergentes). O desastre ambiental resultante dessa exploração desenfreada de recursos também seria monstruoso.

Essa encrenca toda colocaria o sistema econômico em xeque. “Se o mundo passasse a funcionar 24 horas ininterruptamente, haveria um descompasso gigantesco entre oferta e procura. Teríamos a hiperinflação, que resultaria no colapso do sistema financeiro”, afirma o economista Miguel Daoud, diretor da Global Financial Adviser. Ou seja, o homem insone receberia o golpe fatal direto em seu órgão mais sensível: o bolso.

O homo insomne
Saiba o que a atividade contínua faria com nosso corpo

VAGAS LEMBRANÇAS
A falta de sono geraria um curto-circuito em nosso cérebro e a memória teria capacidade reduzida.

VISÃO EMBAÇADA
Os movimentos oculares rápidos que ocorrem durante o sono são necessários para conservar no olho a capacidade de fusão das duas imagens da retina numa só, garantindo assim a percepção nítida das imagens

SONHO DISTANTE
De acordo com Freud, o pai da psicanálise, é principalmente por meio dos sonhos que o inconsciente se manifesta. Sem sono – e, conseqüentemente, sem sonhos –, a psicanálise provavelmente nem existiria

FERIDAS ABERTAS
O sono também é responsável pela reparação dos tecidos, devido a alterações na circulação e na respiração. Em pessoas que não dormissem, a cicatrização de machucados poderia demorar o dobro do tempo normal

MUNDO DE ANÕES
É principalmente durante o sono que o hormônio do crescimento é secretado. Se ninguém dormisse para desencadear esse processo, a população mundial seria nanica – teríamos em média 1,30 metro

SEMPRE DOENTE
Sem descanso para o corpo, nosso sistema imunológico ficaria enfraquecido. Não é à toa que os médicos sempre nos recomendam repouso no tratamento de gripes e outras doenças

GORDURA ZERO
Permanecer 24 horas em vigília seria malhação suficiente para nos manter em forma. Provavelmente seríamos mais magros devido ao maior consumo de energia quando estamos acordados

FALTA DE ATENÇÃO
Privados de sono, provavelmente teríamos déficit de atenção e dificuldade de concentração. Estaríamos mais vulneráveis aos acidentes e cometeríamos bobagens como pôr o relógio no copo da dentadura

VIDA, CURTA VIDA
Provavelmente morreríamos mais cedo. O sono é essencial para a reposição e equilíbrio de energia. Sem dormir o ser humano gastaria mais energia e envelheceria mais rápido – um homem de 30 anos seria considerado velho

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