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O time dos sonhos

A esta altura você já percebeu o óbvio. Há um distanciamento enorme entre a sociedade brasileira e aqueles que nós elegemos para gerir o bem comum.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h14 - Publicado em 31 mar 2002, 22h00

Quem vai vencer a eleição presidencial deste ano é uma questão muito menos importante do que quem vai compor equipe do próximo governo. A Super ouviu 118 especialistas em áreas-chave da vida nacional e apresenta aqui, para o próximopresidente, o time ideal para ajudá-lo a gerir o Brasil nos próximos quatro anos

Responda aí: quantos ministérios há no Brasil? Difícil? Então, diga rápido os nomes dos ministros da Agricultura e do Planejamento. Pio-rou? Tudo bem: apenas explique a missão dos ministérios da Integração Nacional e do Desenvolvimento Agrário.

A esta altura você já percebeu o óbvio. Há um distanciamento enorme entre a sociedade brasileira e aqueles que nós elegemos para gerir o bem comum. Entre nós e a máquina que nós mesmos montamos para administrar o que é coletivo. Um cidadão, num Estado democrático, não saber o nome dos ministros que ajudam a governar a sua comunidade equivale a um funcionário não saber quem são os diretores da empresa em que trabalha. Não saber ao menos quais são os ministérios e quais a missão e as diretrizes de cada um deles é o mesmo que você não saber quem é o síndico do seu prédio e nem o que ele está fazendo ou deixando de fazer com o suado dinheiro que você paga todo mês à guisa de condomínio.

Esse pacto de obscuridade – chamemos assim essa relação de estranhamento e indiferença entre os cidadãos e o Estado que eles próprios sustentam – está amarrado nas duas pontas. De um lado, elegemos alguns entre nós para cuidar dos problemas que são de todos, mas que a maioria não tem paciência nem interesse de enfrentar diretamente. De outro lado, os eleitos – mais a casta de políticos, técnicos e funcionários públicos que se forma ao seu redor – também não fazem a menor questão de discutir suas decisões com aqueles a quem deveriam representar. No fim, é como se o afastamento e a péssima qualidade da comunicação entre eleitores e eleitos fosse, no fundo, do interesse de ambos.

Esse pacto de obscuridade cria situações deletérias para o país. Boa parte dos gestores públicos se sente desobrigada de prestar contas de seus atos num ambiente em que os “clientes” dos seus serviços – você e eu – não estão nem aí. É óbvio. Se, num restaurante, você come o que quer que lhe seja servido, estalando os beiços do mesmo jeito, é bem provável que o garçom sirva muito mais carne de pescoço do que filé mignon. O cidadão ser mais ou menos exigente em relação ao que recebe dos políticos que elege significa gerar mais ou menos espaço para que aconteçam no país coisas como corrupção, incompetência, clientelismo, troca de favores, improbidade administrativa, enevoamento capcioso das fronteiras entre o que é público e o que é privado.

Outro resultado malfazejo desse pacto de obscuridade é que a própria existência da gestão pública perde sua lógica pelo caminho. Por que é mesmo que pagamos por ministérios dos quais nem temos conhecimento? Para que serve Brasília? Da mesma forma, perde-se a noção do tipo de pessoa que queremos para ocupar esses postos e do que queremos que nossos representantes realizem ou deixem de realizar ao assumir essas cadeiras. Todos temos uma boa idéia de quem é a melhor opção para vestir a camisa 9 da Seleção Brasileira de futebol. Mas quase ninguém tem idéia de quem é, hoje, no Brasil, o melhor nome para assumir, por exemplo, o Ministério dos Esportes. E é melhor nem perguntar o que é que, afinal, queremos que o ministro dos Esportes faça. Nós não sabemos.

Numa empresa, essa lógica é muito clara. E dificilmente se perde, porque está baseada em resultados. As organizações privadas – ao menos as vencedoras – sabem o que querem de um determinado sujeito quando ele assume um posto importante. Digamos, a diretoria de Finanças. Há metas claras a cumprir. Um foco preciso. E um cronograma a ser vencido. Está claro também, para toda a organização, que é fundamental que o posto de finanças seja ocupado pelo melhor financista que a organização puder contratar. Conhecimento técnico, carreira pontuada de sucessos e competência específica são, portanto, atributos essenciais. Um homem de vendas dificilmente seria convidado – e dificilmente aceitaria – a assumir a vice-presidência de Tecnologia, por exemplo. Porque simplesmente não faz sentido. A organização sabe – e o sujeito também – que ele não tem a formação, a experiência e o talento requeridos para entregar o que lhe seria demandado.

Por que no governo não é assim? Por que no governo os postos – paradoxalmente os mais críticos – costumam ser loteados a partir de critérios que nada têm a ver com conhecimento técnico, êxitos pregressos ou competência específica? Não é de surpreender que, assim, colocando qualquer um em qualquer lugar, o bom desempenho seja alcançado na máquina do Estado mais pela exceção do que pela regra. Afinal, é mais importante acomodar interesses partidários do que gerar resultados. É mais importante melhorar o encarreiramento de determinado aliado com uma passagem por um ministério do que colocar lá alguém capaz de atingir metas. Infelizmente, salvo honrosas exceções, temos políticos no lugar de técnicos. Temos generalistas bons de papo no lugar de especialistas bons em resolver problemas.

