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Estado americano produz mais maconha do que consegue queimar – já são 450 toneladas encalhadas

Para se livrar dos estoques, produtores do Oregon estão vendendo a erva 50 vezes mais barato do que quando legalizaram a droga

Por Felipe Germano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 abr 2018, 19h48 | Atualizado em 24 abr 2018, 11h55
Estado americano produz mais maconha do que consegue queimar – já são 450 toneladas encalhadas Priorizar nos meus resultados Google

Se tem uma coisa que não falta hoje no Estado do Oregon (EUA), essa coisa é maconha. O estado, na verdade, tem mais da planta do que seus habitantes conseguem consumir. Nos estoques, estão encalhadas mais de 450 toneladas da erva.

O Oregon permitiu a venda recreativa de maconha em 2014. Seguiu um movimento que havia começado dois anos antes quando Colorado e Washington também liberaram a droga sem a necessidade de prescrições médicas. De lá para cá, o Estado tentou controlar o fluxo de seus produtores locais. Em 2016, quando começou a emitir oficialmente as licenças para o cultivo da planta, a Comissão de Controle das Bebidas do Oregon (OLCC, na sigla em inglês) planejava expedir 800 permissões – número que se esticaria para, no máximo 1.200 documentos. Não rolou. O número atual de produtores ultrapassa o dobro da estimativa inicial: são mais de 1.800.

Culpa do clima. Quase um ano depois das permissões serem liberadas, o ciclo de cultivo estava indo a todo vapor, quando uma tempestade atingiu a região. Grande parte das plantações foram afetadas. Mesmo aquelas que não foram destruídas pela água ficaram sujeitas ao mofo e ao bolor ocasionados pela umidade excessiva que se instalou na região. A saída foi liberar mais permissões para conseguir suprir a demanda de clientes. Só que a matemática não fechou.

Os produtores veteranos se recuperaram dos problemas fluviais e os iniciantes estavam produzindo à altura dos mais experientes. O resultado foi mais maconha do que as pessoas deram conta de fumar – o Estado estima que haja 450 toneladas da droga estocada, sem perspectiva de venda.

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E os produtores não tem grandes saídas pela frente. Como a legislação federal dos EUA ainda não permite a venda da droga em todo o País, os produtores são proibidos de comercializar a erva excedente com outros estados. Até a produção de derivados, como óleos que contém canabidiol é vetada. Na letra da lei, os agricultores só podem vender a maconha in natura.

A solução foi baixar os preços. Quando as permissões foram liberadas, a estimativa era de que cada quilo de maconha fosse vendida à US$ 4,8 mil (R$ 16,5 mil). Hoje, a mesma quantidade vale quase 50 vezes menos: US$ 100 (R$ 340).

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A expectativa é de que, em um futuro próximo, os produtores encontrem um ritmo de produção que diminua os excessos e traga de volta as margens de lucro. “Toda produção agropecuária tem seus altos e baixos”, afirmou Molly Conroy, diretora da Associação de Cannabis do Oregon, em entrevista ao jornal britânico The Guardian. “Com o perdão do trocadilho”, completa.

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