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Não parece, mas pesquisas de intenção de voto nunca acertaram tanto

Um estudo analisou 30 mil pesquisas eleitorais feitas em 45 países desde 1942. E concluiu que as taxas de acerto não só se mantém estáveis como, em alguns lugares, melhoraram

Trump foi mesmo uma exceção: dois cientistas políticos analisaram 30 mil pesquisas de intenção de voto feitas em 45 países democráticos entre 1942 e 2017. E descobriram que o número de acertos não só se mantém estável ao longo das últimas décadas como aumentou um pouquinho nos últimos anos.

Os dados foram separados entre países de sistema presidencialista, como o Brasil e os EUA, e de sistema parlamentarista, como Inglaterra e a Alemanha, em que há um primeiro ministro. Nos presidencialistas, a taxa de acerto aumenta quando a pesquisa é feita mais perto da data da eleição (menos de 50 dias). O motivo é óbvio: conforme o pleito se aproxima, a tendência é que uma parcela cada vez maior da população se informe e se decida por um candidato. Já nos parlamentaristas, a eleição é previsível desde o começo, pois a lealdade de longa data a um ou outro partido costuma ter mais peso do que a escolha de políticos específicos.

Nos gráficos mais abrangentes, que mostram o desempenho das pesquisas eleitorais de todos os países analisados ao longo de toda a janela de tempo, o número médio de erros se mantém estável em cerca de 2%, com picos de 6%. Quando a análise é limitada apenas aos 11 países nos quais pesquisas foram feitas de forma consistente em todas as eleições entre 1977 e 2017, fica claro que a porcentagem de erros de lá até aqui diminuiu cerca de 0,4 pontos percentuais – e os picos (eleições em que há mais erros que o normal) caíram de 6% para 3%. Nas palavras do artigo científico, “simplesmente não houve um declínio discernível na precisão das pesquisas ao longo do tempo.” Os autores admitem, é claro, que essas conclusões podem não valer em contextos políticos conturbados.

“Às vezes, as pesquisas dão errado e chamam muito a atenção, especialmente quando elas influenciam expectativas sobre quem será eleito (…) Mas não há evidências para afirmar que elas estão em crise”. Em entrevista ao The Guardian, Anthony Wells, diretor da empresa de pesquisa de mercado YouGov, concordou: “esse é o tipo de conclusão de que nós gostaríamos que mais pessoas tivessem consciência. Nós sabemos que as pesquisas não estão piorando, mas a percepção do público é de que elas estão. Eu acho que as pessoas se lembram dos erros recentes com mais proeminência que os do passado.”