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Internet S.A.: o grande mercado na rede

Serviços comerciais e programas mais simples de usar transformam a maior rede de informações do planeta em um negócio que rende muito dinheiro.

Wagner Barreira

A Internet, a gigantesca e anárquica rede mundial que une 25 milhões de pessoas, passa por uma brutal metamorfose. Até hoje, Internet foi sinônimo de conversa entre órgãos do governo americano, cientistas e maníacos por computador. Este ano, outro personagem surgiu: o dinheiro.

A abertura definitiva da Internet é responsabilidade dos grandes serviços on-line dos Estados Unidos, como o America On Line, CompuServe e Prodigy. Essas companhias simplificam o acesso à Internet, mas cobram pelo serviço cerca de dez dólares por mês. Um grande negócio, pois hoje os três serviços possuem mais de quatro milhões de assinantes. Mas esse filão parece estar se esgotando. Nos últimos anos surgiram diversos programas que também facilitam a navegação pela Internet. E com uma grande vantagem: são gratuitos.

Como o acesso à Internet tornou-se muito simples, o número de novos usuários não pára de crescer. Isso assusta as pessoas que estão há mais tempo na rede — que apelidaram os neófitos de “novos insensatos”. Aumento de usuários e de serviços — hoje, mais de um terço das informações trocadas na rede tem fins comerciais. De pequenos serviços a grandes anúncios: como o da poderosa companhia americana AT&T, que está usando os cabos da Internet para um anúncio multimídia, onde uma narração do ator Tom Selleck (o detetive Magnum da série de TV) diz como vai ser o futuro. O anúncio é gratuito.

O grande segredo da Internet, desde que foi criada pelo governo americano na década de 60, para ligar as áreas de Defesa às universidades, é que todo usuário tem algo a dizer. Caótica, sem direção, mas sobretudo democrática, a rede é um lugar “onde todo mundo é um gerador de informação”, como escreveu James Gleick, o criador da Teoria do Caos, em artigo para a revista do jornal The New York Times.

O que muda, com os “novos insensatos”, é que o antigo habitat de cientistas pode transformar-se num grande supermercado virtual onde é possível vender de tudo. Como um casal de advogados do Arizona que teve a idéia de anunciar na Internet. A dupla enviou a mais de cinco mil fóruns de discussão conectados à rede uma pequena publicidade onde propunham resolver problemas de imigrantes ilegais nos Estados Unidos.

A reação dos veteranos foi uma declaração de guerra. Os computadores e fax do casal foram inundados com todo tipo des protestos, de simples xingamentos a centenas de páginas de fax em branco. Apesar disso, foi um excelente negócio. Feitas as contas, o casal lucrou mais de 100 000 dólares com o anúncio.

A Internet possui um código de uso (e de conduta) cujo principal ponto é que toda informação seja livre. Há pouco, o governo americano surgiu com a idéia de embutir nos computadores um chip chamado Clipper – um “grampo”, um dedo-duro decifrador de mensagens. Essa idéia colocou os hackers em pé de guerra. Para eles, o Clipper é uma afronta à primeira emenda da Constituição americana, que garante a todos os cidadãos a mais absoluta liberdade de expressão. O governo contra-argumenta que seu chip é uma ferramenta contra criminosos. Mas não convence. Para combater a iniciativa do governo, surgiu um novo ser na fauna na Internet: os criptopunks. Valendo-se de textos cifrados, invenção atribuída aos Césares de Roma, implodiram qualquer tentativa de controle oficial. Um programa da década de 70, recuperado agora pelo criptopunks, cria duas chaves cifradas. Uma delas é um código público, mas a mensagem só pode ser decifrada com outra chave, privada.

Ainda é cedo para adivinhar como acabará a guerra eletrônica, mas, ao que parece, os veteranos serão obrigados a conviver com “novos insensatos”, vendedores de pizzas e advogados com pendores publicitários.

 

Para saber mais:

Internetiqueta

(SUPER número 1, ano 9)

Internet

(SUPER número 11, ano 8)

 

Programas que tornaram muito mais simples a navegação pela rede planetária

A Internet não é mais um reduto de cientistas e militares. Hoje, qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, pode fazer parte da rede mundial de comunicação.

Quando a Internet surgiu, no final da década de 60, trocar informações dentro dela era muito difícil, cheio de complicados códigos de acesso, além de textos e gráficos rudimentares. Atualmente, a comunicação é bem mais fácil e qualquer pessoa que tenha um microcomputador, um modem e uma linha telefônica pode fazer parte da rede de informações.

Veja os programas desenvolvidos nos últimos quatro anos que tornaram “amigável” a navegação pela Internet.

 

Gopher

É uma ferramenta desenvolvida no início da década de 90 pela Universidade de Minnesota (EUA) que explora o modelo cliente/servidor, e permite ao usuário navegar facilmente pela Internet. As informações e serviços disponíveis no servidor são apresentados ao usuários em forma de menus agrupados por localização geográfica (região, estado, país…), conteúdo temático (educação, informática…) ou procedência (governalmental, comercias, etc.).

WAIS

O WAIS (Wide Area Information Service, “serviço de informações em área ampla”), assim como sistemas parecidos (Archie, Veronica e Jughead), é um programa criado para procurar informações dentro dos vários bancos de dados (conhecidos como “bibliotecas”) contidos na Internet. Através desse programa, você pode, por exemplo, de Belo Horizonte, acessar um texto sobre o poeta inglês Byron que esteja em uma “biblioteca virtual” em Paris ou Chicago.

WWW

A World Wide Web (“ampla teia mundial”) é um avançado sistema de navegação dentro da Internet. Com a web pode-se utilizar o recurso de hipertexto: você está escrevendo um texto sobre um assunto qualquer e com um simples comando no programa pode obter mais informações referentes ao assunto, sem ter que sair da tela onde está o seu texto. A WWW reúne todos os outros sistemas de comunição pela Internet, como o Gopher, o WAIS e a própria WWW.

Mosaic

O programa que faz na Internet o que o Windows faz no PC: facilita (muito) a operação. O usuário do Mosaic vê algo como uma página de revista, com textos bem arrumados na tela, além de ícones e imagens. E dentro das palavras ou imagens há conexões para outras localizações na Internet. Com isso, fica muito mais fácil trocar informações científicas, programas de computador, mensagens românticas ou fotos eróticas. Ou ainda, escolher um filme pela TV a cabo e até pedir uma pizza.

 

Personagens da rede

Veja quem são os principais personagens da Internet

Comunidades virtuais

Grupos de usuários da Internet que se comunicam pela rede, trocando informações sem nunca terem se conhecido pessoalmente.

 

Donas de casa

Para fazer parte da rede, ninguém precisa sair de casa. Nos Estados Unidos é possível escolher filmes ou fazer compras pela Internet.

 

Ciberpunk

O “punk cibernético” utiliza o que há de mais moderno em tecnologia de informática para protestar e a adotar uma atitude de repulsa à sociedade.

 

Estudantes

Pela Internet um aluno pode estudar e pesquisar, consultando “bibliotecas virtuais”. Pode também trocar mensagens e jogos eletrônicos.

 

Professor universitário

É um dos maiores usuários da Internet. Poder trocar informações, idéias e textos com qualquer lugar do mundo tornou-se um recurso muito útil à comunidade acadêmica.

 

Criptopunks

Pessoas que usam textos cifrados para impedir qualquer controle de informações na Internet.

 

Hackers

Geralmente um jovem que passa as noites em claro para descobrir todas as possibilidades do seu computador.