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Japão vai reconstruir Fukushima como centro de energia renovável

Metas preveem 11 plantas de energia solar e 10 usinas eólicas - que irão gerar o equivalente a 12,7% da energia gerada pelos reatores nucleares

Por Ingrid Luisa - 13 nov 2019, 16h35

Antes do acidente de Fukushima, em 2011, o Japão era o terceiro maior produtor de energia nuclear do mundo. As usinas atômicas geravam um terço de toda a energia consumida no país – e a intenção do governo era elevar o índice a 50%.

Mas tudo mudou em 11 de março daquele ano, quando um um terremoto de magnitude 8,9 graus na escala Richter e um tsunami com ondas de 15 metros de altura atingiram a cidade de Fukushima, no nordeste da ilha de Honshu. Três reatores da central nuclear local (que possuía 6 reatores ativos) foram gravemente danificados em consequência do desastre natural, e diversos vazamentos radioativos foram registrados. Mais de 160 mil pessoas tiveram de abandonar a região. Foi o pior acidente nuclear desde Chernobil.

Oito anos após a tragédia, a prefeitura da cidade anuncia que pretende converter antigas áreas abandonadas em um centro que seja referência internacional em energia renovável. O projeto prevê a construção de parques eólicos, usinas solares e uma rede de energia que fornecerá eletricidade para a capital Tóquio.

Isso faz parte de um compromisso estabelecido pela prefeitura de Fukushima após o desastre: tornar a cidade um centro de pesquisa em energias renováveis. ​​O objetivo é suprir 40% da demanda de energia do município até 2020, dois terços até 2030 e 100% até 2040.

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O novo plano pretende construir 11 usinas de energia solar e 10 usinas eólicas em áreas evacuadas, em fazendas que não podem mais ser cultivadas e em áreas montanhosas contaminadas por radiação. Estima-se que o custo total seja de 300 bilhões de ienes, o que corresponde a US$ 2,75 bilhões. Entre os principais financiadores do projeto está o Banco de Desenvolvimento do Japão, estatal pertencente ao governo, e o banco privado Mizuho.

A geração de energia desse complexo é estimada em 600 megawatts. Isso equivale a quase dois terços de uma usina nuclear média – que geralmente produz 1000 MW. Uma parte da eletricidade produzida será enviada para a área metropolitana de Tóquio. Mesmo com os bons números, eles nem se comparam ao que a usina de Fukushima, que estava entre as mais potentes do mundo, produzia: ao todo, eram retirados 4700 megawatts de energia de lá. 

Atualmente, a capacidade instalada de Fukushima em energias renováveis alcançou quase 1400 megawatts no início de 2017. Isso incluiu 925 MW de energia solar, 209 MW de biomassa e 174 MW de vento, com pequenas participações em energia geotérmica (65 MW) e hidrelétrica de pequena escala (17 MW).

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