E se não fosse assim? Essa é a pergunta que nos fizemos na Super. E se os critérios para a escolha dos ministros do próximo governo, independente de quem vier a ser eleito presidente este ano, fossem os mesmos de uma empresa privada bem administrada? Que cara teria essa equipe de governo formada só com os melhores de cada área, como se fosse uma grande seleção brasileira de talentos convocada a partir de critérios como conhecimento técnico, competências específicas e capacidade de gerar resultados? Elencamos especialistas e pessoas de reconhecido saber nas áreas representadas pelos 20 ministérios. (Sim, leitor, são 20. Mas não se preocupe: a gente também não sabia antes de fazer a reportagem.) E fomos entender, no corpo-a-corpo com esses notáveis, o que faz – ou o que deveria fazer – cada uma dessas pastas, quais serão os principais desafios de cada uma delas nos próximos quatro anos e, finalmente, quem é a melhor pessoa que o Brasil tem hoje para assumir cada ministério – e por que ela é a melhor.

Para muitos ministérios, é preciso que se diga, os especialistas consultados disseram que o ideal é mesmo ter um político respeitado, que dê notoriedade à pasta e que tenha trânsito no Congresso para obter apoio aos projetos da sua área. Mas a credibilidade dos políticos é baixa mesmo entre quem sugere esse perfil de ministro. Os entrevistados em geral faziam uma ressalva: “Mas que seja um político honesto, que esteja bem assessorado e que não seja escolhido na barganha partidária do presidente”. Na visão de mundo ideal de um ministério, para muitos especialistas, cada pasta seria comandada por um político de prestígio e idoneidade, assessorado por um time de técnicos de primeira linha.

Muitos dos consultados foram votados por outros especialistas. Alguns, menos humildes, votaram em si mesmos. Esses votos foram computados com peso menor na definição dos ministros ideais. Ao todo, o hercúleo trabalho jornalístico de apuração e edição dessa reportagem especial tomou 60 dias e envolveu todos os editores da Super. Esperamos que você aprecie a leitura. E que possamos estar sendo úteis ao país.

Educação

Nome: Cristovam Buarque

Educador e ex-governador do Distrito Federal

O Ministério da Educação precisa promover uma mudança na estrutura escolar. A principal delas é manter os alunos nos bancos escolares até o fim do ensino médio. Algumas medidas já foram tomadas, como o Programa de Bolsa-Escola, mas é preciso mais. O Ministério também deve aumentar o número de matrículas na universidade.

Por que ele é o melhor

Ex-reitor da UnB e ex-governador do Distrito Federal, o economista Cristovam Buarque é autor do Programa de Bolsa-Escola. Pensador da educação com boa projeção política, Cristovam preenche os requisitos elencados: é político, conhece a área e valoriza a educação pública. Outro nome muito lembrado foi o de Maria Helena Guimarães, conselheira do Ministério da Educação.

Principais desafios

• Melhorar a qualificação dos professores do ensino fundamental.

• Maior participação da sociedade nas atividades da escola.

• Adaptar o conteúdo das aulas à realidade dos alunos.

• Dar autonomia às universidades federais.

• Aumentar o número de vagas nas universidades.

Defesa

Nome: José Genoíno

Deputado Federal supletnte da Comissão de Defesa Nacional no Congresso

Criada há apenas três anos em substituição aos ministérios da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, a pasta da Defesa ainda precisa consolidar sua identidade e importância e romper o ostracismo político a que tem sido relegada.

Por que ele é o melhor

De um ponto de vista objetivo, Genoíno cumpre todos os requisitos apontados como ideais para o ministro: é civil, é político, tem prestígio nacional, grande capacidade de articulação e familiaridade com militares. A ironia é seu passado como guerrilheiro, no Araguaia, durante a ditadura, quando combateu justamente as Forças Armadas, que agora comandaria.

Principais desafios

• Consolidar o ministério.

• Ampliar, modernizar e adaptar nossa Política Nacional de Defesa, que só foi redigida há dois anos e é muito vaga e pouco específica.

• Definir o alcance da nossa influência estratégica internacional.

• Ter maior participação em missões da ONU.

• Eliminar desconfiança com movimentos sociais e problemas internos como MST, narcotráfico, garimpo e queimadas na Amazônia.

• Retirar a aviação civil e o controle de aeroportos das atribuições da Aeronáutica.

• Integrar as três Forças.

• Retirar do orçamento os gastos com inativos e pensionistas.

• Aumentar o poder de dissuasão.

• Aumentar a presença na Amazônia.

• Promover o ministério e aumentar o interesse político sobre a pasta.

Desenvolvimento, indústria e comércio

Nome: Luis Fernando Furlan

Presidente do Conselho Administrativo da Sadia, empresário e engenheiro

Até a década de 80, o foco da indústria brasileira era a produção. Para os próximos anos, a palavra-chave para o crescimento é exportação. Cabe ao ministério preparar as empresas brasileiras para que elas se enquadrem nos padrões de qualidade do competitivo comércio internacional, aumentando o saldo da nossa balança comercial.

Por que ele é o melhor

Presidente do Conselho Administrativo da Sadia, Luiz Fernando Furlan dedicou boa parte da vida a conhecer os meandros do comércio exterior, participando diretamente na promoção de produtos brasileiros.

Principais desafios

• Criar marcas fortes internacionalmente.

• Difundir a cultura de qualidade e de exportação.

• Desburocratizar o acesso ao mercado externo.

