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Qual é o poderio real das Forças Armadas brasileiras

Estamos equipados o bastante para enfrentar uma guerra?

Por Tiago Cordeiro - Atualizado em 3 jan 2020, 16h48 - Publicado em 8 ago 2019, 16h53

Responda rápido: quando foi a última vez que o Brasil foi invadido? Dezembro de 1864, quando o ditador paraguaio Solano López entrou no Mato Grosso. Já se passaram 154 anos e o País nunca mais se viu ameaçado em sua soberania territorial. O mais perto, na Segunda Guerra, foram submarinos alemães destruindo navios civis brasileiros, o que levou o País a entrar na Segunda Guerra. Para que servem, então, nossas Forças Armadas?

Em primeiro lugar, para garantir que ninguém tente zerar essa contagem com um ataque militar. Espaço para atacar não falta: são 16.886 quilômetros de divisas por terra, com dez dos 12 países da América do Sul. E mais 7.367 quilômetros de litoral. A área total a ser coberta é de 8,5 milhões de quilômetros quadrados – somos a quinta maior nação do mundo em termos de extensão territorial.

É muito espaço para entrar – e muita gente interessada em fazer isso. É comum, nas fronteiras, que o Brasil realize operações militares conjuntas, em especial com os militares colombianos, com o objetivo de caçar narcotraficantes que utilizam rotas clandestinas na floresta amazônica.

As Forças Armadas também participaram dos dois conflitos mundiais. E, mais recentemente, passaram a se oferecer para ações de paz da ONU no Canal de Suez (1956–1967), em Moçambique (1992–1994), em Angola (1995–1997), em Timor-Leste (1997–1999) e, por fim, no Haiti (2004–2017).

Os militares sustentam ainda instituições de ensino tradicionais e reconhecidas pela qualidade, como o Instituto Militar de Engenharia (IME), o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), e o Instituto de Estudos Avançados (IEAv) da Aeronáutica. Este último, inclusive, possivelmente desenvolveu um programa de armas nucleares com a Marinha.

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Mas a pergunta real aqui é: se algum vizinho resolvesse atacar? As Forças Armadas brasileiras estariam prontas para reagir, ou mesmo para realizar alguma ação, por assim dizer, preventiva, por exemplo contra a Venezuela?

Brasil vs Venezuela

Saímos favoritos: os venezuelanos têm muito menos gente e equipamentos. O Brasil tem quase três vezes mais militares na ativa e o dobro de aviões e navios. Por outro lado, os venezuelanos contam com equipamentos melhores, fornecidos pelos russos – caso dos tanques T-72 e dos caças Sukhoi-30. E a bateria antiaérea S-300, que tornaria extremamente difícil qualquer iniciativa brasileira por ar.

A dúvida fica por conta da manutenção das máquinas de guerra: quão seriamente o arsenal venezuelano foi atingido pela crise? Seja como for, é possível que, conhecendo melhor o terreno e com seus melhores equipamentos, os venezuelanos tomassem a dianteira no início do conflito. Com o domínio aéreo venezuelano, a reação por ar seria expressiva. Depois resistiriam, como previsto em seus manuais. Uma vitória brasileira custaria tempo e vidas demais. Como é da estratégia venezuelana.

Cobertor curto

Os números comprovam: somos uma potência militar regional. Temos mais homens, por ampla distância. Mais lançadores de foguetes – são 180, enquanto que o Chile, por exemplo, só tem oito. Nossa frota de aviões militares supera a soma de todas as aeronaves de Argentina, Chile, Paraguai e Peru (ainda que, enquanto os Gripen não começam a operar, estejamos temporariamente mal servidos de caças).

No ranking global produzido pela GlobalFirepower, que desde 2006 analisa a situação do poderio militar de 136 países do mundo, estamos em 14º lugar, a melhor posição da América Latina – depois de nós aparece o México, num distante 34º lugar.

É claro que o Brasil nem se compara com os países que realmente mandam no planeta. Os Estados Unidos, só para ficar no exemplo mais expressivo, têm 19 vezes mais aviões, 15 vezes mais tanques e 3,7 vezes mais embarcações de guerra. Mas, em termos locais, nossa superioridade é inquestionável – ainda que, com 16 efetivos por 100 mil habitantes, o Brasil não seja exatamente uma nação militarizada, a quantidade de recursos humanos disponíveis cria um cenário bastante favorável. Acontece que o diabo está nos detalhes.

