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Falso anúncio sexual usa chatbot para expor quem clica

Criado por programadores da Microsoft, o robô começa falando de fetiches e termina dando bronca e denunciando interessados à polícia

Por Ana Carolina Leonardi Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
8 ago 2017, 20h02

Anúncios que propõem a venda de sexo estão em todos os lugares da internet – o meme “Tens o que é preciso para esmagares a minha rata?” que o diga.

Traduções estranhas à parte, quando esses anúncios não são golpes, feitos apenas para revelar números de cartão de crédito, eles podem conectar pessoas reais – e estimular um mercado de prostituição sem regulação ou proteção às trabalhadoras, e até estar relacionado ao tráfico sexual.

Pensando nisso, dois funcionários da Microsoft usaram seu tempo livre para fazer parcerias com ONGs de combate ao tráfico humano e de apoio a profissionais do sexo. O projeto Intercept resultou em um chatbot – mas com um belo plot twist.

Esse tipo de inteligência artificial é usado com frequência para atendimento ao consumidor. A ideia, nesse caso, não muda. Um anúncio sexual com uma foto feminina e um número de telefone é colocado na internet. Os respondentes geralmente entram em contato via SMS. E aí o chatbot entra em ação.

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O robô inteligente é treinado para explicar os “pacotes” oferecidos, explicar sua idade, falar de fetiches e até de preços. No momento em que o interlocutor demonstra interesse no serviço, porém, a farsa é revelada.

“Pagar por sexo é ilegal [nos lugares onde o bot foi testado, Atlanta, Seattle e Washington, nos EUA]. Pode causar sérios prejuízos de longo prazo à vítima, além de promover o ciclo do tráfico humano”, diz o programa. Ele também tem mensagens específicas para casos de suspeita de pedofilia – não é surpresa que, em muito casos, ainda que a conversa deixe claro que a profissional seria menor de idade, o cliente não parece ligar.

O bot não conversa 100% como um humano, mas é verossímil o suficiente. “O fato de que os caras que estão tentando pagar por sexo não prestam muita atenção no ser humano do outro lado da tela ajuda muito”, disse Robert Beiser, diretor da ONG Seattle Contra a Escravidão, à revista Wired.

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Além da bronca, o robô avisa ao interessado que os detalhes da conversa serão enviados à polícia e que eles podem ser convidados a prestar depoimento. Essa abordagem não é nova: a própria polícia americana tem anúncios falsos feitos para pegar criminosos em potencial. A maioria deles, porém, usa telefones falsos e volta a tentar acessar o serviço.

A diferença é que, usando um chatbot, é possível falar com milhares dessas pessoas ao mesmo tempo, uma escala que a polícia não é capaz de atingir. Isso, inclusive, é o que motivou os programadores a criar a parceria: mecanismos que eles usam todos os dias na indústria da tecnologia conseguem dar agilidade para tarefas que seriam longas e árduas para essas ONGs.

Por fim, a parceria não é só focada em pegar no flagra quem clica nesses anúncios. Um segundo serviço coleta telefones de anúncios reais. Assim, outras ONGs, focadas em tentar resgatar vítimas de tráfico sexual ou oferecer alternativas para a prostituição ilegal, conseguem entrar em contato e oferecer apoio e assistência.

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