• Apoiar pequenas e médias empresas com linhas de financiamento.

• Apoiar a reforma tributária para desonerar as pequenas e médias empresas e dar a elas competitividade no mercado externo.

Cultura

Não houve indicação

Talvez por falta de mobilização, talvez por falta de sentimento coletivo, o universo cultural brasileiro mostrou-se desinteressado pelo tema. A Super entrou em contato com 28 artistas, escritores, críticos, produtores e acadêmicos. Desses, apenas cinco concordaram em falar sobre o assunto. E apenas três indicaram nomes para o ministério. Pela falta de quorum e de consenso, ficamos sem uma sugestão de ministro nessa área.

Principais desafios

• Ampliar o acesso à cultura.

• Incentivar a participação da sociedade nas decisões sobre o financiamento do setor.

• Criar mais centros culturais.

• Criar um Conselho Nacional da Cultura, com participação de governo, artistas e sociedade.

• Isentar a importação de insumos culturais.

• Incluir o ensino de artes no currículo básico escolar.

Comunicações

Nome: Murilo Ramos

Diretor da faculdade de comunicação da Universidade de Brasília

Num mundo de inovações tecnológicas, em que a difusão da informação é cada vez mais veloz e depende de uma boa infra-estrutura, este ministério deve trabalhar para a democratização e a inclusão digital, além de propiciar o desenvolvimento tecnológico. Também é preciso modernizar a legislação sobre rádio e TV, que é de 1962 e está ultrapassada.

Por que ele é o melhor

Trata-se de uma pessoa capaz de conciliar os interesses do governo, das empresas e da sociedade e que conhece o setor de comunicações no Brasil. Embora não tenha projeção nacional, Murilo Ramos é especialista em radiodifusão e integra o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, o que lhe dá credenciais políticas.

Principais desafios

• Regulamentar o setor de rádio e TV, impedindo a chamada “propriedade cruzada” (quando um mesmo grupo controla estações de rádio e canais de televisão).

• Universalizar a internet.

• Ampliar o uso do telefone entre as classes populares.

• Incentivar a atuação das rádios comunitárias.

• Transformar as agências dos Correios em agências bancárias.

Ciência e tecnologia

Nome: Ronaldo Sardenberg

Atual ministro e diplomata de carreira

Estratégica para o desenvolvimento, a pasta sofre com a falta de continuidade de programas e com a insuficiência de recursos, problema parcialmente resolvido com a recente criação dos Fundos Setoriais, que captam e distribuem recursos para as várias áreas que compõem o setor.

Por que ele é o melhor

Apesar de não ser cientista – mas, sim, diplomata –, Ronaldo Sardenberg tem sido elogiado por suas posições firmes e pela facilidade de diálogo com os diferentes setores da sociedade e do governo à frente da pasta. O diretor científico do CNPq, o neurologista Esper Cavalheiro, também foi bastante citado.

Principais desafios

• Autonomia de gestão para o CNPq (que concede bolsas de pesquisa no âmbito federal), por meio da estipulação de uma receita fixa, vinculada à arrecadação tributária.

• Estimular pesquisas em áreas estratégicas para o Brasil.

• Investir de maneira equilibrada – e a longo prazo – tanto em ciência (pesquisa básica) quanto em tecnologia (pesquisa aplicada).

• Consolidar os Fundos Setoriais.

• Promover a parceria entre universidades, institutos de pesquisa, órgãos do governo e o setor empresarial para aproveitar o conhecimento científico gerado no Brasil.

• Ampliar a política de incentivos fiscais a empresas que investirem em pesquisas e desenvolvimento tecnológico.

• Investir na criação de centros de excelência em pesquisa, que potencializam a capacidade de produção científica, seguindo a vocação de cada região do país.

• Incentivar as universidades privadas a investir em pesquisa.

Agricultura

Nome: Pedro Camargo Neto

Secretário de produção e comecialização do ministério da agricultura

O Brasil tem hoje duas políticas agrícolas: uma para o agribusiness, no Ministério da Agricultura, e outra voltada para a agricultura familiar e assentamentos rurais, a cargo do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Essa divisão não faz sentido, segundo os especialistas, porque os pequenos produtores só serão viáveis quando forem incorporados à cadeia produtiva e puderem ter acesso aos mercados, inclusive o internacional. Por essa razão, o lógico é juntar os dois ministérios em um.

Por que ele é o melhor

A disputa para a pasta foi acirrada. Camargo Neto reúne qualidades únicas, por seu conhecimento e desenvoltura nos fóruns sobre comércio internacional, quesito fundamental para ampliar o mercado externo a nossos produtos e aumentar o volume de exportações. O segundo colocado, o engenheiro agrônomo Murilo Flores, um dos pais do Pronaf (um programa de crédito que eliminou intermediários entre o governo e o pequeno agricultor), encarna o perfil ideal para integrar ao mercado e ao modo de produção moderno as cerca de 20 milhões de pessoas que vivem da pequena agricultura no país.

Principais desafios

• Unir a pasta ao Ministério do Desenvolvimento Agrário.

• Ampliar o acesso a mercados estrangeiros.

• Consolidar a renegociação da dívida do setor, ampliar o acesso ao crédito rural e criar o seguro agrícola, que só o Brasil, entre os maiores produtores, não tem.

• Ampliar a produção e orientar a produção para aumentar o valor agregado dos produtos.