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Para um litoral do tamanho do nosso, é inacreditável pensar que o Brasil não tem nenhum porta-aviões – acabou de dispensar o São Paulo, que dava tanto problema de manutenção que, em 18 anos de serviço, nunca ficou mais de três meses seguidos em operação. E tem apenas cinco submarinos, enquanto que a Colômbia, com um litoral 2,5 vezes menor, tem 11. Isso porque, dos cinco aparelhos, apenas dois têm condições de uso. Além disso, foi só no começo desta década que começamos a nos interessar por drones de monitoramento, capazes de equilibrar um pouco o jogo contra os traficantes, que mudam suas rotas terrestres, marítimas e aéreas nas fronteiras com grande facilidade.

Continuamos investindo pouco: apesar de a Estratégia Nacional de Defesa, lançada em 2008, prever que o gasto do Produto Interno Bruto com os militares alcançasse os 2%, continuamos patinando em torno de 1,5% – a Colômbia investe 3,1% e o Equador, 2,4%. Só agora começamos a substituir os fuzis que usamos desde 1964. A artilharia antiaérea conta com armamentos com mais de 35 anos de uso.

Resultado: entre 2005 e 2015, com exceção da Venezuela, em grave crise, todos os países do continente aumentaram seus investimentos totais com defesa. O Brasil é o segundo país que menos ampliou seus investimentos; só avançamos mais, nesse quesito, do que o Chile. Quem mais ampliou o investimento no setor foram Argentina e Paraguai.

A falta de atualização dos equipamentos é tão grave quanto a inexistência de um programa efetivo de compra de munição em quantidade adequada. Em 2012, o general da reserva Maynard Marques de Santa Rosa, ex-secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa, afirmou que o País só tinha munição para uma hora de combate. Um documento da mesma época indicava que 92% dos meios de comunicação utilizados pelos militares estavam obsoletos.

Nas décadas de 1970 e 1980, o Brasil era um dos maiores produtores de blindados do planeta. Os veículos nacionais eram utilizados em todo o mundo, em especial no Oriente Médio – muitos tinham nome de cobras, como Jararaca, Cascavel, Sucuri e Urutu. Para substituir os tradicionais EE-11 Urutu, a partir de 2014 o Exército brasileiro começou a receber, da fábrica da italiana Iveco em Sete Lagoas (MG), os Guarani. São veículos versáteis, velozes (compare seus 110km/h com os 97 km/h de um Stryker, o mais rápido dos EUA) e percorrem até 600 quilômetros sem abastecer. São também modulares, de forma que podem receber diferentes tipos de armas, blindagens extras e sensores, de acordo com a demanda, podendo atuar na prática como um veículo de combate de infantaria. Por enquanto existem 360 unidades em operação, mas o plano é contar com mais 1.580 até o início da década de 2030. Isso coloca o Brasil no rol dos países que dominam a infantaria mecanizada. Iveco/Divulgação

Além disso, os constantes contingenciamentos de verba agravam uma situação complicada: aproximadamente 90% do orçamento está sempre comprometido com pagamento de salários e aposentadorias. Sobra só 10% para fazer todo o resto, e muitas vezes o governo federal ainda reduz o dinheiro disponível para esses gastos. Aconteceu em 2019, com o bloqueio de R$ 5,8 bilhões. Isso atrapalha vários programas militares, como o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), que não deverá estar finalizado e em operação no prazo inicialmente previsto, o ano de 2024.

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A falta de recursos é compensada por ações pontuais de compra de equipamentos e por um trabalho de modernização dos já existentes. Foi o caso dos caças F-5M, de fabricação americana, adquiridos nos distantes anos 1970. A Embraer incrementou os aviões com novos radares e sensores. Também modernizou nove caças AF-1 e AF-1A da Marinha – projeto americano dos anos 1950. Não é o suficiente para fazer frente aos F-16 dos chilenos, por exemplo. Outros projetos seguem emperrados à espera de dinheiro – é o caso do desenvolvimento de quatro navios submarinos tradicionais e um com propulsão nuclear, que seriam criados com base em tecnologia da França.

Mas, se falta atualização dos equipamentos, não falta preparo para a enorme variedade de cenários que o território brasileiro apresenta. Existem forças especiais preparadas para agir nas condições da caatinga, do cerrado, das áreas de florestas e montanhas.

Instalado em Petrolina (CE), o Centro de Instrução de Operações na Caatinga fornece treinamento para militares, policiais militares e bombeiros, que usam roupas camufladas, de cor cáqui e mais resistentes a espinhos, e aprendem a extrair alimentos e água nos locais mais inóspitos. Iniciados em 1995, os cursos de treinamento já formaram mais de 6.700 homens.

Já o 11º Batalhão de Infantaria de Montanha fica sediado em São João del-Rei (MG) e forma especialistas em regiões elevadas, que se aproveitam da formação para levar essa experiência para brigadas que precisam de profissionais com esse perfil, como a Brigada de Infantaria Paraquedista e a 12ª Brigada de Infantaria Leve. Já os especialistas em floresta amazônica habitam a 3ª Companhia de Forças Especiais, instalada em Manaus (AM). E os militares preparados para as condições do Pantanal são treinados em Corumbá (MS), no 17.º Batalhão de Fronteira.

