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Quanto mais os executivos ganham, mais incompetentes eles são, revela estudo

Pesquisa mostra que CEOs com salários maiores lideram as empresas menos lucrativas dos últimos dez anos

Imagine um executivo típico. Um bom exemplo é Leonardo Di Caprio, em O Lobo de Wall Street (no gif aí em cima): um cara bem vestido, cheio da grana, que não faz muita coisa senão mandar nos outros – e ganhar mais dinheiro que todo mundo. Se essa é a sua impressão dos CEOs, não se sinta mal: um estudo recente mostra que, nos EUA, os executivos mais bem pagos lideram as empresas menos lucrativas para os investidores – e vice-versa. Ou seja: quanto mais esses caras ganham, menos competentes eles são. 

Os dados são do MSCI, braço de pesquisas do banco americano Morgan Stanley (que, em uma coincidência irônica, ficou famoso por seus executivos incompetentes, cujas decisões ajudaram a deflagrar a crise econômica global de 2008). A pesquisa, feita entre 2005 e 2014, analisou 429 empresas: os salários de 800 executivos foram comparados com a grana que os investidores dessas empresas receberam de volta, dez anos depois. 

E é aí que a coisa fica feia: quem aplicou US$ 100 (cerca de 320 reais) nas companhias lideradas pelos 20% mais bem pagos ganhou, em média, US$ 265 (R$ 848). Mas quem investiu o mesmo valor nas empresas que pagavam menos aos CEOs foi melhor recompensado: recebeu US$ 367 (R$ 1.174).

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Desde o final dos anos 70, a média dos salários dos CEOs nos EUA subiu quase 1000%: em 1978, eles ganhavam US$ 1,5 milhão por ano; hoje, esse valor chega a US$ 16,3 milhões. Ao mesmo tempo, o salário dos trabalhadores que estão abaixo dos executivos aumentou, no mesmo período, apenas 10.9% – em 1978, eles ganhavam US$ 48 mil, um valor que, agora, é US$ 53.200.

Não admira, então, que muita gente fique irritada com essa situação: de acordo com um estudo da Universidade Stanford, 74% dos americanos acham que os CEOs ganham demais. Mesmo assim, isso continua acontecendo, segundo a pesquisa do MSCI, porque essa relação entre o salário dos executivos e o retorno aos investidores nunca havia sido estudada no longo prazo – no máximo, as análises chegavam a um ano. Agora, o próximo passo do MSCI é entender por que os CEOs estão sendo tão bem pagos, se isso não está refletindo em melhores resultados para as empresas.