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Cigarro high tech promete ser menos nocivo

O novo dispositivo aquece o tabaco em vez de queimá-lo e sua recarga custa o mesmo que um maço de cigarros comuns

Por Helô D'Angelo 29 mar 2016, 19h00

Para manter a clientela, a indústria de cigarros já criou várias novas “versões” que, teoricamente são mais saudáveis do que os cigarros comuns, como os e-cigarettes e os “naturais”. Agora, mais uma novidade que promete fazer menos mal à saúde acaba de ser lançada: o Marlboro HeatSticks, ou iQOS – um dispositivo que aquece, e não queima, o tabaco. 

O iQOS é um cilindro que parece uma caneta esferográfica. Dentro dele, a pessoa insere um tubinho de tabaco do tamanho de meio cigarro. O cilindro, então, é aquecido a 260 ºC – um terço da temperatura de um cigarro queimando -, o que permite cerca de 12 tragos a cada recarga.

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Teoricamente, como o tabaco não é queimado no processo, a emissão de substâncias nocivas seria menor nos HeatSticks do que nos cigarros. Mas não se sabe até que ponto isso é verdade: a Marlboro afirma que o iQOS não faz tão mal assim, mas o dispositivo é vendido com um aviso do tipo “fumar é prejudicial à saúde”, como qualquer maço comum. 

A companhia diz ter contratado 300 cientistas para provar que o dispositivo emite menos substâncias prejudiciais à saúde do que os cigarros, mas, até agora, nada foi comprovado. A empresa também está tentando convencer a US Food and Drug Administration (FDA), órgão que regulamenta a indústria alimentícia e de drogas nos Estados Unidos, a identificar o dispositivo como um “produto de tabaco modificado”, com menores riscos para a saúde. Até agora, a FDA não respondeu ao apelo da empresa – e, em produtos similares, como os cigarros eletrônicos, também não houve concessões desse tipo.

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Mesmo assim, o iQOS parece agradar mais aos adeptos dos cigarros tecnológicos. Ele libera mais nicotina do que os e-cigarettes e similares, simulando melhor o ato de fumar. O gosto, segundo a Malrboro, é parecido com o do cigarro comum, mas menos cheiro permanece após o consumo. 

Atualmente, as vendas de e-cigarettes representam apenas 1% dos lucros da indústria de tabaco mundial, que movimenta cerca de US$ 863 bilhões por ano – a própria Malrboro já gastou US$ 2 bilhões em desenvolvimento de alternativas para o cigarro, sem sucesso. Mas as projeções da empresa são de que os HeatSticks alcancem até 30% das vendas até 2025.

O otimismo vem das primeiras vendas: de acordo com a empresa, só no Japão, cerca de 100 mil pessoas trocaram os cigarros comuns por HeatSticks. As projeções gordas também derivam dos preços do dispositivo, já que o iQOS em si custa cerca de R$ 280, e cada pacote de recarga, que vem com 20 tubinhos de tabaco, vai custar o mesmo preço de um maço normal, que também tem 20 cigarros. A bateria do dispositivo também precisa ser recarregada a cada 20 tubos. 

Por enquanto, o HeatSticks ainda está em fase de experimentação, e só é vendido em 10 lojas, na Itália e no Japão. Mas a ideia é que o dispositivo seja disponibilizado em 20 países ainda esse ano, inclusive no Brasil. Se faz mal ou menos mal, ainda não se sabe. Mas os HeatSticks vêm aí prometendo desbancar o cigarro eletrônico.

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