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Eslovênia é primeiro país da Europa a declarar fim da epidemia de Covid-19

Controle da doença no país de 2 milhões de habitantes, que teve apenas 1.467 pessoas contaminadas, aconteceu pouco mais de dois meses após o primeiro caso.

Por Guilherme Eler - Atualizado em 16 Maio 2020, 10h18 - Publicado em 15 Maio 2020, 18h31

Pouco mais de dois meses após registrar seu primeiro caso de Covid-19, a Eslovênia declarou o controle da epidemia em seu território. Isso significa que as fronteiras serão reabertas, serviços não essenciais voltarão à ativa e cidadãos poderão deixar o isolamento social. O país do leste da Europa, que tem dois milhões de habitantes, é o primeiro do continente a declarar o fim da epidemia.

A decisão oficial foi comunicada pelo governo esloveno na quinta-feira (16) – e você pode lê-la aqui. A nota destaca que entre a primeira infecção pelo novo coronavírus no país, em 4 de março de 2020, até o dia 14 de maio, apenas 1.467 pessoas foram contaminadas e 103 morreram. Só para você ter uma ideia de como esse número é baixo, só o estado de São Paulo registrou 3.189 novos casos nas últimas 24 horas, além de 197 mortos.

Na Eslovênia, o número de novos contaminados se manteve abaixo dos dois dígitos ao longo das últimas duas semanas. Isso quer dizer que a transmissão sustentada da doença – quando as novas infecções acontecem dentro do próprio país, e não por causa de alguém que viajou e voltou trazendo o vírus – estava controlada. “Foram 35 casos ao todo nos últimos 14 dias, e o número de reprodução básico da doença é menor do que 1”, completa o documento.

O chamado “número de reprodução básico” (também conhecido como R0), é usado para dizer o quão contagiosa é uma doença em uma determinada região num dado momento. Se o R0 da Covid-19 em uma cidade é 4, um paciente doente pode fazer, em média, quatro novos infectados. Quando é menor que zero, será preciso que mais de uma pessoa contraia o novo coronavírus para que um caso inédito surja. Isso, na prática, diz que o avanço da doença está sob controle.

Com o fim das restrições e o afrouxamento do isolamento social, residentes da União Europeia poderão passar livremente pelas fronteiras que a Eslovênia forma com a Áustria, Itália e Hungria.  Antes, era preciso ficar isolado ao menos uma semana. Viajantes de fora da UE ainda deverão fazer quarentena de 14 dias para entrar no país, e estrangeiros que apresentarem sinais da doença terão sua entrada negada.

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Apesar da maior entrada de pessoas, certas regras da época de pandemia devem seguir valendo para os próximos dias. Eventos públicos com grande aglomeração seguem proibidos, e a cobrança pelo uso de máscara e o distanciamento social em locais públicos também permanece. A ideia é que, fazendo isso, o país possa contar a “segunda onda” de novos casos que países enfrentaram após flexibilizar as medidas de contenção da epidemia.

Serviços como escolas, bares, restaurantes ou eventos culturais estavam paralisados na Eslovênia desde a metade de março. Nos últimos dias, porém, o transporte público voltou a funcionar e, na próxima semana, algumas escolas retomarão as aulas. Hotéis, bares, restaurantes e shoppings eslovenos também poderão reabrir no dia 18, e competições esportivas voltarão a acontecer a partir do dia 23 deste mês. O auxílio financeiro que o governo deu a cidadãos e empresas também deixará de ser pago ao final de maio.

A demanda pelo fim da quarentena na Eslovênia era também uma demanda popular. Há última semana, milhares de cidadãos montados em bicicletas ocuparam Ljubljana, capital do país, para protestar contra o governo. Segundo reportou a BBC, os manifestantes acusavam o primeiro-ministro Janez Jansa de usar da pandemia para restringir liberdades individuais – além de “fazer ataques a jornalistas, fortalecer o discurso anti-imigração e aumentar o poder da polícia”. O governo negou as acusações.

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