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Falar palavrão é doença?

Pode até ser

Por Maria Dolores 30 abr 2004, 22h00 | Atualizado em 13 nov 2017, 13h03

A compulsão por falar coisas obscenas é um distúrbio que, no vocabulário médico, recebe um nome que já é um palavrão: coprolalia. Quem sofre de coprolalia incorpora, no meio de frases cotidianas, palavras ou frases inconvenientes, grunhidos e gemidos com conotação sexual. Tudo isso sem perceber. O sujeito pode falar “Bom dia, seu Alfredo, como vai a … da sua mãe?” com a maior naturalidade.

A coprolalia é um sintoma de uma doença muito embaraçosa chamada Síndrome de Tourette, que afeta uma em cada 2 mil pessoas – 75% delas homens. Além da incontinência verbal, a síndrome pode causar tiques nervosos que vão de um simples piscar dos olhos até coisas como lamber as mãos ou manipular os órgãos genitais em público.

A síndrome foi descrita pela primeira vez em 1885 pelo neurologista francês Gilles de la Tourette, que diagnosticou os sintomas em uma distinta dama da nobreza local. “Não se conhece a causa exata da doença, mas sabe-se que há um componente genético na sua transmissão”, afirma o psiquiatra Almir Tavares, da UFMG.

Agora, é bom lembrar que nem todo mundo que fala palavrão sofre dessa doença – na esmagadora maioria dos casos trata-se simplesmente de falta de educação.

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