• Incluir os pequenos produtores na cadeia produtiva, para evitar o êxodo rural.

• Lutar pela redução da carga tributária sobre o setor, hoje em 32%.

• Ampliar o acesso à tecnologia.

• Melhorar o controle de pragas, doenças e de qualidade.

• Discutir e decidir rapidamente nossa postura sobre os transgênicos.

Os 118 especialistas

Agricultura

Blairo Maggi (produtor rural e ex-senador pelo PPS); Fernando Homem de Mello (professor de Economia Agrícola da USP); Francisco Turra (ex-ministro da Agricultura); Guilherme Dias (professor de Economia Agrícola da USP); José Graziano da Silva (professor de Economia Agrícola da Unicamp); Luiz Haffers Suplicy (ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira); Manoel dos Santos (presidente da Confederação dos Trabalhadores da Agricultura); Murilo Flores (ex-secretário-executivo do Ministério da Agricultura); Roberto Rodrigues (presidente da Associação Brasileira do Agribusiness).

Ciência e Tecnologia

Andrew Simpson (coordenador do Projeto Genoma no Brasil); Carlos Vogt (vice-presidente da SBPC e ex-reitor da Unicamp); Esper Cavalheiro (diretor-científico do CNPq); Flávio Fava de Moraes (ex-diretor da Fapesp e ex-reitor da USP); Ivan Izquierdo (neuroquímico da UFRGS); José Goldemberg (ex-ministro de Ciência e Tecnologia); Rogério Cerqueira Leite (professor emérito da Unicamp).

Comunicações

Alberto Goldman (deputado federal pelo PSDB); Daniel Herz (coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação); Juarez Quadros (secretário-executivo do Ministério das Comunicações); Murilo Ramos (diretor da Faculdade de Comunicação da UnB); Walter Pinheiro (deputado federal pelo PT).

Cultura

José Celso Martinez Corrêa (diretor do Teatro Oficina); Júlio Medaglia (maestro); Mário Chamie (poeta e ex-secretário municipal da Cultura de São Paulo); Renato Janine Ribeiro (professor de Filosofia da USP); Roberto Pompeu de Toledo (jornalista); Sérgio Bianchi (cineasta).

Defesa

Clóvis Brigagão (diretor do Centro de Estudos das Américas da Universidade Cândido Mendes); Domício Proença (coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da UFRJ); Eliézer Rizzo Oliveira (pesquisador da Unicamp); Mário César Flores (ex-ministro da Marinha); Sócrates Monteiro (ex-ministro da Aeronáutica).

Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Jorge Gerdau Johannpeter (presidente do grupo Gerdau); José Roberto Mendonça de Barros (ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda); Luiz Fernando Furlan (presidente do Conselho Administrativo da Sadia); Roberto Gianetti (secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior brasileira); Sérgio Amaral (ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

Educação

Carlos Henrique Brito Cruz (presidente da Fapesp); Cláudio Moura e Castro (ex-secretário da Educação de Minas Gerais); Cristovam Buarque (ex-governador do Distrito Federal); Esther Pilar Grossi (deputada federal pelo PT); Guiomar Namo de Mello (diretora da Fundação Victor Civita e membro do Conselho Nacional de Educação); Simon Schwartzman (consultor de educação).

Esportes

Bebeto de Freitas (ex-jogador de vôlei e superintendente do Botafogo); José Carlos Brunoro (ex-técnico de vôlei e ex-diretor de futebol da Parmalat); José Roberto Guimarães (técnico de vôlei e ex-dirigente de futebol do Corinthians); Tostão (ex-jogador de futebol).

Fazenda

Aloísio Mercadante (deputado pelo PT); Celso Martone (consultor econômico e professor da USP); Eduardo Giannetti da Fonseca (economista e professor das Faculdades IBMEC); Gustavo Ioschpe (administrador de empresas); Gustavo Loyola (ex-presidente do Banco Central); Joelmir Beting (analista econômico); Luís Roberto Cunha (economista e professor da PUC-RJ); Márcio Pochmann (professor da Unicamp e secretário municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade de São Paulo); Octávio de Barros (diretor do Banco Bilbao Vizcaya); Sérgio Werlang (ex-presidente do Banco Central).

Integração Nacional

Antônio José Monte (vice-diretor geral da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC); Fernando Abrúcio (professor de Administração Pública da FGV); Rosane Mendonça (consultora de Políticas Sociais do Banco Mundial); Tânia Bacelar (secretária de Planejamento do Recife); Valdemar Otani (diretor de Planejamento e Gestão do Desenvolvimento do Centro-Oeste do Ministério de Integração Nacional).

Justiça

Dirceu de Aguiar Cintra Junior (ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia); Jairo Fonseca (ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB); Josafá Marinho (ex-deputado federal pelo PFL); José Carlos Dias (advogado e ex-ministro da Justiça); José Genoíno (deputado federal pelo PT); Luiz Eduardo Soares (antropólogo e cientista político); Oscar Vilhena (professor de Direito); Urbano Ruiz (ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia).

Meio Ambiente

Carlos Joly (professor da Unicamp e coordenador do programa ambiental Biota-Fapesp); Eduardo Capobianco (diretor do Instituto Socioambiental); Eduardo de Souza Martins (ex-diretor do Ibama); Fábio Feldmann (deputado federal pelo PSDB); Gustavo Fonseca (diretor do Centro de Pesquisa Aplicada em Biodiversidade); Marina Silva (senadora pelo PT); Rubens Harry Born (ambientalista).

