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Audiência cósmica

As ondas de rádio e de televisão vão muito além dos aparelhos domésticos. Viajam pelo espaço à velocidade da luz. Veja até que estrelas elas já chegaram.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h32 - Publicado em 31 out 1999, 22h00

Thereza Venturoli

Uma bolha de imagens e sons terráqueos está se espalhando ao redor do planeta. São mensagens levadas pelas ondas eletromagnéticas de telégrafos e emissoras de rádio e de televisão. Transmitidos por antenas, os sinais se propagam pelo ar, são captados por aparelhos de TV ou rádio e continuam a viajar além da atmosfera. Apelos de socorro de navios, comunicação entre tropas, telenovelas e toda a programação que você ouve e vê em casa seguem Cosmo afora à velocidade da luz. E nunca param.

A cada ano, essas ondas percorrem 1 ano-luz (9,5 trilhões de quilômetros). Assim, os primeiros bips emitidos no final do século XIX atingem hoje estrelas a cerca de 100 anos-luz da Terra. As transmissões de rádio e TV de quatro anos atrás estão numa estrela a 4 anos-luz. Confira a que regiões distantes algumas mensagens transmitidas no século XX estão chegando agora.

Algo mais

O Titanic foi um marco na história do rádio. Depois do S.O.S. dramático, atendido pelo navio Carpathia, que resgatou 703 náufragos, a instalação de rádio se tornou obrigatória nas embarcações.

A bolha da Terra

As imagens e os sons já estão no espaço há mais de um século.

1. 50 trilhões de quilômetros

Alfa Centauro, a estrela mais próxima da Terra, está recebendo agora as ondas da última grande alegria do futebol brasileiro: o tetracampeonato conquistado na Copa do Mundo de 1994. Só daqui a quatro anos imaginários seres dessa região vão ficar sabendo que nós perdemos o penta em 1998.

2. 150 trilhões de quilômetros

As ondas de televisão levam, em cores, até Altair, na Constelação de Áquila, as imagens da campanha pelas Diretas Já, de 1984. Na época, os brasileiros encheram as ruas pedindo eleições diretas para presidente da República.

3. 350 trilhões de quilômetros

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Em 1964, os Beatles fazem sua primeira aparição na TV americana, no Ed Sullivan Show. Possíveis habitantes da região de Gama Virginis, na Constelação de Virgem, estão engrossando a audiência do programa – o mais assistido em toda a história da televisão.

4. 450 trilhões de quilômetros

O primeiro seriado brasileiro de televisão, Capitão Sete, entrou no ar em 1954, na TV Record. Se houver algum alienígena criança na região de Castor, na Constelação de Gêmeos, ele pode estar se divertindo com as aventuras.

5. 580 trilhões de quilômetros

Em junho de 1944, os aliados desembarcam 155 000 homens na costa da França. É o chamado “Dia D”, que desfere o golpe de morte nas forças alemãs. Só agora as ondas de rádio com essa notícia chegam a supostos habitantes das redondezas da estrela Subra, na Constelação de Leão.

6. 870 trilhões de quilômetros

Horas antes de ir a pique, em 1912, o transatlântico Titanic enviou um S.O.S. radiotelegrafado. A estrela Gacrux, do Cruzeiro do Sul, acaba de ouvir o pedido de socorro.

7. 1 040 trilhões de quilômetros

Os primeiros sinais do telégrafo sem fio foram transmitidos pelo seu inventor, o italiano Guglielmo Marconi (1874-1937), em 1896. Eventuais ETs que habitem um planeta em órbita da estrela Dabih, na Constelação de Capricórnio, estão recebendo os bips pioneiros hoje.

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