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FDA aprova opioide 10 vezes mais forte que os atuais

Medida causa polêmica nos Estados Unidos, onde os remédios do tipo matam 60 mil pessoas por ano

Por Bruno Garattoni Atualizado em 14 nov 2018, 15h10 - Publicado em 14 nov 2018, 15h08

Os opioides são analgésicos derivados da papoula, flor usada para fazer ópio e heroína. São muito potentes, e costumam ser usados em pacientes com fraturas ou câncer. Também podem ser altamente viciantes. Nos Estados Unidos, onde os opioides são receitados para diversas condições menos graves, o vício nesses medicamentos atinge proporções assustadoras, e mata 60 mil pessoas por ano. Em 2017, o governo americano classificou o fenômeno como “emergência nacional”, e anunciou medidas para tentar conter o uso descontrolado desses remédios.

Mas, agora, a FDA se moveu na direção oposta: autorizou o lançamento de um opioide 10 vezes mais potente que o fentanyl, hoje o mais forte do mercado. O novo produto se chama Dsuvia, e é uma versão em comprimidos do sufentanil – opioide até então disponível apenas para uso intravenoso, em hospitais. Cada tablete de Dsuvia contém 30 microgramas (mcg) de substância ativa, e deve ser colocado sob a língua usando um aplicador (veja foto acima).

A liberação do novo remédio, que será produzido pelo laboratório AcelRx, gerou uma onda de críticas nos Estados Unidos. Médicos e especialistas temem que o Dsuvia possa aumentar a quantidade de viciados e de overdoses relacionadas a opioides. Como precaução, a FDA determinou que o medicamento só poderá ser utilizado em hospitais e clínicas (não poderá ser levado para casa).

Porém, isso não leva em conta a possibilidade de contrabando e uso ilegal do remédio – o que já acontece, por exemplo, com o carfentanil, um opioide veterinário que é comercializado para uso em elefantes, mas também é usado como droga recreativa e já causou centenas de mortes nos EUA.

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