Minas e Energia

Adriano Pires (coordenador do programa de Planejamento Energético da UFRJ); David Zylberstajn (ex-diretor geral da Agência Nacional de Petróleo); Jean Paul Prates (diretor da consultoria de petróleo Expetro); Roberto de Almeida (diretor da El Paso Energy International do Brasil).

Planejamento

Eustáquio Reis (diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea); Francisco de Oliveira (coordenador do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da USP); Jack London (pioneiro da internet brasileira); Stephen Kanitz (consultor empresarial); Thomaz Wood Jr. (consultor corporativo).

Previdência

Marcelo Estevão de Moraes (pesquisador da UnB); Maria Lúcia Werneck Vianna (professora de Economia da UFRJ); Solange Vieira Paiva (ex-secretária de Previdência Complementar do Ministério da Previdência); Vera Shattan P. Coelho (pesquisadora do Cebrap); Waldeck Ornélas (senador pelo PFL).

Relações Exteriores

Celso Lafer (ministro das Relações Exteriores); José Augusto Guilhon de Albuquerque (cientista político da USP); Luís Felipe Lampréia (ex-ministro das Relações Exteriores); Luiz Fernando Furlan (presidente do Conselho Administrativo da Sadia); Mario Vilalva (diretor-geral do departamento de promoção comercial do Itamaraty).

Saúde

Daniel Deheinzelin (diretor clínico do Hospital do Câncer de São Paulo); David Uip (professor da USP); Eugênio Vilaça Mendes (consultor em Saúde Pública); Fábio Mesquita (doutor em Saúde Pública); Gonzalo Vecina Neto (presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária); Haino Burmerster (professor da USP e da FGV); Henrique Fontana (deputado pelo PT).

Trabalho

Almir Pazzianotto (ex-ministro do Trabalho e ex-ministro do Tribunal Superior do Trabalho); Aloízio Mercadante (deputado federal pelo PT); Antonio Prado (coordenador de Produção Técnica do Dieese e professor da PUC); José Felício (presidente da CUT); José Pastore (consultor em mercado de trabalho); Paulinho (presidente da Força Sindical); Roberto Macedo (economista e professor da USP).

Transportes

Adriano Murgel Branco (consultor em políticas públicas); Ailton Brasiliense (diretor da Associação Nacional dos Transportes Públicos); Evandro Madeira (consultor em transportes); Josef Barat (consultor em transportes); Plínio Assmann (conselheiro e fundador da ANTP); Rogério Belda (vice-presidente da ANTP).

Turismo

Firmin Antonio (presidente da Accor Brasil); Luiz Godoy Trigo (professor de Turismo da PUCCamp).

Fazenda

Nome: Armínio Fraga Neto

Atual Presidente do Banco Central. Economista, ex-professor da FGV

Sua missão parece simples, mas não é fácil: cuidar das finanças públicas e da política econômica. Parte do serviço foi feito, com a estabilidade da moeda e da inflação. O desafio agora é estimular o crescimento econômico, reduzir a carga tributária, que hoje é a maior do mundo (34% do PIB), e não deixar o Estado gastar mais do que arrecada. Para isso, são necessárias mudanças estruturais, como as reformas tributária e da Previdência.

Por que ele é o melhor

Além da sólida formação técnica, Armínio tem visão política e habilidade para dialogar com os vários setores do governo e da sociedade. À frente do Banco Central desde 1999, demonstrou capacidade de administrar conflitos e crises. E – qualidade fundamental para um ministro da Fazenda – conta com reconhecimento internacional.

Principais desafios

• Buscar o crescimento econômico auto-sustentado, preservando a estabilidade da moeda e melhorando a distribuição de renda.

• Dar início à reforma tributária. Eliminar os impostos sobre investimentos, transações financeiras, diminuindo o custo Brasil.

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• Promover o ajuste fiscal para equilibrar receitas e despesas, tornando o Brasil menos dependente de investimentos externos e menos vulnerável a crises internacionais.

• Reduzir a dívida pública.

• Incentivar as exportações.

• Definir nossa participação brasileira na Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

• Baixar as taxas de juros reais.

Integração Nacional

Que o Brasil precisa diminuir suas desigualdades internas ninguém tem dúvidas. Mas a existência do Ministério da Integração Nacional não garante que isso aconteça. Vários especialistas ouvidos pela Super afirmam que sua missão está incluída nas atribuições do Ministério do Planejamento: traçar uma política nacional para impulsionar o desenvolvimento das regiões mais pobres; e remodelar as agências antigas, como a Sudam, que, além de não cumprir sua função, colocaram milhões de reais do contribuinte no bolso de corruptos.

Esportes

Nome: Lars Grael

Secretário Nacional de Esporte, iatista e medalhista olímpico

Não faz nenhum sentido juntar Esportes e Turismo. O ideal é separar as pastas. Esportes, que sempre foi subordinado ao Ministério da Educação, ganha uma pasta própria, e fica responsável pelo esporte profissional, pela educação esportiva e pela difusão de atividades esportivas na sociedade.

Por que ele é o melhor

Lars Grael já era conhecido nacionalmente por suas conquistas olímpicas. Ganhou ainda mais respeito por enfrentar o acidente que lhe amputou uma perna. Essa notoriedade lhe garante trânsito no Congresso, nas associações de esportistas e na iniciativa privada. Além disso, revelou-se um ótimo conciliador e articulador político, à frente da secretaria.

