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Microbiota intestinal faz ratos se exercitarem mais

As bactérias liberam moléculas de recompensa ao cérebro quando o animal faz exercício físico – mas ainda não sabemos se o mesmo ocorre em humanos.

Por Maria Clara Rossini 20 dez 2022, 14h01 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h48
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O que faz você levantar do sofá para se exercitar? A vontade de cuidar do corpo, de ganhar massa muscular, de se sentir mais disposto… ou, talvez, tenha a ver com as bactérias do seu intestino. Pesquisadores da Universidade de Pensilvânia identificaram que a microbiota intestinal está por trás da vontade de se exercitar (e continuar se exercitando) em ratos.

Não é novidade que os microrganismos presentes no intestino influenciam diversas funções do corpo – da maneira como você se sente até o que você pensa. O órgão é repleto de neurônios e comumente é referido como um “segundo cérebro”. Algumas empresas, inclusive, prometem remédios psicobióticos (que contém bactérias) que ajudam a tratar ansiedade e depressão. Por que não criar, então, uma cápsula que faz as pessoas quererem se exercitar?

Vamos com calma. O estudo publicado no periódico Nature analisou ratos com variações de comportamento. Alguns animais eram bem mais ativos do que outros: se exercitavam até cinco vezes mais na rodinha dentro da gaiola. Os ratinhos ativos não apresentavam grandes diferenças genéticas e bioquímicas em comparação com os preguiçosos, mas os pesquisadores notaram uma variável: quando tratados com antibióticos, os animais que geralmente eram mais energéticos passavam a se exercitar menos.

O consumo de antibiótico afetou o cérebro dos ratinhos. A atividade de alguns genes ligados à dopamina – o neurotransmissor do prazer que dá aquela sensação gostosa quando nos exercitamos – diminuiu, fazendo com que os animais não quisessem mais correr na roda da gaiola.

Os pesquisadores também verificaram o contrário: os ratos “preguiçosos” se tornavam mais ativos quando recebiam os microrganismos do intestino dos ratos agitados. Os cientistas acreditam que as bactérias enviam um sinal que interfere na enzima responsável por quebrar a molécula de dopamina no cérebro, fazendo com que o neurotransmissor seja absorvido pelo sistema de recompensa dos animais.

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Em laboratório, os pesquisadores expuseram os nervos dos animais a bactérias intestinais e às substâncias produzidas por elas. Ao entrarem em contato com as moléculas, mesmo os animais que haviam tomado antibiótico viram um aumento de dopamina ao se exercitarem – o que fazia eles quererem se exercitar ainda mais.

Não sabemos se o mesmo ocorre com humanos, mas algumas pistas indicam que sim. Pesquisas anteriores mostram que maratonistas possuem altos níveis de micróbios intestinais específicos, o que pode estar relacionado à maior dopamina e ao “barato” que eles sentem ao correr. Quem sabe, um dia, veremos esse “barato” encapsulado sendo vendido em farmácias.

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