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Quem são os 4 pacientes que ficaram “livres” do HIV

Timothy Brown, o "paciente de Berlim", faleceu vítima de leucemia nesta quarta-feira (30). Conheça a história dele – e dos outros casos de remissão do vírus da Aids.

Por Carolina Fioratti - 30 set 2020, 17h18

Em 1995, Timothy Ray Brown, um americano que vivia na Alemanha, descobriu ser positivo para o HIV. Em 2007, 12 anos depois, ele foi submetido a um procedimento que levou a remissão do vírus – ou seja, não havia mais sinais da atividade do HIV em seu corpo – algo inédito na história.

Nesta quarta-feira (30), Timothy Brown faleceu na Califórnia, aos 54 anos. O vírus causador da Aids não voltou mais a dar sinal em seu corpo, mas o “paciente de Berlim”, como ficou conhecido, foi vítima de leucemia mieloide aguda, tipo de câncer no sangue diagnosticado em 2006 que se espalhou, depois, para seu cérebro e coluna.

Conhecido como “paciente de Berlin”, Timothy Brown foi o primeiro caso considerado “curado” do HIV.  T.J. Kirkpatrick/Getty Images

Caso você tenha prestado atenção nas datas, vai ver que o câncer de Brown surgiu antes de sua “cura” do HIV. Na verdade, há uma relação entre os dois fatores. Quando o americano foi diagnosticado com leucemia, seu médico, o alemão Gero Huetter, propôs que fosse feito um transplante de medula óssea, procedimento comumente utilizado para este tipo de caso.

Por outro lado, o doador teria que ser alguém bem específico. Huetter sugeriu que as células-tronco fossem oferecidas por alguém que tivesse a mutação genética delta-32, relacionada à produção de uma proteína específica no gene CCR5. Pessoas com essa mutação rara são naturalmente resistentes ao HIV, então o vírus não consegue atacar os glóbulos brancos e se reproduzir por ali. Por incrível que pareça, o tratamento funcionou para a remissão do HIV, mas não para livrá-lo das consequências do câncer. 

Há apenas outros dois pacientes que foram considerados livres do vírus a partir deste mesmo procedimento. Um deles é Adam Castillejo, um venezuelano que vivia na Inglaterra e ficou conhecido como “paciente de Londres”, devido à cidade que morava. Ele descobriu ser portador de HIV em 2003 e, em 2011, soube que tinha Linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático. Castillejo foi submetido ao transplante de medula óssea em 2016 e parou seu tratamento com antirretrovirais em 2017. Como não apresentou mais sinais do vírus, foi considerado curado em 2019. 

A trajetória para o “paciente de Düsseldorf” foi a mesma. Este, por outro lado, permanece anônimo. Seu caso foi exposto em março de 2019 na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas em Seattle, nos EUA. Na época, o paciente estava há três meses sem antirretrovirais e não apresentava sinais do HIV. Mesmo assim, seu caso ainda não foi considerado como cura, mas sim uma remissão, já que ainda é necessário mais acompanhamento. 

Mas não é tão simples assim sair transplantando medula óssea por aí. O procedimento é altamente arriscado, já que envolve a destruição de todos os glóbulos brancos para que estes sejam substituídos pelos cedidos por um doador saudável. As células podem ser destruídas com auxílio de medicamentos ou por radioterapia. Além disso, não é tão fácil encontrar pessoas com a mutação no gene CCR5 e o custo de todo o procedimento acaba saindo bem alto no final. 

No Brasil, por outro lado, ocorreu um caso de remissão do HIV que parece ser mais acessível. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) podem ter ajudado a curar um paciente apenas com o uso de medicamentos. O homem, que não foi identificado, foi tratado com três antirretrovirais, dois remédios e um suplemento vitamínico. O “paciente de São Paulo”, como foi chamado mundo afora, descobriu ser soropositivo em 2012 e teve a remissão do vírus anunciada em julho de 2020, após 17 meses sem sinais do HIV. 

Hoje, há cerca de 37 milhões de pessoas convivendo com o vírus, que pode ser controlado com o uso de antirretrovirais. 

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