Principais desafios

• Separar o ministério do Turismo.

• Incentivar o investimento nas categorias de base de todos os esportes, por meio de leis como a Lei Rouanet.

• Consolidar os programas de incentivo ao esporte já existentes, como o Esporte na Escola e o Esporte Solidário, que beneficia comunidades carentes, terceira idade e deficientes.

• Modernizar a legislação para que possa enquadrar todos os esportes.

• Criar mecanismos de fiscalização das federações e confederações.

Turismo

Nome: Caio Luiz de Carvalho

Ministro Interino de Esportes e Turismo. Foi presidente da Embratur

O turismo não tem recebido a atenção que merece no Brasil. Temos destinos conhecidos no mundo todo, como Rio de Janeiro, Pantanal, Foz do Iguaçu e Amazônia, mas somos apenas o 29º destino mais procurado do mundo. Houve um avanço nos últimos anos, mas ainda faturamos apenas 1% do PIB turístico do mundo, uma bolada estimada em cerca de 450 bilhões de dólares por ano. Nosso planejamento turístico ainda é rudimentar, e é essa a missão desta pasta.

Por que ele é o melhor

Presidente da Embratur há sete anos, depois de chefiar outros órgãos públicos de fomento ao turismo, Carvalho tem experiência e contatos com os agentes turísticos, que são muito pulverizados, além de conhecimento de marketing político.

Principais desafios

• Criar um banco de dados nacional do setor, com informações sobre o turista e sobre a estrutura turística.

• Ampliar a infra-estrutura do turismo, como estradas, segurança, saneamento e limpeza urbana, para atrair visitantes.

• Incentivar e criar diretrizes básicas, gerais, para a formação de profissionais para o setor.

• Combater a pobreza por meio do turismo, um dos setores com mais baixo custo de criação de empregos.

• Traçar uma política nacional básica de turismo, pouco detalhada.

• Ajudar Estados e municípios a criar seus órgãos de turismo e suas políticas locais que levem em conta as necessidades de cada região.

• Fiscalizar o impacto econômico, social e ambiental do turismo.

• Ampliar a divulgação de nossas atrações turísticas no Brasil e no exterior.

• Despertar agentes políticos e econômicos sobre o potencial econômico e social do turismo no Brasil.

Transportes

Nome: Adriano Murgel Branco

Ex-Secretário Estadual dos Transportes de São Paulo

Com a criação da Secretaria Especial do Desenvolvimento Urbano (Sedu), que tem status de ministério, o trânsito e o transporte coletivo urbano não estão mais na esfera desta pasta. Mas o ministério continua responsável pelo planejamento e gerenciamento de rodovias e ferrovias federais, controle do transporte de carga e outros temas relacionados ao transporte nacional.

Por que ele é o melhor

Conhecedor da área de transportes, Adriano tem capacidade de planejamento, visão de futuro e habilidade para lidar com o jogo de interesses que, desde sempre, cerca o setor. Sabe negociar com outras esferas do governo e com a iniciativa privada.

Principais desafios

• Aproveitar e integrar a infra-estrutura ferroviária e portuária já existente – e hoje em grande parte ociosa – para reduzir os custos da exportação.

• Ampliar a malha ferroviária para torná-la mais atraente aos investimentos da iniciativa privada.

• Descentralizar o controle de portos, ferrovias e rodovias que ainda estão sob responsabilidade da União.

• Criar um programa nacional para o transporte de carga que inclua medidas de recuperação ou manutenção das rodovias federais, controle efetivo do peso das cargas, investimentos na malha ferroviária e gerenciamento dos recursos.

• Aumentar a eficiência dos portos.

• Investir na navegação de cabotagem para ligar, a baixo custo, localidades litorâneas. Hoje, esse tipo de transporte é quase inexistente.

• Ampliar a rede e a utilização das hidrovias. Nossos rios somam 40 000 quilômetros navegáveis.

• Ampliar a rede e diversificar o uso das dutovias (transporte por dutos), que hoje só transportam gás e petróleo. Uma das idéias é transportar grãos por esses tubos.

• Dar continuidade à concessão de vias e fiscalizar sua condução.

• Reativar as ferrovias (as centrais ferroviárias) nas áreas urbanas.

Trabalho

Nome: Francisco Dorneles

Atual Ministro e Ex-Ministro da Fazenda da gestão de José Sarney

Por estar no centro do embate entre patrões e empregados, esta é uma das pastas com caráter político mais acentuado. Para os estudiosos mais ligados aos trabalhadores, sua função é gerar emprego e trabalho. Mas muita gente acha que seu papel resume-se em melhorar as relações de trabalho

Por que ele é o melhor

Expoente do partido de Paulo Maluf, Dornelles não é uma unanimidade. Seu nome foi citado pelos maiores especialistas no assunto por sua atuação à frente do ministério, onde reduziu a taxa de acidentes de trabalho e abriu a discussão sobre a modernização da legislação. Outro nome citado, por gente mais próxima aos sindicatos, foi o do economista Márcio Pochmann, professor da Unicamp e secretário do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo.

Principais desafios

• Liderar a modernização da legislação trabalhista (CLT e legislação sindical), negociando politicamente com patrões e sindicatos e transformando isso em um projeto de lei.

