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FBI quer identificar criminosos pelas tatuagens

A ideia é usar 100 mil fotografias como parâmetro para definir tattoos que se relacionem com atividades violentas e criminosas.

Por Helô D'Angelo - Atualizado em 31 out 2016, 18h58 - Publicado em 6 jun 2016, 15h15

Pensa em fazer uma tatuagem? Vale a pena passar um tempo escolhendo o desenho – e não só porque ele é permanente. O FBI quer criar um software que identifique, automaticamente, tattoos relacionadas a organizações criminosas, a grupos religiosos, a ideologias políticas e a gangues – quase um Minority Report baseado em tatuagens. 

A cada 5 adultos nos Estados Unidos, um é tatuado – mas, apesar de alguns desenhos serem iguais, as tattoos são sempre únicas, e a maioria tem um significado maior do que o exposto no desenho. A ideia, então, é criar um programa de computador que possa reconhecer e classificar alguns desses significados, especialmente os que tenham a ver com comportamentos violentos. O software funcionaria a partir de um banco de imagens, composto por milhares de fotos de tatuagens de presidiários. São dois objetivos: primeiro, identificar pessoas usando os desenhos na pele; segundo, verificar se essas pessoas participam de grupos violentos, como gangues ou organizações criminosas. 

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O FBI não está sozinho nessa: o projeto está sendo desenvolvido junto com o Instituto Nacional de Tecnologia (NIST), uma das instituições federais mais antigas dos EUA. Desde 2014, o NIST reuniu 15 mil fotos de tatuagens de presidiários, a partir das quais é possível interpretar símbolos culturais com 90% de acerto. Mas o segundo objetivo do software – reconhecer pessoas só pelas tattoos – ainda não é possível. Por isso, o próximo passo é alimentar mais ainda o banco de imagens: o FBI e o Instituto pretendem completar 100 mil fotografias de tatuagens, com imagens dos presídios da Flórida, no Tennessee e em Michigan.

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Mas até que ponto usar tatuagens para identificar criminosos é ético? A Electronic Frontier Foundation (EFF), uma organização que defende os direitos civis no mundo digital, se colocou contra o projeto. Para ela, o software viola a liberdade de expressão e a privacidade – não só porque as pessoas seriam classificadas automaticamente como criminosas apenas pelas suas tatuagens, mas também porque muitas das fotos tiradas de presidiários continham informações pessoais (como nomes, datas de aniversário e até retratos), e foram expostas sem permissão. Para piorar, a EFF acusa o FBI de ter entregue as imagens para 19 organizações privadas sem nenhuma restrição de uso, o que também fere a privacidade dos presos. O software, porém, ainda não tem previsão de lançamento. 

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