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Órgão autoriza primeiro teste de edição de genes em humanos

Cientistas estão a um passo de poder usar uma polêmica técnica de edição genética no combate ao câncer. O Comitê Assessor de DNA Recombinante do Instituto de Saúde dos EUA aprovou nessa semana o uso da ferramenta CRISPR em um estudo da Universidade da Pensilvânia. O recurso será utilizado pela primeira vez para o tratamento de seres humanos.

No primeiro teste, eles irão retirar células T – os glóbulos brancos que ajudam a proteger o sistema imunológico – de 18 pacientes. Depois, eles irão utilizar CRISPR para editar os genes das células e injetá-las novamente nos indivíduos.

Segundo os cientistas, a nova técnica facilita a retirada, a cópia e a união de fragmentos selecionados de DNA. Se os testes tiverem resultados positivos, os pacientes com melanoma, mieloma múltiplo e sarcoma terão suas células tumorais destruídas.

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“O nosso objetivo é desenvolver um novo tipo de imunoterapia utilizando tecnologia de edição de gene. Isso irá permitir que as células do sistema imunológico modificados sejam mais potentes, sobrevivam por mais tempo, e, assim, matem células cancerosas de forma mais eficaz”, afirmaram os pesquisadores para o Comitê na terça-feira, relata o site Stat.

Recentemente, o uso de CRISPR iniciou um debate ético no meio científico. Alguns especialistas acreditam que a técnica pode acarretar na criação de bebês geneticamente modificados.

“A modificação genética de crianças foi recentemente material de ficção científica”, disse Pete Shanks, pesquisador do Centro de Genética e Sociedade dos EUA, em um evento sobre edição genética no ano passado, reporta o site Science Alert. “Agora, com a nova tecnologia, a fantasia pode se tornar realidade. Uma vez que o processo começa, não haverá como voltar atrás. Esta é uma linha que não devemos atravessar.”

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Em abril de 2015, cientistas da Universidade de Sun Yat-sen, na cidade chinesa de Guangzhou, conseguiram pela primeira vez alterar o genoma de células embrionárias humanas, a partir da técnica CRISPR. 

No entanto, vale ressaltar que o estudo da Universidade da Pensilvânia tem como foco atacar células tumorais em seres humanos e, não, editar embriões geneticamente.

Independentemente dos conflitos éticos, os médicos envolvidos no estudo ainda precisam da admissão da Administração de Comidas e Drogas dos EUA para continuar os trabalhos. Caso aprovada, a pesquisa será financiada pelo Instituto Parker para Imunoterapia de Câncer.