• Reduzir os acidentes e as doenças do trabalho, nos quais o Brasil é um dos líderes mundiais.

• Melhorar e diversificar o ensino profissional.

• Reformular o seguro-desemprego, que hoje não alcança seu público-alvo, que são os pobres. Só 3% dos recursos do seguro-desemprego ficam com os mais pobres.

• Criar proteção para o trabalhador informal, hoje sem nenhum benefício.

• Elevar o poder de compra do trabalhador.

• Erradicar abusos como trabalho escravo e infantil, entre outros.

• Incentivar e fiscalizar as comissões de conciliação prévia existentes dentro das empresas.

• Criar política de emprego para jovens.

Sáude

Nome: Adib Jatene

Cardiologista e ex-ministro da saúde

Independentemente de qualquer projeto, um dos desafios do ministro da Saúde é disputar mais dinheiro, que hoje é insuficiente para a demanda da pasta. Além disso, quando o Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado, pela Constituição de 1988, deveria oferecer atendimento público de qualidade para todos. Mas a população que tem alguma renda continua recorrendo aos planos privados de saúde.

Por que ele é o melhor

Cirurgião reconhecido internacionalmente, Jatene conhece a situação da saúde no Brasil e é respeitado no meio acadêmico e político. À Super, disse que nunca mais volta à vida pública. Outros nomes lembrados pelos entrevistados foram o ex-ministro José Serra e o secretário municipal da Saúde de Campinas, Gastão Wagner.

Principais desafios

• Aprimorar o SUS: melhorar a gestão dos recursos e aumentar a contribuição dos municípios e dos Estados; priorizar a assistência básica e reduzir internações; ampliar a abrangência do atendimento; aumentar o salário dos profissionais.

• Investir em campanhas de prevenção e programas educativos.

• Aumentar a porcentagem do Orçamento destinada à Saúde.

• Erradicar as doenças infecto-contagiosas, com planos regionais.

• Expandir o Programa de Saúde da Família, que aproxima o médico da comunidade e agiliza o atendimento primário.

• Reorganizar a distribuição de hospitais e leitos, para combater a ociosidade em algumas regiões e o inchaço em outras.

• Criar uma política de medicamentos, priorizando a criação de farmácias comunitárias, estimulando o consumo de genéricos e elaborando uma planilha pública com o preço dos medicamentos para evitar abusos.

• Investir na formação dos profissionais de saúde.

• Controlar os planos privados de saúde.

Relações exteriores

Nome: Celso Lafer

Atual Ministro das Relações Exteriores. Advogado, prefessor, escritor e diplomata

Conhecido pela excelência na formação dos seus diplomatas, o Brasil tem muitos bons nomes para esta pasta. Desde a criação da Organização Mun-dial do Comércio, em 1995, o grande papel dos diplomatas é na disputa pelos mercados internacionais.

Por que ele é o melhor

Celso Lafer alia o conhecimento das agendas política e econômica internacionais. Como participou de negociações na Organização Mundial de Comércio, é um nome experiente para promover o Brasil no exterior.

Principais desafios

• Quebrar as barreiras alfandegárias e tarifárias aos produtos brasileiros.

• Buscar mercados alternativos para exportar produtos, como a Rússia.

• Escolher uma agenda prioritária entre a Alca, o Mercosul e a União Européia.

• Aumentar a participação do país nas forças de paz internacionais.

Planejamento

Cláudia Costin

Ex-Ministra da Administração hoje é consultora de empresa

O Ministério do Planejamento já foi responsável pelo desenho dos planos para a nação, mas hoje a pasta é quase uma assessoria da Fazenda. Sua maior atribuição é elaborar o orçamento federal, que, apesar de ser votado pelo Congresso, não precisa ser cumprido. Ou seja, decide onde o governo deve investir. O ministro deve ser um gerente, um estrategista com visão dos problemas da sociedade. E ser capaz de montar uma equipe que consiga captar mudanças no país.

Por que ela é a melhor

O ministro do Planejamento precisa reunir qualidades como visão ampla do país e experiência internacional. Deve ser preferencialmente alguém formado em Administração de Empresas, além de ser capaz de articular e montar equipes. Cláudia Costin, formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, já ocupou cargos públicos e serviu no Banco Mundial, em Washington.

Principais desafios

• Conciliar a responsabilidade fiscal com o crescimento da economia.

• Promover a descentralização do planejamento federal, delegando parte das decisões para outras pastas.

• Instituir políticas estratégicas para a indústria, serviços, trabalho, economia e emprego.

• Participar da formulação da política de juros e taxas de câmbio juntamente com o Ministério da Fazenda e o Banco Central.

Previdência

Nome: Waldeck Ornélas

Senador e ex-ministro da previdência

No mundo todo, a Previdência é um dos maiores nós administrativos a serem desatados, devido ao envelhecimento da população, que desequilibra as contas mesmo onde a gestão é boa. No Brasil, onde a sonegação é crassa e as fraudes previdenciárias são uma endemia, o drama é pior. E mais grave, porque em muitos Estados o dinheiro das pensões é que sustenta a economia local.

Por que ele é o melhor

Um político com conhecimento sobre a Previdência no Brasil é o pré-requisito do ministro ideal. Longe de ser uma unanimidade, Waldeck Ornélas, apadrinhado de Antônio Carlos Magalhães, conhece o setor público e teve uma elogiada passagem pelo Ministério da Previdência. Além disso, defende com conhecimento de causa a adoção da capitalização escritural, modelo sueco reivindicado pelos especialistas.

