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Presidiários estão aprendendo a programar nos EUA

A ideia veio de uma ONG que acredita que, no futuro, vai faltar mão de obra especializada em computação.

Por Ana Carolina Leonardi 10 nov 2016, 16h19

Chris Redlitz, um empreendedor americano, acha que a chave para diminuir a reincidência criminal entre os presos nos EUA é ensinar idiomas para eles. Mas nada de espanhol, francês ou mandarim – ele acha que a solução está no HTML, Python, CSS e Javascript.

O empresário é o fundador da The Last Mile, uma ONG que criou um programa de apoio nas prisões americanas. Ele começou dando palestras motivacionais nas cadeias sobre empreendedorismo e oportunidades para abrir negócios próprios. Mas, aos poucos, percebeu que seria mais eficiente ensinar habilidades específicas aos presidiários.

Foi assim que começou o Code.7370, o primeiro curso atrás das grades de programação de software dos EUA. As turmas iniciais são de San Quentin, a prisão mais antiga da Califórnia.

Nas aulas, os alunos aprendem a criar soluções tecnológicas, algoritmos e aplicativos de celular. O gerente do projeto reúne as melhores criações e tenta vendê-las lá fora, para empresas do Vale do Silício. Qualquer lucro que o projeto venha a ter é redirecionado às oficinas futuras.

A princípio, os presos aprendem 4 linguagens de programação, mas o objetivo da ONG é ampliar as aulas para incluir webdesign, criação de logos, visualização de dados e user experience.

LEIASegunda Chance Ltda., a empresa americana que só contrata ex-presidiários

Uma das barreiras para o curso, porém, é o fato de que o acesso à internet não é permitido dentro da cadeia. A proibição exigiu que a ONG desenvolvesse – e conseguisse aprovar na Justiça – uma plataforma de simulação que permitisse aos presos testar a funcionalidade do seu código ao vivo.

A ideia da instituição (que tem como um dos seus diretores o rapper MC Hammer, sucesso dos anos 90) é que os presidiários, depois de cumprir a pena, tenham ideias de negócio e capacidade para entrar no mercado da tecnologia. Isso porque eles acreditam que, no futuro, a demanda por programadores crescerá mais rápido do que o número de pessoas que saberão programar – e isso vai aumentar a chance dos ex-presidiários conseguirem empregos.

A TLM também dá uma mãozinha para quem não quer ser contratado e, sim, começar o próprio negócio: ao final do curso, dado em parceria com a escola de programação Hack Reactor, a ONG convida 350 investidores do mercado para assistirem às propostas dos estudantes – e os melhores pitchs têm a chance de ganhar um apoio financeiro antes mesmo da pena terminar.

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