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O parto: Nasceu!

Tudo pronto. Depois de 40 semanas de gestação, é esencadeada uma série de comandos bioquímicos cujo resultado será a chegada de mais um habitante do planeta.

Claudio Angelo

Foi um parto!” É o que se diz, às vezes, de algo muito complicado ou que demorou muito para acontecer. Não é à toa. O processo do nascimento de um bebê é longo, dá trabalho e, acima de tudo, dói.

Ao final das quarenta semanas da gestação, o bebê já está com todos os órgãos prontos para vir ao mundo. Então, algum mecanismo bioquímico ainda ignorado pelos cientistas avisa o corpo da mãe que chegou a hora. “É provável que o aviso seja dado por mudanças na estrutura das células no útero”, diz o obstetra Seizo Midayahira, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O colo do útero começa a diminuir de espessura e se dilata em até dez vezes em relação a seu tamanho normal. O músculo uterino, o miométrio, começa a se contrair para expulsar o feto. As contrações são provocadas pela ocitocina, o mesmo hormônio que faz a mulher produzir leite. A cada dez minutos, o útero da mãe se contrai duas vezes. É a hora de ir para o hospital.

Após cerca de doze horas de contrações, o bebê começa a ser expulso. A passagem é traumática. Não é nada agradável sair da aconchegante penumbra do útero para um mundo frio e seco, em meio a uma profusão de sons e de luzes. Depois de uma sofrida viagem pelo canal da vagina, alguém corta o cordão umbilical e acaba com o fornecimento cômodo de oxigênio. Sufocado, o bebê inaugura seus pulmões com um choro.

Sem entrar na faca

Conheça dois partos alternativos

Os médicos torcem o nariz, mas muitas mães correm das salas de cirurgia na hora do parto. Algumas preferem dar à luz de cócoras, como as índias, ou dentro d’água. No primeiro tipo, comum até o século XVI, a gravidade ajuda o bebê a nascer. No segundo, muito popular na Rússia, a criança nasce numa tina com água morna, evitando o choque da troca de ambiente.

Quem sabe é super

Reza a lenda que o imperador romano Júlio César mandou abrir a barriga da mãe a faca, para conhecer o lugar de onde veio. Esta seria a origem da palavra cesárea. Na realidade, o termo deriva da Lex Caesarea, pela qual as mulheres que estivessem prestes a morrer antes do parto teriam as barrigas abertas para a retirada do feto.

O lucro do parto sem dor

A mulher escolhe o dia e vai para o hospital. Em uma hora ela já foi anestesiada, cortada e suturada. O bebê nasceu e ela nem sentiu. A cesárea é indicada quando há riscos para a mãe e o filho no parto natural. A recuperação é delicada, com perigo de infecção. Apesar disso, 32% dos nascimentos nos hospitais públicos do Brasil são por cesárea. Nos particulares, chegam a 90%. “As mulheres são seduzidas pela idéia do parto sem dor e estimuladas pelos médicos, que ganham mais porque podem fazer vários partos por dia”, diz Janine Schirmer, do Serviço de Assistência à Mulher do Ministério da Saúde.

Uma longa viagem por 10 centímetros

Das contrações à saída pela vagina, as fases de um trabalho que dura uma média de 12 horas.

Contração

1. A hipófise, uma glândula que fica no cérebro, descarrega no sangue da mãe o hormônio ocitocina, que estimula as contrações do útero.

2. Ao mesmo tempo em que as paredes do útero se contraem, o colo começa a se dilatar. A dilatação também é facilitada pelas prostaglandinas, hormônios que dissolvem o colágeno, proteína que une as células do colo do útero.

Dilatação

3. A pressão do miométrio e a dilatação do colo do útero são tão grandes que arrebentam a chamada bolsa d’água, que protege o bebê de impactos.

Expulsão

4. Quando a dilatação do colo já atingiu 10 centímetros de diâmetro, inicia-se a segunda fase do parto, a expulsão. A cabeça do bebê gira para a frente e ele começa a passar pelo canal do parto. Algumas vezes é preciso fazer um pequeno corte na parte exterior da vagina para aumentar o tamanho da abertura.

5. Depois que a cabeça passa, os ombros já podem sair. O bebê começa a chorar antes mesmo de ser cortado o cordão umbilical. Nasceu. A última fase é a expulsão a placenta, alguns minutos depois.