Principais desafios

• Combater a corrupção e a evasão.

• Criação da capitalização escritural (uma espécie de “poupança” em que o segurado investe o quanto pode e quando pode e, ao fim de um prazo, recolhe o benefício devido).

• Incentivar a adesão ao sistema, especialmente dos trabalhadores autônomos e do mercado informal, entre os quais apenas 21% contribuem, hoje.

• Regular e fiscalizar a Previdência privada e de Estados e prefeituras.

Minas e energia

Nome: Pedro Parente

Ministro Chefe da Casa Civil, gerenciou a crise do apagão

Ligada às grandes estatais brasileiras como a Petrobras e, no passado, à Companhia Siderúrgica Nacional, esta pasta foi uma das que historicamente mais sofreram com o reparte político-partidário. O resultado você conhece: processos de privatização confusos, falta de planejamento energético e apagão. Um dos maiores desafios da pasta é justamente mudar o perfil de seus quadros e torná-los mais técnicos.

Por que ele é o melhor

Além de ter sido bem-sucedido na gestão da crise do apagão, o ministro-chefe da Casa Civil conhece o setor e pode formar uma equipe capaz de transmitir segurança para os investidores externos e traçar um política de planejamento energético a longo prazo. Outros nomes citados foram os do empresário Antonio Ermírio de Moraes e do ex-presidente da Petrobras, Philippe Reichstul.

Principais desafios

• Após a conclusão do processo de privatização das grandes siderúrgicas, o ministério precisa se concentrar na transição do modelo estatal para o privado no setor de energia.

• Criar regras claras para o setor, para atrair investimentos externos.

• Fortalecer e dar autonomia política às agências reguladoras do setor.

• Investir na geração de energia, e não só na distribuição, para garantir fornecimento a longo prazo.

Meio Ambiente

Nome: Mary Helena Allegritti

Secretária de Coordenação da Amazônia do Ministério

Relegado a um papel secundário, o Ministério do Meio Ambiente recebe uma fatia menor dos recursos federais, tem pouca influência nas decisões governamentais e está isolado dos outros ministérios. Tanto é assim que, no programa de investimentos em infra-estrutura na Amazônia, o Avança Brasil, há medidas de grande impacto ambiental, como a abertura de eixos rodoviários em plena floresta. A atuação do ministério deve ser mais proativa.

Por que ela é a melhor

Comprometida com a causa ambiental há muito tempo, Mary tem bom trânsito político e habilidade para estabelecer diálogo entre os diversos setores da sociedade. Combativa, tem a necessária disposição para “brigar” pelo reconhecimento da importância estratégica do meio ambiente e conhece a estrutura do ministério. A senadora Marina Silva, do Acre, e o deputado Fábio Feldmann, de São Paulo, também foram bem votados.

Principais desafios

• Mudar o modelo de desenvolvimento econômico, hoje baseado na expansão de fronteiras agrícolas e na derrubada de florestas, para um modelo de uso sustentável da biodiversidade.

• Proteger e recuperar os recursos hídricos, realizando campanhas educativas e fiscalizando sua utilização.

• Articular uma política de meio ambiente com os outros ministérios e com os governos estaduais e municipais, estimulando parcerias.

• Abandonar a postura defensiva, de apenas reverter quadros de degradação ambiental, para uma posição mais ativa, de conservação efetiva dos ecossistemas e dos remanescentes florestais.

• Aumentar a participação brasileira nas discussões internacionais sobre os problemas ambientais, já que somos o país com a maior biodiversidade do mundo.

• Incentivar a reciclagem e o reaproveitamento do lixo.

• Envolver ONGs, governos e iniciativa privada na discussão e na solução das questões ambientais.

• Fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental.

Justiça

Nome: José Carlos Dias

Advogado criminalista, ex-ministro da Justiça

Até a gestão de Fernando Henrique Cardoso, o cargo de ministro da Justiça sempre foi entregue ao coordenador político do governo. Talvez por isso estejam tão pouco consolidadas as áreas que dependem da sua atuação: a independência entre os Poderes, o aprimoramento da democracia e a eficiência do Judiciário.

Por que ele é o melhor

Respeitado no meio jurídico como criminalista, Dias é também uma unanimidade política, graças à sua história como defensor dos direitos humanos. Foi presidente da Comissão de Justiça e Paz, que defendeu presos políticos durante o regime militar, e secretário da Justiça no governo de Franco Montoro, em São Paulo.

Principais desafios

• Elaborar e executar um plano nacional de segurança pública que integre as políticas dos Estados (bancos de dados, inteligência).

• Criar exigências mínimas para a formação e a eficiência dos policiais.

• Reforçar a Polícia Federal.

• Trazer de volta a Secretaria Nacional Antidrogas.

• Promover campanhas educativas sobre desarmamento, violência urbana e drogas.

• Promover debates públicos e elaborar/propor reformas sobre: sigilo bancário e controle do sistema financeiro; polícias Civil e Militar; Poder Judiciário; cartórios; tribunais militares e tribunais de contas.

• Baratear o acesso à Justiça, por meio das defensorias públicas.

• Consolidar as leis federais.

• Blindar politicamente a Secretaria de Direito Econômico, para evitar a ação de lobbies.

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