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Após falha em pouso na Lua, agência espacial indiana localiza sonda

Centro de controle perdeu contato com módulo Vikram minutos antes do pouso — mas já encontrou o que sobrou dele.

É uma pena, mas não foi dessa vez que a Índia conseguiu realizar um pouso suave na Lua. Pelo menos, ela não está sozinha: Israel passou pelo mesmo este ano. Se tivesse obtido sucesso na arriscada empreitada, o país asiático teria se tornado o quarto a alcançar a conquista (atrás apenas de Estados Unidos, URSS e China), e o primeiro a pousar no polo sul lunar. Mas algo deu errado nas manobras finais antes do pouso, programado para o fim de tarde da última sexta-feira (6).

Tudo parecia correr bem para o módulo Vikram, batizado em homenagem ao pioneiro do programa espacial indiano, Vikram Sarabhai. Era 1h40 da manhã, hora local de Bangalore, Índia (17h10 em Brasília), quando a sonda começou o procedimento automático de descida, com duração prevista de 15 minutos. Na primeira fase, de “frenagem brusca”, a altitude foi reduzida de 30 quilômetros para 7,4 quilômetros da superfície.

E o mesmo ocorreu na etapa seguinte, que trouxe a espaçonave a meros cinco quilômetros do pouso e com saúde perfeita. Na fase três, porém, deu ruim: apenas 2,1 quilômetros separavam Vikram de seu destino glorioso, quando o centro de controle perdeu o contato com o pousador. A ISRO, agência espacial indiana, segue tentando reavivá-lo, mas sabe muito bem que as chances são praticamente nulas: tudo indica que alguma falha fez a sonda se espatifar em solo lunar.

Especialistas ainda estão analisando os dados para entender melhor o que exatamente se passou naqueles fatídicos três minutos finais. Dos últimos sinais de telemetria recebidos durante a descida, parece que a velocidade do módulo, que carregava em seu interior o falecido rover Pragyan, estava muito mais rápida do que deveria: 58 metros por segundo. É provável que o sistema autônomo de pouso tenha apresentado alguma falha.

Trata-se de uma tecnologia nova criada pela ISRO para dar mais autonomia durante a descida controlada. É promissora, mas ainda não havia sido testada. Certamente a agência vai aprender com essa falha e aprimorar seus processos para acertar nas próximas vezes — é assim que a exploração espacial evolui. A boa notícia é que a sonda orbital da missão Chandrayaan-2 segue firme e forte por um ano na órbita lunar. E ela fotografou o Vikram.

De acordo com a agência de notícias Press Trust of India, o diretor da ISRO, Kailasavadivoo Sivan, afirmou que o pouso deve ter sido muito duro e disse também que as câmeras a bordo da espaçonave identificaram o local do impacto, a 603 quilômetros do polo sul lunar. O principal objetivo, tanto do pousador quanto do rover, era investigar a presença de água na região durante um dia lunar (14 dias) — a Chandrayaan-1, de 2008, sugeriu haver fartura do recurso por ali.

Quantificar quanto exatamente existe de água na Lua é essencial para o futuro da exploração lunar, principalmente quando se fala de missões tripuladas ou mesmo de bases e colônias permanentes na superfície. Essa reserva pode ser estratégica para suprir astronautas e também para abastecer cápsulas e foguetes. A missão segue com esses estudos a partir da órbita. Mas o desejo de tocar a superfície da Lua pela primeira vez certamente motivará novas missões no futuro.

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