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Embarque nesta viagem

O automóvel do futuro sabe o caminho de casa, evita acidentes, exibe Desejo de Matar 39. E não é você quem vai guiá-lo. É ele que vai guiar você

Amauri Barnabé Segalla

Perdido no trânsito caótico da grande cidade? Não se preocupe. O carro sabe o caminho de casa. Cansou daquela chateação de primeira-segunda-primeira-segunda nos engarrafamentos? Tudo bem. Pegue um exemplar da Super, ajeite-se na poltrona e relaxe. Precisa fechar um negócio agora agorinha? Entre na Internet em busca das últimas cotações da Bolsa e faça suas ligações tranqüilamente, sem medo de ser multado. Não está a fim de dirigir? Então, não dirija. A ordem é desencanar, a máquina faz tudo por você.

“O carro do futuro não irá voar, como se imaginava há alguns anos, mas será o brinquedinho de toda a família”, afirma Volker Barth, presidente para a América Latina da Delphi Automotive Systems, a maior fabricante mundial de peças automotivas. Mais seguros e bem mais fáceis de dirigir (isso se o motorista quiser), os carros da próxima geração serão quase tão inteligentes quanto você.

Passar horas a fio no trânsito não será mais um aborrecimento. Que tal ir à praia no feriado ao mesmo tempo que joga videogame com os filhos ou assiste a Desejo de Matar 39? Tu-do isso em plena rodovia, num veículo tão confortável quanto a sua casa. Veja nas próximas páginas o que deve acon-tecer logo ali, na esquina do tempo, daqui a 25 ou 30 anos, para que você possa dirigir esse supercarro.

 

Airbags inteligentes

Os airbags atuais só têm um tamanho padrão e, por isso, podem machucar os passageiros por causa da violência da explosão. Os colchões de ar do futuro serão feitos sob medida para cada pessoa. A General Motors já tem em estudo um airbag inteligente. Por meio de um sistema eletrônico, o acessório lê o peso e a altura dos ocupantes do carro. Se a vítima for um adulto, o airbag gigante é detonado. Se for criança, o airbag menor garante a proteção. Assim, toda a família fica protegida, sem riscos.

 

Estradas que pensam

No ano passado, a Auto-Estrada 15 Norte, na Califórnia, Estados unidos, tornou-se a primeira rodovia inteligente do planeta. Num trecho de 10 quilômetros, foram instalados 10 000 sensores que guiaram um Buick LeSabre, sem motorista.

Em 25 anos, estima-se que 20% das estradas americanas terão sensores do gênero. Você entra no carro e não precisa fazer nada. Sempre que o carro da frente frear, o que vem atrás automaticamente breca. Enquanto viaja, o motorista pode até dormir.

 

O fim das chaves

Um cartão magnético pessoal e intransferível substitui as chaves atuais. Para abrir a porta, você passa o cartão, como nos caixas eletrônicos, e o carro lê sua senha. O cartão tem um microchip que armazena informações do motorista (endereço, carteira de habilitação, conta corrente) e do veículo (placa, chassi, procedência). Ele emite ondas magnéticas que são captadas por pedágios e postos policiais. E, por falar nisso, foi multado? As multas serão cobradas automaticamente em sua conta.

 

Volantes de Fórmula 1

Volantes grandes estão com os dias contados. No futuro, eles serão parecidos com os de Fórmula 1, mais compactos e com mais funções. Os pedais deixam de existir – todos os comandos do carro ficam no volante. Você acelera e freia com o toque do dedo. Embreagem definitivamente será coisa do passado. Para os saudosistas, ainda serão produzidos carros com câmbio mecânico, só pelo prazer de dirigir, mas as trocas de marcha também serão feitas no próprio volante.

 

Câmeras na carroceria

Acabou o sufoco para estacionar. Câmeras de vídeo pouco maiores que uma caixa de fósforos serão instaladas na dianteira, na traseira e nas laterais do veículo. As imagens serão reproduzidas no monitor do painel. Para fazer a baliza, basta olhar na tela e calcular a distância da calçada. O sistema de vídeo irá enterrar os espelhos retrovisores – para mudar de faixa ou fazer uma ultrapassagem você também consulta a telinha. Lentes com zoom permitirão visualizar obstáculos, como lombadas, a longa distância.

 

Motoristas teleguiados

Esqueça aquele emaranhado de botões e os marcadores digitais de hoje em dia, bonitinhos, mas pouco funcionais. Em seu lugar, telas de cristal líquido, de alta definição, reproduzem tudo o que acontece dentro e fora do carro. Quer saber o caminho para o cinema? Você diz (isso mesmo, fala e a máquina ouve) o endereço e um mapa na tela indica a rota a seguir – tudo chega via satélite. A telinha também registra obstáculos na pista, como buracos e depressões, ou a distância para outros veículos.

 

Faróis a laser

Em 25 anos, ninguém mais lembrará que os carros um dia tiveram lâmpadas que funcionavam como faróis. As fábricas Bosch e a Cibié estão desenvolvento modelos a laser. Descobriu-se que os faróis a laser consomem sete vezes menos energia que os convencionais e são mais eficientes. Captam as variações do asfalto e regulam a intensidade de acordo com a luz ambiente. Na cidade, o farol a laser será menos intenso. Na estrada, que requer mais iluminação, ele terá um alcance maior.

 

Reuniões virtuais

Motoristas e passageiros poderão trocar e-mails, consultar a Internet e fazer reuniões virtuais. “Com a rede de satélites, isso já é possível”, afirma Volker Barth, da Delphi. “Só falta adaptar os carros.” A americana Chrysler tem um protótipo em desenvolvimento, com monitores instalados no painel e nos bancos, para os passageiros sentados atrás. Assim, é possível jogar videogame com a família inteira – mesmo que você esteja indo para o sítio e seu irmão, para Visconde de Mauá. No monitor você também pode conferir as atividades do filho na escola ou participar de uma teleconferência.

 

Painéis solares

Com toda a parafernália eletrônica instalada, haja energia para alimentar a rede de computadores. O problema será resolvido com baterias solares. Os painéis ficarão no teto do veículo, captando a energia para alimentar todos os sistemas em operação – rádio, TV, Internet, games, mapas de navegação. Até 2025, as baterias solares devem funcionar associadas a baterias convencionais. Num futuro mais distante, elas podem servir como fonte de combustível. Por enquanto, essa hipótese é ficção científica.

 

O cérebro do carro

Uma central de computação será o cérebro do carro, tão ou até mais importante que o motor. Além de comandar todos os sistemas eletrônicos do veículo, a central armazena as informações do motorista (peso, altura, tamanho de braços e pernas e até o modo de dirigir). Quando você assumir o volante, é só dar um comando de voz e o computador sabe que se trata do dono do carro. O cérebro eletrônico dá a partida, coloca o banco na posição ideal e programa o desempenho do carro de acordo com o perfil do motorista. É o fim daquele ajusta-ajusta irritante quando marido e mulher compartilham um mesmo carro.

 

Reflexo digital

Sensores instalados nos pára-choques e na carroceria avisam quando uma batida pode ocorrer, emitindo sinais ao sistema de segurança do veículo. Mesmo se o motorista não tiver tempo para reagir, o carro tenta evitar o acidente por conta própria. Ele breca, reduz marchas e vira a direção para escapar de uma batida ou de uma derrapagem. Os sensores também lêem ruas e rodovias, detectando buracos, lombadas, depressões na pista ou um caminhão quebrado no acostamento.

 

*Amauri Barnabé Segalla é editor especial da revista Quatro Rodas