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Sangue: Entrega em domicílio

As compras pelo sistema de delivery estão na moda. Mas ninguém faz isso como as células sangüíneas, que abastecem o seu organismo.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h38 - Publicado em 31 Maio 1998, 22h00

Claudio Angelo

A cada minuto, a gigantesca frota de motoboys do sangue dá uma volta completa no corpo. Em cada viagem, ela alimenta os tecidos, joga fora o que não presta e atropela qualquer bactéria que encontrar no caminho. De quebra, mantém a temperatura do organismo e fecha os ferimentos que às vezes aparecem.

A encomenda principal é o oxigênio, vital para o funcionamento das células. Ele é empacotado nos pulmões e despachado nas células vermelhas do sangue, as hemácias, pendurado em moléculas de hemoglobina. Além de deixar o sangue da cor do tomate, a hemoglobina tem a tarefa de capturar o oxigênio nos pulmões e soltá-lo em cada célula. Na viagem de volta, o sangue leva o gás carbônico para os pulmões, por onde ele é eliminado. No pacote da entrega entram ainda glicose, aminoácidos, vitaminas e sais minerais.

Essa função transportadora depende quase exclusivamente do formato das hemácias, também conhecidas como glóbulos vermelhos. Alterações podem fazer com que elas percam a forma de disco e a sua utilidade. É o que acontece na anemia falciforme. “Os glóbulos vermelhos das pessoas com essa doença assumem o formato de foice e não conseguem entrar nos capilares”, diz o hematologista Roberto Rached, do Incor.

Quem sabe é super

Em 1742, médicos italianos tentaram salvar a vida do papa Inocêncio VII injetando-lhe o sangue de três jovens. Todos os participantes da experiência, – Sua Santidade, inclusive – morreram poucos dias depois. A Medicina só conseguiu fazer transfusões com segurança no século XX.

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Parceiras de sangue

VEÍCULOS LEVES: As hemácias, ou glóbulos vermelhos, contém a hemoglobina – que dá a cor ao sangue – e transportam gases. São produzidas na medula óssea e duram de 90 a 120 dias.

TAPA-BURACOS: As plaquetas não são células, mas fragmentos de uma célula da medula óssea. Quando um vaso se rompe, elas grudam em sua parede e iniciam a coagulação.

TROPA DE CHOQUE: Os leucócitos, ou glóbulos brancos, são a linha de defesa do corpo. Engolem tudo o que não presta no sangue, de bactérias a hemácias velhas.

Qual é o seu tipo?

Nem todo sangue é igual. E a mistura pode até matar

Você, como todo mundo, pertence a um tipo sangüíneo: A, B, AB ou O. Esse código vem sempre acompanhado de um sinal – positivo ou negativo. No caso de você precisar de uma transfusão, só poderá receber sangue de um doador compatível com o seu tipo. Uma mistura errada resultará em tragédia, com risco de morte.

O perigo existe devido a proteínas chamadas aglutinógenos, presentes nas hemácias (ou glóbulos vermelhos) de uma parte da humanidade. Os aglutinógenos são de dois tipos, A e B. O tipo A está sempre acompanhado de um anticorpo que inutiliza as hemácias dotadas do aglutinógeno B, e vice-versa. Há quem carregue no sangue os dois tipos. Esses indivíduos formam o grupo AB, que pode receber transfusões de qualquer um. O oposto acontece com o grupo O, que não possui nem a proteina A, nem a B. Quem é desse grupo pode, por isso, doar sangue para qualquer um, pois suas hemácias são inofensivas. Mas só pode receber transfusões do mesmo tipo sangüíneo (veja infográfico ao lado).

O mesmo fenômeno acontece com o fator Rh – outro tipo de proteína capaz de destruir hemácias e que leva esse nome porque foi descoberta em macacos rhesus. Quem tem essa proteína é chamado “Rh positivo” e só pode doar sangue dentro do mesmo grupo. Quem não tem é “Rh negativo” – a grande maioria.

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