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EUA retiram aprovação de emergência para o uso de cloroquina

FDA, a Anvisa dos EUA, citou falta de evidências da eficácia dos medicamentos e efeitos colaterais sérios para justificar a decisão.

Por Bruno Carbinatto - Atualizado em 15 jun 2020, 15h41 - Publicado em 15 jun 2020, 15h40

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira que revogou a autorização emergencial para o uso de cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. Em um comunicado, a agência (que é equivalente à Anvisa no Brasil) explicou que não há comprovação da eficácia dos medicamentos, enquanto que uma série crescente de evidências mostra que sua administração pode causar efeitos colaterais. Com isso, a FDA decidiu que “os benefícios conhecidos e potenciais da cloroquina e hidroxicloroquina não superam seu riscos conhecidos e potenciais”.

Os medicamentos haviam sido aprovados de forma emergencial em março para pacientes com sintomas graves internados em hospitais e supervisionados por médicos. Na época, o presidente americano Donald Trump já se mostrava um grande entusiasta da hidroxicloroquina, dizendo que seu uso em conjunto com o antibiótico azitromicina tinha “chances reais de ser uma das maiores revoluções na história da medicina”, embora não houvesse evidências sobre sua eficácia. Em maio, o presidente também anunciou que havia tomado hidroxicloroquina como meio de se prevenir da Covid-19, o que chocou muitos profissionais de saúde.

Tanto a cloroquina como a hidroxicloroquina são utilizadas há décadas no tratamento de malária (a hidroxicloroquina também é utilizada para lúpus e artrite), mas nenhum estudo de grande porte até agora provou que as substâncias são eficazes no combate à Covid-19. Mas uma série de pesquisas de diversos países mostraram que os medicamentos podem ter efeitos colaterais, como alteração na pressão sanguíneo ou danos ao coração e aos olhos, por exemplo.

A revogação da decisão da FDA significa que o governo federal dos Estados Unidos irá parar de comprar e distribuir os medicamentos para os estados e cidades do país e não recomendará mais o tratamento em todo o território. Médicos ainda podem prescrever a cloroquina e a hidroxicloroquina contra a Covid-19 se assim desejarem, visto que as drogas continuarão disponíveis para tratar outras doenças.

Na última quinta-feira, o painel de conselheiros dos Institutos Nacionais da Saúde (NIH), centros de pesquisas ligados ao Departamento de Saúde dos EUA, recomendou que a cloroquina e a hidroxicloroquina só sejam utilizadas em ensaios clínicos, ou seja, somente para fins de pesquisa, o que provavelmente influenciou também a FDA a tomar sua decisão.

No Brasil, os medicamentos continuam sendo recomendados para todos os casos de Covid-19, incluindo os leves, de acordo com protocolo publicado pelo Ministério da Saúde. A cloroquina é defendida fortemente pelo presidente Jair Bolsonaro e foi o principal motivo de cisão com o ex-ministro da Saúde Nelson Teich, que não concordava com o uso indiscriminado das drogas.

A decisão da agência reguladora americana vem pouco mais de duas semanas depois de o governo americano doar dois milhões de doses de hidroxicloroquina ao Brasil “como demonstração da solidariedade” no combate à pandemia.

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