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Quem foi Marielle Franco, a vereadora executada no Rio

A quinta vereadora mais votada da cidade era uma voz em ascensão na defesa dos direitos humanos. Morreu executada a tiros no centro do Rio

Vereadora eleita com 46 mil votos pelo PSOL, negra, mãe solteira, 38 anos, socióloga, lésbica, criada no Complexo da Maré. Marielle Francisco da Silva era uma líder política defensora dos direitos humanos. Ela se opunha à violência da Polícia Militar e à intervenção federal nas comunidades cariocas. Na noite de ontem, 14, ao deixar um evento sobre a atuação de mulheres negras na política, Marielle foi executada com quatro tiros, na rua Joaquim Palhares, no centro da capital fluminense. Os assassinos não levaram nenhum pertence dela, nem do motorista, Anderson Pedro Gomes, do carro em que estavam – ambos foram mortos no local.

Marielle era relatora da comissão da Câmara dos Vereadores que fiscaliza a atuação da intervenção federal nas favelas. Na última semana, ela denunciou casos de abuso de violência policial no bairro de Acari, no Rio.

Em 14 meses de mandato, Marielle apresentou 13 projetos de lei. Saúde da mulher foi uma das pautas mais defendidas por ela. “Se é Legal, tem que ser Real” era o nome de um projeto para informar mulheres sobre as situações em que fazer aborto é está dentro da lei, como anencefalia e estupro. Ela também pretendia criar o Dossiê da Mulher Carioca, que reuniria informações sobre violência de gênero na cidade. Outro projeto de destaque sugeria a criação do “Espaço Coruja”, um local onde mães e pais pudessem deixar seus filhos para estudar ou trabalhar à noite – ela mesma engravidou aos 18 anos e só conseguiu retomar os estudos dois anos depois.

Em setembro do ano passado, Marielle conseguiu aprovar um projeto de lei para a construção de novas casas de parto e centros de parto normal atrelados a hospitais para atender mulheres grávidas e no período pós-parto. Seu trabalho mais recente, que ainda não entrou em tramitação, pretende valorizar o funk carioca como movimento cultural.

Ontem, durante o evento com outras mulheres negras, Marielle mencionou que decidiu se dedicar à luta pelos direitos humanos após ingressar em um curso pré-vestibular comunitário. Ela se formou em Sociologia pela PUC-RIO com bolsa integral e fez mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Sua dissertação, “UPP: a redução da favela a três letras”, já discutia a complexa relação da polícia nas comunidades.

Marielle entrou para a política em 2006, e trabalhou em organizações como a Brasil Foundation e o Centro de Ações Solidárias da Maré (Ceasm). Em parceria com Marcelo Freixo (de quem foi assessora parlamentar), foi presidente da Comissão de Defesa da Mulher e coordenadora da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Marielle deixa uma filha e, como mostra o tweet a seguir, diversas perguntas em aberto:

Comentários

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  1. Meu dinheiro pagava o salário dessa ai ?
    É por isso que a democracia não dá certo no Brasil , um povo que elegeu essa senhora não sabe o que faz.
    Foi mais uma vítima de suas próprias ideologias Socialistas marxista comunista, essas ideologias são o câncer do Brasil, principalmente nas universidades.

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  2. Pare de passar vergonha na internet, seu idiota! Você é um lixo, com o Brasil todo

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  3. Maurizio Marcos Souza

    Leandro, seu dinheiro paga também os salários de bandidos travestidos de policiais, auxílio moradia para juízes que não o necessitam, e, felizmente, o salário de vereadores e vereadoras que tentam dar voz as reivindicações de moradores de comunidades carentes, aos jovens negros da periferia que são massacrados por policiais bandidos que se escondem atrás da farda para cometer barbáries como foi a morte dessa jovem mãe guerreira, que morreu por defender crápulas como você…

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  4. Hamilton Bezerra

    VEREADORA MARIELLE NÃO FOI ELEITA PELAS FAVELAS

    Há pouco estava lendo as notícias do Brasil através de diversas fontes como VEJA, EXAME, FOLHA, ESTADÃO, Blog BRASIL 247 etc… mas um desses veículos de comunicação, me chamou atenção por apresentar essa chamada:
    MARIELLE NÃO FOI ELEITA PELAS FAVELAS.
    Trata-se do respeitado Blog liderado pelo não menos respeitado jornalista Diogo Mainardi: O Antagonista.

