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Um computador sentimental como Mozart

Para vencer um bloqueio criativo, o compositor americano David Cope deixou um software terminar suas músicas. E o resultado agradou. Desde então, Cope tem deixado o computador se expressar. A máquina já produziu até uma ópera chamada de "dramática e cativante" por críticos, que não sabiam que aquele sentimento não era humano. Para Cope, softwares serão os compositores do futuro.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h53 - Publicado em 26 ago 2010, 22h00

EDUARDO SZKLARZ

Ouça as composições de Emily Howell

Por que você confiou as composições a um software?
Porque o software compõe como nós. Quando conversamos, usamos palavras que absorvemos por aí – combinando-as em frases para criar significados. Com a música acontece o mesmo. Ao compor, as pessoas juntam pedaços de melodias que ouviram e gostaram. O que chamamos de inspiração não passa de uma combinação inconsciente de coisas que já ouvimos. O computador faz a mesma coisa. Eu adiciono músicas à base de dados – a máquina armazena e recombina parte delas.

Mas humanos se expressam ao compor. O computador pode fazer isso?
Hoje não pode. Eu uso um programa que até parece ter autoconsciência e variações de humor, porque ele é capaz de compor melodias de estilos muito diferentes. O programa tem até nome de gente: Emily Howell. É um nome dado por mim e que assina as composições feitas pelo software. É certo que os computadores não podem sentir como nós, mas nada impede que um dia sejam preparados para isso.

Como?
Podemos programar os computadores para que “sintam”, tenham a ilusão de consciência. Sintam uma dor de cabeça, por exemplo, que acabará se refletindo na composição. Acho que isso será possível no futuro.

Como é hoje seu processo de composição na prática?
Ouço as criações do programa e as incorporo nas partituras. O computador é rápido e preciso. Posso fazer tudo o que ele faz, mas levaria algumas vidas para criar o que ele compõe em pouco tempo.

Emily Howell pode compor melhor que Mozart ou Bach?
O que significa “melhor”? É ser mais votado pelas pessoas? Se for assim, donuts são a melhor comida do mundo. Acho que algumas músicas criadas por meus programas são, sim, melhores que peças de Mozart e Beethoven. Possivelmente você acharia isso também se as escutasse sem saber quem compôs. Música “melhor” ou “pior” existe na mente do ouvinte.

A música do futuro será só feita por computadores?
Talvez num futuro distante. Hoje, meu programa produz música que soa como uma criação humana e que é significativa ao menos para algumas pessoas. No futuro, haverá menos preconceito com esse tipo de coisa. Na música popular isso já acontece: muitas das músicas que ouvimos hoje são compostas por softwares, apenas não sabemos disso. E já tem artista ganhando muito dinheiro com elas.

Mas aí a profissão de compositor vai desaparecer?
Quem não me conhece em geral discorda das minhas ideias, mas acho que a atividade dos compositores vai mudar. Com o tempo, eles não hesitarão em usar computadores para compor. Mas claro que os compositores sempre terão o direito de ligar ou desligar a máquina. E de reescrever os programas.

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Um computador sentimental como Mozart
Para vencer um bloqueio criativo, o compositor americano David Cope deixou um software terminar suas músicas. E o resultado agradou. Desde então, Cope tem deixado o computador se expressar. A máquina já produziu até uma ópera chamada de "dramática e cativante" por críticos, que não sabiam que aquele sentimento não era humano. Para Cope, softwares serão os compositores do futuro.

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