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Estrada de luz

Até há pouco, o meio mais moderno para transmitir dados era a fibra óptica. Agora, a luz sai dos cabos e manda informações pelo ar.

Gabriela Aguerre

Quando a primeira rede de fibras ópticas foi instalada no Brasil, há três anos, tínhamos muitos motivos para comemorar. Esses fios montados com tubos finíssimos de vidro eram o passaporte para a nossa entrada na infovia mundial – a rede óptica que transmite dados entre continentes. As fibras carregam informações à velocidade da luz, ou seja, 300 000 quilômetros por segundo. Operadoras de telefonia, empresas de comunicação, fábricas e suas filiais – essa tecnologia interessava a muita gente. Mas ela tem limites: para instalar e estender imensas redes de fios entre países é preciso muito cabo, enormes obras de engenharia e investimentos pesados.

O WaveStar OpticAir – que a multinacional Lucent Technologies acaba de desenvolver – resolve o problema, para pequenas distâncias (veja o infográfico). Formado por um telescópio e um aparelho que transforma informação em luz, desfruta da mesma rapidez das fibras ópticas, mas demora apenas 4 horas para ser montado, pois dispensa a custosa instalação de cabos. O alcance é pequeno, apenas 5 quilômetros. Mas, sem nenhum tipo de interferência, a luz transporta 65 vezes mais informações do que as ondas de rádio. E o melhor: é invisível, pois o facho que carrega os dados é formado por raios infravermelhos. “Além disso, o sistema não precisa de autorização do governo para funcionar”, comenta o engenheiro eletrônico Renato Abreu, da Lucent. É só comprar aparelhos e instalar. Feito isso, dá para transmitir todo tipo de dados, como voz, texto, imagens e vídeo.

A idéia de usar luz como transmissor de dados surgiu nos Laboratórios Bell, que pertencem à Lucent desde 1996. Antes fazian parte da AT&T, uma das principais empresas de telefonia americanas, comprada por Alexander Graham Bell (1847-1922) em 1899. Aliás, é graças ao inventor do telefone que o Bell Labs se chama assim. A gerente Kristin Dykema, da Lucent, responsável pela apresentação do OpticAir no Brasil, até arrisca: “Graham iria gostar muito dessa invenção”.

Algo mais

O OpticAir usa raios infravermelhos para transportar informações. Esse tipo de luz já está presente no seu cotidiano – é a mesma usada pelos controles remotos dos aparelhos de televisão ou dos alarmes de automóveis.

Passeio instantâneo

Um feixe de luz carrega 10 gigabits por segundo – velocidade capaz de enviar o texto integral da coleção inteira da SUPER em um quinto de segundo.

1. Este é o multiplexador óptico, um aparelho que transforma bits de informações de qualquer tipo – telefone, video, internet, áudio – em pulsos de luz. O aparelho pode ser colocado em qualquer lugar de um edifício, a no máximo 300 metros de distância do telescópio.

2. Por meio de uma rede interna de fibras ópticas, os sinais de luz sobem até o topo do edifício.

3. No teto, os raios de luz saem das fibras e entram em um telescópio, que os reflete. A luz viaja como um facho até o outro telescópio, a até 5 quilômetros de distância.

4. O facho, entretanto, não é visível. Ele é feito de raios infravermelhos, que o olho humano não pode captar.

5. Repare que a estrada de luz começa estreita e depois se alarga, como um holofote iluminando um palco. Sai com 20 centímetros de diâmetro e chega com 2 metros de diâmetro. O alargamento é uma salvaguarda da transmissão contra interferências. Um passarinho pode cruzar o feixe sem fazer o sinal trepidar.

6. Pelo feixe de luz trafegam até 10 gigabits de informações por segundo. Cerca de 65 vezes mais do que as ondas de rádio.

7. Na outra ponta, o telescópio capta o facho e o remete para um aparelho receptor, que reconverte a luz para os bits iniciais.