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OMS prepara estudo global para descobrir a verdadeira extensão da Covid-19

O programa Solidarity II vai incentivar testes em massa na busca de anticorpos contra o coronavírus, e tentar medir a quantidade real de assintomáticos.

Por Bruno Carbinatto - Atualizado em 6 abr 2020, 19h14 - Publicado em 6 abr 2020, 18h41

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que está preparando um novo projeto internacional para mapear a real extensão da Covid-19 pelo mundo. A ideia é executar testes em massa para identificar anticorpos contra o vírus na população – contabilizando também os casos assintomáticos ou leves, que em sua maioria passam em branco.

Chamado Solidarity II (Solidariedade II), o projeto deve ser lançado oficialmente nos próximos dias e já conta com o interesse de pelo menos seis países, segundo a revista Science. O nome se refere a uma outra mega iniciativa da organização, a Solidarity I, que vai testar os quatros medicamentos mais promissores contra a doença em pelo menos 10 países, como já explicamos na SUPER.

Até agora, foram identificados mais de 1 milhão e 300 mil casos de Covid-19 em todo o mundo. Mas o número real de infectados provavelmente é muito maior, já que sabemos que há casos leves e assintomáticos que não chegam a ser testados, tanto por conta da limitação dos estoques de testes quanto porque essas pessoas geralmente não procuram ajuda média e se recuperam em casa. Todos esses casos foram detectados a partir de testes que identificam o próprio vírus presente no corpo dos infectados.

Mas a OMS quer adotar uma nova estratégia: procurar por anticorpos contra o SARS-CoV-2, o vírus causador da doença, no sangue de pessoas – aleatoriamente. Funciona assim: quando o vírus infecta alguém, o corpo cria anticorpos específicos e duradouros para aquele patógeno. Testar pacientes em busca desses anticorpos indica se a pessoa já teve a doença em algum momento – e isso inclui pessoas que tiveram casos assintomáticos ou leves e que provavelmente nem imaginam que chegaram a contrair o vírus.

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Esse tipo de abordagem pode oferecer dados mais concretos sobre a Covid-19, como uma taxa de mortalidade mais adequada, já que a atual provavelmente é superestimada por não levar em conta os casos leves e assintomáticos não diagnosticados. Esses detalhes também ajudarão a autoridades a tomarem decisões de saúde pública mais acertadas, como o tempo de duração das quarentenas que estão sendo aplicadas em todo o mundo, por exemplo.

Ainda há um obstáculo: embora testes de anticorpos para a Covid-19 já existam, eles ainda são feitos em laboratório específicos e não há uma versão comercial para ser utilizada em grande escala. A OMS está trabalhando em conjunto com laboratórios e empresas de todo o mundo para tentar licenciar um teste desse tipo o mais rápido possível. Enquanto isso, a organização já anunciou diretrizes para países que quiserem começar seus próprios testes, mesmo que menor escala.

Alemanha e Estados Unidos são dois países que já haviam começado a testar pequenas parcelas de sua população aleatoriamente em busca de anticorpos, mas apenas em níveis locais e com uma baixa amostragem. Coreia do Sul, Cingapura e novamente a Alemanha também são alguns países que estão apostando em testagem em massa para lutar contra a crise, mas esses testes são para o vírus em si, e não para anticorpos.

Os detalhes da Solidarity II ainda não foram divulgados, e não se sabe exatamente quais países participarão ativamente. Mas seus resultados já estão sendo aguardados ansiosamente  e podem trazer respostas para perguntas importantes que pairam desde o início da pandemia.

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