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Rússia identifica os primeiros casos de gripe aviária H5N8 em humanos

Sete trabalhadores de uma granja foram infectados após contato direto com aves - mas não desenvolveram nenhum sintoma. Além disso, diferentemente da Covid-19, a doença não é transmissível de humano para humano.

Por Bruno Carbinatto Atualizado em 24 fev 2021, 17h09 - Publicado em 24 fev 2021, 17h05

No começo desta semana, autoridades de saúde da Rússia enviaram à Organização Mundial da Saúde (OMS) um comunicado sobre a descoberta dos primeiros casos de gripe aviária causada pelo vírus H5N8 em humanos,. Segundo a agência governamental de vigilância em saúde Rospotrebnadzor, sete trabalhadores de uma granja no sul da Rússia foram infectados pelo vírus após um surto entre as aves do local, em dezembro do ano passado.

Anna Popova, chefe do órgão sanitário, anunciou que todos os sete indivíduos estão bem e não houve novos desdobramentos do episódio. Mas os casos são emblemáticos, porque é a primeira vez que o vírus H5N8 causa doença em humanos; anteriormente, ele havia apenas sido encontrado entre aves. Mas já existia a suspeita de que talvez pudesse infectar humanos porque o H5N6, um vírus evolutivamente próximo a ele, já tinha sido responsável por um pequeno surto de casos na China.

  • O grupo de vírus que causam a gripe aviária inclui vários representantes, mas todos tem algo em comum: transmitem principalmente de ave para ave. Alguns, raramente, podem infectar humanos, mas só pessoas que tiverem contato direto com aves (vivas ou mortas) ou com suas fezes – o que significa que, diferente da Covid-19, a gripe aviária não se transmite de pessoa para pessoa (ou pelo menos isso nunca foi registrado). O anúncio feito pelo governo russo reforçou que os setes casos identificados são de trabalhadores que tiveram contato direto com as aves e que não há nenhum indício de que tenha havido transmissão entre eles.

    O H5N8 é letal para aves. Mas os sete casos registrados em humanos foram todos assintomáticos. A gripe aviária em geral é uma doença difícil de pegar, mas que pode ser fatal: a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou que, desde 2014, houve 24 casos confirmados de infecção pelo H5N6 na China, com sete mortes (aproximadamente 30% do total). No caso da gripe causada pelo vírus H5N1, a taxa de letalidade chega a 60%. Mas, como poucas pessoas contraíram esses vírus até hoje, os percentuais podem estar superestimados.

    Eventualmente, surtos de gripe aviária aparecem em granjas pelo mundo e exigem que quantidades grandes de aves sejam sacrificadas para conter o avanço da doença. No mês passado, a Índia abateu milhares de aves após seis estados identificarem casos; em maio de 2020, no auge da pandemia, Alemanha e Filipinas também fizeram o mesmo após surtos causados pelos vírus H5N8 e H5N6. Em nenhum desses episódios houve humanos infectados.

    Especialistas afirmam que, mesmo que não haja potencial de se formar uma pandemia como a Covid-19 devido a falta de transmissão entre humanos, é preciso continuar monitorando de perto os casos de gripe aviária porque, se os vírus continuarem circulando normalmente, eventualmente podem desenvolver mutações que os tornem mais efetivos em infectar humanos.

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