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Barata serve de inspiração para robô quase indestrutível

Os pesquisadores desvendaram os truques que permitem aos insetos entrar num buraco menor que eles e aguentar impactos imensos. Agora querem fazer um robô para salvar vítimas de desmoronamentos.

Quando a ficção científica pensa em superrobôs, costuma imaginá-los com formas e trejeitos humanos. Mas, no mundo real, não faz muito sentido investir tecnologia em criar seres que se movem como nós – para que gastar milhões e criar alguém com nossas mesmas limitações mecânicas, aerodinâmicas, espaciais? Queremos robôs que cheguem aonde não podemos chegar, que façam o que não podemos fazer.

Nesse aspecto, difícil imaginar uma inspiração melhor do que a barata – um ser que se especializou em se imiscuir nos cantinhos inalcançáveis da civilização industrial para se alimentar de nossos resíduos. Foi com a intenção de criar robôs capazes de fazer o que não fazemos que dois corajosos cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley, Kaushik Jayaram e Robert Full, resolveram estudar em laboratório os truques mecânicos da barata.

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Jayaram e Full submeteram as bichinhas a testes que, se fossem aplicados a qualquer outro ser, configurariam tortura. Eles espremeram as bichinhas em túneis mais apertados do que o tamanho do corpo delas, e aplicaram pressão equivalente ao peso de 900 baratas no meio das costas de uma delas.

Mas os cientistas garantem que nenhuma barata foi maltratada ao longo dos testes. Todas continuaram voando normalmente, para deleite dos apreciadores do simpático animalzinho. Na verdade, os especialistas em baratas garantem que elas gostam de ser espremidas: elas possuem pelinhos no corpo que são sensores de pressão, e buscam mantê-los sempre ativados. Em outras palavras: os testes em laboratório em Berkeley possivelmente foram uma grande satisfação para a baratada.

Jayaram e Full editaram um pequeno vídeo sintetizando o que eles observaram. Assista, se você gosta de ver baratas sendo espremidas:

 

 

O que eles observaram é impressionante. Baratas conseguem se espremer por buracos do tamanho da espessura de uma moeda de 25 centavos. Elas se movem com rapidez mesmo que estejam sob uma pressão equivalente a 300 vezes seu próprio peso. Paradas, aguentam alegremente o peso de 800 vezes seu próprio corpo. O peso deixa seu corpo mais achatado que um pão sírio, mas em seguida elas se ajeitam e… opa. Lá está a barata voando de novo, que maravilha.

O grande segredo da barata, segundo a pesquisa dos cientistas, é que o exoesqueleto é dividido em grandes placas duras conectadas umas com as outras por tecidos moles. Quando a chinelada bate, as placas se abrem junto ao chão, mas não se quebram. As patinhas continuam a andar, lindamente, e o bicho escapa dali correndo.

Jayaram e Full já mostraram que o suplício de fazer a pesquisa compensou. Eles construíram um protótipo mais ou menos do tamanho de um chinelo usando os princípios que aprenderam com as baratas. O robozinho é claramente promissor: pode ser usado para entrar em frestas no chão após terremotos, desmoronamentos ou atentados a bomba para encontrar sobreviventes.

E se ele encontrar alguém?

Robert Full tem pensado em caranguejos.

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