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Cientista cria robôs “fantoches” para estudar a interação criança-máquina

Além de serem adoráveis, eles dançam, reagem a vídeos do YouTube e podem ajudar a ensinar robótica e matemática.

Foi-se a época dos robôs frios feitos com uma carapaça metálica e uma voz indiferente. Máquinas, agora, também podem ser fofinhas. Foi essa a ideia que inspirou o pesquisador Guy Hoffman, da Universidade Cornell nos Estados Unidos. Ele criou fantoches robóticos que podem ser personalizados pelas pessoas. 

Para isso, ele usou materiais nada tecnológicos para a customização: madeira e lã, por exemplo. Dá para fazer até uma “fantasia” de crochê para os bichinhos de metal. A proposta, é claro, era trazer os robôs domésticos para um ambiente mais caseiro, e menos associado a contextos futuristas, industriais e frios.

O líder da pesquisa estuda a interação entre humanos e máquinas. O intuito do desse novo robô é entender como essa relação muda quando os robôs possuem uma aparência mais amigável – e principalmente para crianças. Os robôs Blossom são compostos basicamente de uma cabeça e membros bem flexíveis – menos C3PO, e mais amigurumi

O Blossom é controlado por um aplicativo de smartphone. Seus movimentos são bem simples, mas lembram bastante os comportamentos humanos. Ele balança, se espreguiça e dança. A ideia é que eles possam ser usados para ensinar robótica para crianças.

“Nós queríamos incentivar as pessoas a criar o próprio robô, mas sem sacrificar sua expressividade”, disse o líder do estudo. “É legal que cada robô seja diferente. Se você tricotar a própria roupa, cada membro da família pode ter o seu próprio robô único”.

O robozinho já marcou presença em uma feira de ciência de crianças de quatro a oito anos. Elas tiveram a oportunidade de controlar e fazer acessórios para o Blossom. A experiência foi usada para estudar as possibilidades de aplicação prática do robô, como promover a colaboração e a criatividade.

Os pesquisadores estão trabalhando em um algoritmo para fazer o Blossom reagir a vídeos do YouTube do jeito mais fofo possível: com uma dancinha. A empreitada se baseia em pesquisas anteriores que mostram como a reação dos robôs à música pode influenciar a resposta humana. Isso pode colaborar para auxiliar o desenvolvimento comportamental de crianças com autismo.

A próxima experiência do fantoche será em uma escola do Canadá. Ele vai ajudar a ensinar matemática para alunos da quarta série durante os próximos meses. Quem diria que a revolução das máquinas seria tão fofa?