    Um mapeamento de O Antagonista sobre os votos que Marielle Franco obteve em 2016, revela que a vereadora do PSOL, covardemente executada há dois dias, não foi eleita pelas favelas.
    Cerca de 20 mil votos, quase metade dos 46 mil votos que elegeram a socióloga, saíram dos bairros nobres da Zona Sul carioca e da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro… vejamos:

    Enquanto na Rocinha ela teve apenas 22 votos, no Leblon, um dos metros quadrados mais caros do mundo, ela obteve 1.027 votos. Em Laranjeiras foram 1.900 votos, e em Copacabana ela recebeu 2.742 votos.
    Na também famosa Cidade de Deus, foram apenas 89 votos.
    Já na Freguesia, área de classe média alta de Jacarepaguá, a vereadora recebeu votos de 707 eleitores.
    Na Grande Tijuca, bairro de classe média do Rio, Marielle teve um ótimo desempenho: 6.500 votos.
    No Complexo da Maré, suposta base eleitoral da vereadora, foram apenas 50 votos.
    Se Ramos e Bonsucesso forem incluídos, esse número sobe para 2.196 votos – resultado distante dos votos obtidos entre o eleitorado de melhor poder aquisitivo. O Blog não informa porém, de onde vieram os restantes dos 26 mil votos que completaram a totalidade de 46 mil votos que a elegeram. Há quem diga que os mesmos foram pulverizados por centenas e centenas de urnas espalhadas por toda a cidade.

    A meu ver, por ela ter sido eleita praticamente pela porção mais endinheirada e esclarecida, ou mais estudada da sociedade, denota que os candidatos chamados de direita não estão sendo muito bem aceitos.
    Há uma porção expressiva da população endinheirada do Brasil que não suporta mais viver com a descomunal desigualdade social do nosso país. Isso faz cair por terra as fake news que circulam por aí, as quais afirmam que a vereadora havia sido eleita por bandidos integrantes do Comando Vermelho, traficantes e usuários de drogas. Muito interessante e merece até um estudo mais aprofundado. Uma coisa é certa, historicamente, o conjunto da população do RJ, é simpático à esquerda, ao estatismo e populismo. Basta lembrar a retumbante vitória de Leonel Brizola, que lutou bravamente contra o Golias Rede Globo… assim como o Marcelo Freixo do PSOL, que quase se elege prefeito na eleição passada. Cito somente esses dois para ilustrar.

    Bom, em 2018 teremos eleições novamente, e estejamos atentos para analisar o resultado, através dos mapas eleitorais de diversos candidatos. Espero que o brasileiro em geral tenha aprendido o bastante, para republicanamente saber escolher seus candidatos… mas isso somente saberemos em outubro próximo.

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  5. André de Souza

    Bem, antes de qualquer comentário, recomendo não dar ouvidos ao tal de “leandro”: obviamente se trata de mais um fascistoide bolsonarista convicto e fã do Trump. Digam a ele que estas manifestações raivosas de “direitistas” que não sabem sequer o que “Direita” em política significa, estilo Pittbull babando na corrente, já viraram clichê! Agora, o que vale prestar atenção: como é triste e, ao mesmo tempo revoltante, perceber o quanto a mídia brasileira é realmente hipócrita e dada a um espetáculo, mesmo às custas da desgraça alheia! Alguém, não sendo carioca, já tinha ouvido falar da vereadora Marielle? Eu, que sou de Florianópolis, nunca! Nunca tinha ouvido falar da “guerreira, lutadora incansável pelos direitos humanos de minorias e desassistidos pelo poder público” etc. Estes são os predicativos atribuídos à vereadora repetidamente evocados pela grande mídia! A pergunta que faço é: por que pessoas como ela, verdadeiras jóias raras do cenário político nacional, carcomido pelo que há de pior na sociedade brasileira, não têm sua voz ouvida? Só aparecem na mídia na condição de heróis póstumos? Francamente, isto é típico de republiquetas de bananas que adoram criar heróis messiânicos populistas que devem ser reverenciados sim, mas somente “post mortem”! Não adianta exaltar a atuação política e os posicionamentos de Marielle agora que, infelizmente, ela está morta. É preciso dar espaço e voz a pessoas como ela em sua plena atividade, seja como parlamentar ou ativista social. Há muitos assim pelo Brasil! É, não esqueçam: as ideias e lutas de Marielle continuarão! Mesmo sem ela. Que a grande mídia ouça e reproduza o autêntico discurso de pessoas que, como Marielle, buscam representar as demandas daqueles que não gozam do “privilégio” da cidadania plena.

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