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A galinha dos 240 ovos de ouro

Repetindo esse processo, chegaram gradualmente a uma linhagem altamente produtiva.

Mariana Freire

Alta tecnologia é bom e todo mundo gosta. Mas nem sempre é preciso utilizar a última palavra em ciência para obter resultados excepcionais. Prova disso são as galinhas caipiras criadas na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a Esalq, em até 240 ovos por ano – três vezes mais do que as suas parentes que ciscam no quintal. E não é por que receberam algum gene maravilhoso da fecundidade, capaz de aumentar a taxa de produção de ovos. As novas linhagens foram desenvolvidas por meio de cruzamentos tradicionais, a partir das raças comumente encontradas nos sítios e fazendas. A cada nova ninhada, os cientistas selecionaram as galinhas mais eficientes e descartaram as mais ineptas. Repetindo esse processo, chegaram gradualmente a uma linhagem altamente produtiva. Na verdade, após dois anos de trabalho, os biólogos Antônio Augusto Coelho e Vicente Savino, da Esalq, criaram quatro novas variedades de galinhas caipiras nota 10. Elas não apenas põem mais ovos como geram frangos de carne mais saborosa e mais saudável, com menos colesterol, dizem os autores do feito. “Há 50 anos não se pesquisavam galinhas caipiras na Esalq”, afirma Antônio. Outra proeza expressiva realizada por métodos simples em Piracicaba foi o desenvolvimento de vacas que fornecem leite diet direto da teta. A equipe do agrônomo Dante Pazzanese deu a elas uma ração incrementada, contendo o ácido CLA, que existe naturalmente no estômago dos bovinos. “Alterando um pouco a fórmula do CLA adicionado à ração, conseguimos reduzir a gordura do leite a cerca de 2%”, diz Sérgio Medeiros, que participou da pesquisa. “O resultado é algo entre o leite integral e o semidesnatado.”