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Gigantes enterrados, os aceleradores

Novos aceleradores são as maiores máquinas já feitas pelo homem

Marcelo Cabral

Os físicos de partículas – aqueles cientistas que ficam jogando pedacinhos de átomos uns contra os outros dentro de enormes máquinas chamadas aceleradores de partículas – estão vivendo um clima de ansiedade. No ano que vem, irá entrar em operação o LHC (sigla em inglês para Grande Colisor de Hádrons. Hádrons são um agrupamento que reúne diversas partículas, como prótons e nêutrons), o mais poderoso acelerador do mundo. Enterrado no solo entre a França e a Suíça, o LHC terá a forma de um anel com uma circunferência de 27 quilômetros. Trata-se, simplesmente, da maior máquina já construída pelo homem.

Porém o LHC não vai estar sozinho. Está sendo discutida a criação de um irmão “menor” chamado de ILC (sigla inglesa para Colisor Linear Internacional). Em vez da forma de anel, o ILC será uma reta subterrânea com cerca de 50 quilômetros de comprimento. Com um custo que vai superar os US$ 5 bilhões, ele deve entrar em operação até o final da década de 2010 em um local ainda indefinido. Um grupo de cientistas americanos, com medo de perder o emprego, quer que a obra seja feita no país para substituir o maior acelerador local, chamado Tevatron, que será desativado até o final de 2010.

Além dos formatos diferentes, os aceleradores vão realizar trabalhos distintos. O LHC, mais potente (vai submeter suas partículas a 14 teraelectrovolts, energia equivalente à que existiu no big-bang, a grande explosão que criou o Universo), vai realizar colisões entre os prótons. Já o ILC, embora mais “fraco” (sua potência mal chega a 1 teraelectrovolt) vai realizar colisões mais simples, entre elétrons e pósitrons, que permitem uma medição mais precisa dos resultados. Assim, a idéia é que as máquinas realizem um trabalho complementar: o LHC descobrindo partículas novas a partir da “quebra” das que já são conhecidas e o ILC medindo de modo exato as características dessas novas descobertas da física.

Mas, afinal, para que servem essas máquinas gigantes? A idéia é que, descobrindo quais são as características mais íntimas das partículas, possamos entender mais sobre a estrutura da matéria e do Cosmo. Particularmente, espera-se que essas máquinas possam realizar descobertas sobre a existência de outras dimensões escondidas no mundo infinitesimal e sobre matéria e energia escuras – misteriosos componentes que formam a maior parte do Universo, mas que ninguém ainda sabe o que são.