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Site força leitores a provar que leram o texto antes de comentar

Comentando sem ler em 3, 2...

Por Ana Carolina Leonardi Atualizado em 3 mar 2017, 11h14 - Publicado em 2 mar 2017, 19h40

Um quiz anti-baboseira é a nova introdução do site norueguês NRK ao mundo dos comentaristas de internet. Os números não negam: as pessoas compartilham e comentam cada vez mais, mas passam um tempo progressivamente menor em cada página. A conta não fecha: tem muita gente que já se empolga a comentar só com base no título.

As estatísticas são assustadoras – 6 em cada 10 links compartilhados no Twitter nunca receberam um clique sequer – mas a NRK, empresa estatal de rádio e TV na Noruega, está testando uma ferramenta para tentar deixar os debates nos comentários mais produtivos.

Prova surpresa!

Algumas das matérias publicadas no site da NRK, no NRKBeta, setor dedicado a tecnologia têm os comentários bloqueados – a menos que o leitor responda 3 perguntas de múltipla escolha sobre o conteúdo que, em teoria, ele acabou de ler. São questões simples, como o significado de uma sigla usada no texto, por exemplo. Um plugin acrescenta questões aleatórias para cada usuário – e por enquanto, fazer as perguntas é uma responsabilidade extra do próprio repórter.

Atualmente, os quizzes são postados em matérias de tecnologia que tem chance de alcançar o grande público. Segundo a NRKBeta, seu público normal é bem limitado a nerds que gostam de colaborar nos fóruns, se ajudando com pequenos desafios tecnológicos. Mas em textos mas amplos e polêmicos – como uma matéria sobre um fórum que publicou pornografia infantil na Noruega – acabam atraindo uma multidão mais diversa – e com sangue mais quente. Por enquanto, o quiz parece estar ajudando a elevar o nível do debate nesses casos, por causa de quatro fatores específicos:

1)Comprovação de leitura

O benefício mais óbvio é que se garante que o leitor leu, mesmo que por cima, todas as informações apuradas pelo site.

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2) Sem “fuga do tema”

Como nas redações do vestibular, comentadores de internet tendem fugir do tópico em discussão. Depois das três perguntas, porém, eles acabam focando em aproveitar o espaço da NRK para falar sobre o texto, sem tangenciar o tópico.

3) Terreno comum

Segundo uma das jornalistas da NRKBeta, a discussão é mais rica quando os leitores concordam com os fatos básicos sobre um assunto – e aí vão além no debate. “Se todos concordam com aquilo que o artigo diz de fato, eles tem mais base para comentar sobre ele”, disse Ståle Grut. “Se você realmente quer debater algo, é importante saber o que está no artigo e o que não está no artigo. De outra forma, as pessoas só vociferam”.

4) Tempo de respiro

Por último, os 15 segundos que o teste leva para ser completado ajudam o comentarista a respirar. Ele sai do modo gritaria e tem tempo de pensar no tom dos seus comentários, dizem os jornalistas.

A decisão por criar essa barreira foi baseada na ideia de que a empresa, por ser financiada com dinheiro público, tem a função de promover debates de alto nível e educar os cidadãos. Claro que alguns leitores foram contra – e já encontraram um script que bloqueia o plug-in do quiz. Mas isso não preocupa muito os editores da NRKBeta. Se um usuário se deu ao trabalho de ir procurar um script, ele provavelmente está inserido o suficiente na comunidade para querer ter uma discussão produtiva. Para todos os outros “tipos” de comentarista, a Guerra de Textões ainda é livre no Facebook.

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