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Espetáculo tecnológico: os bastidores do Coral do Palácio Avenida

Como um tradicional show de fim de ano se transformou em um espetáculo digno de comparações a musicais da Broadway

Por Abril Branded Content Atualizado em 16 dez 2017, 09h33 - Publicado em 13 dez 2017, 19h51
Mais de 500 itens de iluminação são sincronizados para dar vida ao espetáculo de Natal em Curitiba Simone Bertuzzi/Simone Bertuzzi

No centro de Curitiba (PR), exatamente na confluência da Avenida Luiz Xavier com a Travessa Oliveira Bello, no Calçadão da XV, o espírito natalino parece mais forte desde o início do mês de dezembro.

É que o Natal do Bradesco toma conta do Palácio Avenida, prédio construído em 1929 por um imigrante sírio-libanês, servindo de aviso aos paranaenses de que o Natal está chegando. E que Natal!

O Coral Infantil que se apresenta nas janelas do Palácio há quase três décadas já se tornou um verdadeiro cartão-postal da cidade e o principal trunfo para o fluxo do turismo na Região Sul nesta época do ano. Criado pelo extinto Banco Bamerindus para comemorar a reforma do edifício histórico, com 18 000 metros quadrados, em 1991, o Coral é formado por 111 crianças com idade entre 7 e 12 anos.

Tecnologia a favor do show

Muito já mudou ao longo das 27 edições do evento. Para surpreender ao longo de 45 minutos as cerca de 30 000 pessoas que compõem em média o público de cada noite, inovar se tornou fundamental. Este ano, que marca a segunda edição sob tutela do Bradesco, o espetáculo de música, dança e artes cênicas se integra totalmente com a tecnologia graças aos efeitos do video mapping. Além de iluminar de forma interativa a fachada do prédio, a técnica de projeção mapeada dá vida ao Palácio Avenida, que se torna um personagem ativo na história do musical, e cria uma integração narrativa nunca antes vista no show.

O Palácio Avenida ganhou olhos graças à projeção mapeada Simone Bertuzzi/Simone Bertuzzi

Para Wado Gonçalves, que retorna pelo sétimo ano seguido como diretor-geral do Natal ao lado da produtora BFerraz, a tecnologia se tornou fundamental. “Quando comecei, o espetáculo já era um marco na cidade, mas não entregava tecnologia nem recursos cênicos impactantes”, comenta, complementando que o grande segredo é a dosagem da tecnologia com o lado humano. Afinal, as crianças são as grandes protagonistas do evento. “A tecnologia não pode se sobrepor a isso, e esse é um dos nossos maiores desafios”, conta.

O uso do video mapping no Coral do Palácio Avenida por si só não é novidade. Foi empregado pela primeira vez em 2011, mas nunca teve tanto destaque. “Nós estamos falando de um palco que é um edifício, tombado pelo patrimônio histórico, no meio da rua. Então, a tecnologia entra como ferramenta importantíssima para descortinarmos uma parede de tijolos e cimento e imergir nossos espectadores em uma experiência sensorial”, explica Wado. “As projeções criam novas dimensões, a luz cria novos ambientes, os efeitos especiais simulam fogo, vento e chuva.”

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“O que conseguimos este ano foi criar um espetáculo mais completo para competir com os da Broadway”, comenta Olavo Ekman, diretor criativo do coletivo multimídia Bijari, responsável por desenvolver o projeto de video mapping. Os números comprovam: são mais de 400 pessoas envolvidas diretamente em todo o projeto do Natal, entre gestão, equipe técnica e coralistas, incluindo aí os 150 funcionários e estagiários do Bradesco que atuam como voluntários, os Anjos de Natal. Ao todo, são usados 427 figurinos diferentes, números maiores do que no célebre espetáculo Os Miseráveis, da Broadway.

Mas, antes de chegar aos palcos, há meses de trabalho. A organização do evento começou em março. Cerca de um mês antes do início das apresentações, a equipe no coletivo Bijari utilizou uma maquete do Palácio Avenida impressa em 3D para ser a primeira superfície a receber as projeções, idealizadas por meio da computação gráfica.

Para Olavo, a peça central nesse tabuleiro é o próprio Palácio Avenida. “É um edifício icônico. O mapeamento permite uma versatilidade de criar narrativas, de brincar com arquitetura do prédio e com os elementos do show.”

Ao todo são seis projetores espalhados em pontos estratégicos do perímetro, seja na calçada da frente, na estrutura técnica ou no topo do edifício ao lado, dispostos de forma calculada para que preencham a área total da fachada. Beto Gandra, diretor técnico do espetáculo, explica que o processamento usado para as projeções é “o mesmo servidor que é usado nos castelos da Disney, onde o conteúdo segue a arquitetura desenhada através de uma malha em 3D.”

Luzes, fogos de artifício, plataformas móveis e chuva de papel picado: tudo milimetricamente programado Simone Bertuzzi/Simone Bertuzzi

Para que tudo saia conforme o planejado, utiliza-se o timecode, uma espécie de sistema de sincronização usado para a gestão temporal. Tudo – luzes, som, projeção, queima de fogos de artifício – é sincronizado com precisão de milésimos de segundo.

Natal em números

Ao todo, são 520 itens de iluminação, sendo 300 refletores de LED, consumindo um total de 200 000 watts. Já a luz do palco é gerenciada pelo sistema alemão MA, que é o mesmo usado na abertura dos Jogos Olímpicos e em shows internacionais. O show pirotécnico conta com 240 disparos individuais sincronizados, com duração de aproximadamente três minutos e meio por noite, com intervalos de meio a um segundo entre os disparos, além de nove cakes contendo 252 disparos interligados de forma mecânica. “Por todo o espetáculo ser gravado em timecode, isso evita erros de execução manual, garantindo sincronismo e interação até entre elementos como disparos de CO2, serpentina e papel picado”, completa Beto.

Este ano, até a inclusão social está baseada na tecnologia: as apresentações contam com fones de ouvidos especiais que, por meio da audiodescrição, permitem que deficientes visuais curtam o espetáculo não só por meio das músicas, mas sabendo o que está acontecendo no palco. As vozes vêm de uma central instalada bem em frente ao Palácio Avenida. Com a ajuda da tecnologia, o Natal fica ainda mais bonito.

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