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A pirataria venceu. E a gente prova em 10 pontos

Cá entre nós: qual foi a última vez em que você comprou um CD? Pois é: os corsários vieram pra ficar

Texto Enrique Tordesilhas

1. Em março de 2001, o programa de troca de arquivos Napster fechou. Na época, pareceu uma vitória da indústria de entretenimento contra os piratas da internet – que, na época, trocavam principalmente músicas em mp3. Mas depois dele vieram outras formas de piratear. E outros conteúdos embarcaram no navio pirata.

2. Processar piora a situação para a indústria. Durante o julgamento do Pirate Bay, realizado este ano, a audiência do site cresceu 10%.

3. O processo ainda deu uma força e espaço de mídia ao Partido Pirata sueco, que conquistou uma cadeira no Parlamento Europeu e aumentou a repercussão dos similares pelo mundo afora.

4. No Brasil, 45% das pessoas que têm internet em casa declaram baixar conteúdo pirata. Isso dá quase 20 milhões de internautas só aqui. Não tem como controlar tanta gente. Até a Associação Brasileira de Direito Autoral já afirmou que não vai perseguir judicialmente os fãs de download.

5. Aliás, o Partido Pirata tem uma versão brasileira: http://www.partido-pirata.org.

6. A pirataria é útil. Eu mesmo estava sem acesso ao arquivo da SUPER. Mas queria consultar o texto que o Bruno Garattoni fez para a edição de maio. Busquei no Google. E agradeço ao site Ebooks Grátis pela graça alcançada.

7. A pirataria ajuda até a Apple, que as gravadoras consideram uma aliada na guerra. Isso porque, para tornar úteis os 32 gigabytes de um iPod Touch, um consumidor teria que gastar em torno de R$ 15 mil em mp3 na loja do iTunes. O jeito comum de ter um iPod lotado é baixar de graça.

8. Nos EUA, a Justiça reconheceu que um download ilegal não equivale a uma venda perdida (pois quem baixa não iria, necessariamente, pagar pelo produto).

9. Na cola, a multinacional Warner propôs um imposto de US$ 5 mensais que liberaria o download. O projeto não foi adiante.

10. O novo notebook da Nokia terá download grátis ilimitado de música, direto do site da empresa, que fez acordo com as gravadoras e vai pagar a conta . É quase pirataria ou não é?

Pelo menos no Reino Unido, os homens buscam mais músicas e vídeos piratas do que as mulheres. 50% deles admitem já ter feito download ilegal, versus 38% das inglesas. No fim, ninguém conhece as regras: 60% dos usuários acreditam que o que cai na rede é de todos. A pesquisa foi realizada pela empresa de TI Telindus.