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Abastecimento de avião no ar

É como encher o tanque do carro. Só que a 30 mil metros de altura. E qualquer falha pode criar uma bola de fogo. Por isso o abastecimento no ar é para casos extremos, como guerras - quando não há solo amigo por perto, por exemplo. Aqui mostramos o exemplo do C-5M Super Galaxy, usado pela Força Aérea americana.

Larissa Santana, Gabriel Gianordoli, Raphael Soeiro e Luciano Veronezi

1. Aproximação

Um avião carregado de combustível, o avião-tanque, fica na frente do que vai ser abastecido. A aeronave com tanque vazio reduz a velocidade de cerca de 820 km/h em cruzeiro para 500 km/h. Abaixo disso seria perigoso: em geral aviões só voam se estiverem a mais de 240 km/h.

2. Turbulência

O avião a ser abastecido recebe o ar que já passou pelas asas do avião-tanque. Isso gera turbulência. Hora de o piloto acionar um dispositivo chamado Pitch Trim, algo como uma asinha que ajusta o ângulo do avião suavemente e alivia a instabilidade.

3. Mangueira de combustível

Fica acoplada à fuselagem do avião-tanque. Para guiá-la até a válvula do avião a ser abastecido, um operador usa um manche (como os joysticks de simuladores de voo). Não há ajuda eletrônica, e o encaixe depende da atenção do operador. A mangueira tem 4,5 metros de comprimento e uma extensão de 2,5 metros.

4. Balanceamento

Enquanto é injetado, o combustível é distribuído por vários compartimentos – do contrário, um lado da aeronave pode ficar pesado demais. Cabe a um engenheiro de voo acompanhar o abastecimento e direcionar o combustível, usando botões em seu painel de controle.

5. Retirada da mangueira

Finalizado o abastecimento, fecha-se uma íris na ponta do injetor, (como o diafragma de uma câmera fotográfica), o que impede vazamentos na retirada da mangueira. Como as turbinas geram calor, qualquer gota vazada provocaria um incêndio.

São bombeadas por minuto até duas toneladas de combustível

Com tanque cheio e carga pela metade, um avião como o C-5M pode percorrer 10 mil km

É o suficiente para ir de São Paulo à Turquia sem escalas

A operação dura de 30 a 40 minutos

Fontes Lockheed Martin Aeronautics; Renato Souza Gengo, mecânico de avião.