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EUA usam videogame na guerra

Governo americano passa a usar videogames para atrair jovens para a carreira militar.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h35 - Publicado em 31 jul 2002, 22h00

Darius Roos

Conspiração? Mensagem subliminar? Nada disso, o governo americano confessa abertamente que está usando videogames para atrair seus jovens para a carreira militar. A idéia nasceu há quatro anos, quando o tenente-coronel Casey Wardynski, líder do departamento que controla a força de trabalho militar, percebeu que os games são uma ótima maneira de se comunicar com os jovens. “O governo precisa muito de pessoas acostumadas aos meios tecnológicos e acredita que esse público, que gosta de games e de internet, é o ideal para fazer parte das Forças Armadas”, afirma. Depois dessa constatação, o governo passou a veicular anúncios em revistas especializadas em videogames. Agora, numa atitude mais agressiva de marketing, estão sendo lançados dois games desenvolvidos pelas próprias Forças Armadas.

O primeiro game da série ”America’s Army” chegou ao mercado na patriótica data de 4 de julho e é sensacional. Sabe quanto custa para tê-lo em casa? Nada. Uma versão trial do título está disponível no site http://www.americasarmy.com. É só baixar e jogar de graça. Só no primeiro dia, mais de 400 000 pessoas pegaram o arquivo. Para aumentar ainda mais a divulgação, o governo também está distribuindo algo como três milhões de CDs com o jogo. Outros games da série serão lançados ainda este ano, provavelmente num dia sugestivo: 11 de setembro.

O simulador de guerra lembra o clássico de computadores Counter-Strike: um tiroteio virtual em primeira pessoa, no qual a tela simula o campo de visão do soldado. Acontece que o nível de realismo é o maior já visto num jogo de guerra. Do visual aos sons, tudo foi baseado em combates reais. O timbre de voz dos soldados é bem variado e há militares com diversos sotaques. Já os sons das armas foram gravados de equipamentos reais. Quando explode uma granada nas proximidades, rola um zunido como se você tivesse escutado uma detonação real. Para programar a inteligência artificial dos personagens, foram estudados e entrevistados mais de 700 militares. O jogo demorou três anos para ser desenvolvido e consumiu cerca de US$ 6,3 milhões do orçamento do governo.

Há até mesmo hierarquia militar, com patentes e ordens a serem respeitadas. A não-adaptação ao sistema pode significar o banimento do jogador do game. “Não toleramos Rambos. Os usuários precisam cumprir ordens e respeitar os superiores, afinal, é uma simulação das Forças Armadas”, explica Wardynski. “Bom comportamento não é sinal de submissão, mas de disciplina militar.” Disciplina militar!? Quem diria que essa expressão faria parte do antes tão anárquico mundo dos videogames. Bin Laden que se cuide.

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