🔥 Esquenta Black Friday com PREÇO BAIXO! Assine Revista Impressa + Digital Premium e aproveite! 🤑

Número de negros na universidade sobe, mas segue baixo

Só um em cada dez jovens negros estão na universidade, contra quase um em cada quatro brancos.

Por Bruno Vaiano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 jul 2017, 17h50 | Atualizado em 2 jul 2026, 17h33
Número de negros na universidade sobe, mas segue baixo Priorizar nos meus resultados Google

A USP aprovou na terça, dia 4, a implantação de um sistema de cotas sociais e raciais que passará a valer a partir do vestibular de 2018. 37% das 11.147 mil vagas disponíveis serão reservadas a estudantes que passaram todo o ensino médio em escolas públicas. Esse é só o primeiro passo: a parcela acima irá para 40% no processo seletivo de 2019, 45% no de 2020 e 50% no de 2021.

Dois quintos dessas vagas de escola pública serão dedicadas a negros, pardos e indígenas (PPI). Ou seja: 13,7% do total. Essa proporção reflete a composição demográfica do estado de São Paulo, em que dois quintos (37%) da população se declara preta, parda ou indígena, segundo o IBGE.

Isso significa que, até 2021, pelo menos um quinto (18,5%) dos calouros da maior e melhor universidade do Brasil serão minorias raciais e étnicas que estudaram o ensino médio todo em escolas públicas. A proporção tende a ser maior na prática por não levar em consideração a (pequena) parcela desses alunos que já passam pelo vestibular sem o auxílio de cotas. Em 2015, o total de negros ingressantes na USP foi de 391 alunos – 3,5% do total. Em 2016 o número caiu para 328, ou 3,2% dos bixos. 

A medida é mais um passo de uma série de iniciativas do tipo. Em 2006, por meio do programa de inclusão social Inclusp, a USP passou a dar 15% de bônus nas notas das provas de candidatos oriundos de escolas públicas – 20% se eles se declarassem negros, pardos ou indígenas. A parcela de calouros de menor renda também deveria ter aumentado quando parte das vagas da universidade foram oferecidas no Sistema de Seleção Unificado, o SISU, em 2016. Mas a nota de corte exigida era tão alta que, na primeira edição, 11 cursos não encontraram ninguém apto a preencher suas salas de aula – 10,4% das vagas oferecidas a candidatos do ENEM ficaram vazias.

Continua após a publicidade

A medida adotada ontem busca reparar uma série de distorções históricas no acesso ao ensino superior. Uma das mais notáveis é que estudantes de baixa renda que fizeram os ensinos fundamental e médio em colégios públicos em geral vão para universidades particulares, enquanto quem passou a adolescência em colégios particulares, em que a qualidade do ensino em geral é maior, consegue passar pelo vestibular e vai para universidades públicas reconhecidas.

De acordo com um cálculo da Folha de São Paulo, a proporção de jovens negros e pardos no ensino superior pulou de 21% para 35% entre 2001 e 2009, uma inclusão impulsionada principalmente pelo aumento no número de universidades particulares de baixo custo. Nesse período, nas universidades públicas, o aumento de matriculados não-brancos foi de 314 mil para 530 mil, uma variação de 69%. Já no setor privado, o mesmo número foi de 447 mil a 1,6 milhão – crescimento de 264%.

Continua após a publicidade

Em 2012, essa tendência foi notada pelos ingleses da The Economist. “Nenhuma das instituições com fins lucrativos no Brasil têm o prestígio ou os recursos das melhores públicas (…) Algumas são pouco mais que fábricas de diplomas de qualidade duvidosa. Mas uma qualificação de uma dessas líderes de mercado pode dobrar o salário de entrada de um jovem.”

Desde então, a situação melhorou. Em 2015, 49% dos alunos de universidades federais já vinham de escolas públicas – a USP, com a medida anunciada ontem, dá seu passo mais importante até agora para alcançar números parecidos. Segundo o IBGE, a proporção de alunos de faculdades públicas pertencentes ao extrato mais pobre da população (renda per capita de até R$ 192), era 1,2% em 2004, e chegou a 7,6%  em 2014. 

Continua após a publicidade

Mesmo assim, menos de 20% do total de jovens brasileiros que têm entre 18 e 24 anos estão na faculdade. Contando apenas os jovens negros, só 12,8% cursam ensino superior. Entre os jovens brancos a proporção é bem maior: 26,5%. 

Continua após a publicidade

 

 

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Capa da revista Veja, um celular e um notebook exibindo conteúdo digital, sobre fundo escuro com o texto BLACKFRIDAY repetidoBanner de Black Friday com fundo roxo e preto, exibindo a palavra BLACKFRIDAY repetida. À direita, um laptop prateado com uma imagem de carro na tela, um smartphone com um site de notícias e uma revista Veja aberta com uma foto de comida.
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ESQUENTA BLACK FRIDAY

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).