A Força Aérea Brasileira precisava de um avião de ataque capaz de sobrevoar a Amazônia, tendo assim que suportar umidade e temperatura elevadas e longas distâncias. Precisaria operar com grande autonomia, sob chuva ou sol, de dia ou de noite. A Embraer abraçou o desafio e foi além, levando sua aeronave para participar de concorrências no exterior. Nos anos 1990, viu seu avião perder licitações nos Estados Unidos e no Canadá. Até que o projeto começou a deslanchar. Lançado em 2004, o Super Tucano é um avião anti-insurgência especialmente bem-sucedido. Exportado para dezenas de países, já viu combates em diferentes cenários. Foi aprovado com louvor. Originalmente batizado como programa AL-X (Aeronave Leve de Ataque), o EMB-314 é uma espécie de avião da Segunda Guerra, só que computadorizado. É um turboélice de ataque, em versões monoposto e biposto, que passou por seu batismo de fogo em janeiro de 2007, quando a Força Aérea da Colômbia utilizou o Super Tucano para atacar posições das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Desde então, a lista de compradores do avião nacional inclui desde os Estados Unidos até o Afeganistão, passando por Líbano, Indonésia, Filipinas e Nigéria. aviation-images.com/Getty Images

A Marinha mantém unidades de fuzileiros, os marines do Brasil. E o Exército criou, em 1968, o 1º Batalhão de Forças Especiais, a unidade de elite dedicada à chamada guerra irregular, que inclui contrainsurgência e localização de alvos estratégicos.

O Exército mantém ainda uma Força de Ação Rápida Estratégica, preparada para se deslocar rapidamente para qualquer canto do País em caso de agressão externa, e a Brigada de Operações de Leis e Ordens, pronta para lidar com o crime organizado em ambiente urbano. E, dentro da Escola de Instrução Especializada, uma Divisão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear.

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E, falando nisso, ainda que a Constituição de 1988 proíba a criação de armas nucleares, o Brasil tem certa história com elas. Entre 1979 e 1990, o chamado Programa Paralelo foi operado pela Marinha e Aeronáutica com a intenção oficial de criar um submarino nuclear. Mas há uma séria desconfiança de terem desenvolvido armas atômicas. Era a acusação da imprensa brasileira nos anos 1980, apontando o ultrafechado campo de testes da Serra do Cachimbo, Pará, como o local. Em 1990, o presidente Fernando Collor foi lá em pessoa para encerrar o projeto. Os militares insistem até hoje ter sido só parte do programa do submarino. Mas organizações como o Instituto para a Ciência e Segurança Internacional, em Washington, listam o Brasil entre países com programas nucleares abandonados. E com capacidade para recomeçar.

 

SAAB JAS 39 GRIPEN – O nome quer dizer “Grifo” em sueco. É um caça de quarta geração, a mesma do F-16 e uma anterior ao F-35. Mas é mais rápido que o F-35: alcança Mach 2 (2.460 km/h) versus Mach 1,6 (1.976 km/h). E é, como o F-35, um caça multifunção, feito para servir para tudo e equipar armas de todo tipo. Desde que entrou em operação em 1996, o caça nunca foi testado em combate contra outros aviões. Mas é muito mais moderno que nossa outra opção de supersônico, o F-5 Tiger II, de 1972. A empresa sueca criou um modelo especialmente para o Brasil, com 2 lugares, para operações avançadas e desenvolveu um display especial, parecido com o do F-35, a pedido do Brasil. 36 veículos foram comprados e devem começar a chegar ainda este ano.

SN-BR – O projeto começou em 2012, e só deve ser concluído ao final da próxima década. O submarino nuclear brasileiro pode dar ao Brasil uma presença global.

CK-390 – É o projeto militar mais avançado que o Brasil já desenvolveu. Um cargueiro militar a jato, feito para substituir o turboélice C-130 Hercules americano que data de 1956. O que deve fazer bem. É muito mais rápido, com máxima de 988 km/h versus 593 km/h, tem controles eletrônicos (fly by wire) e visão sintética, uma tela com o relevo sobrevoado para orientar o piloto. Já em fase de treinamento, será usado para reabastecimento aéreo, transporte de tropas e blindados, e missões de resgate.

Mitologia

O Exército considera que sua data de nascimento é a Batalha de Guararapes, em 1649, quando portugueses que viviam em Pernambuco reagiram contra os poderosos invasores holandeses, num momento em que até mesmo a coroa portuguesa parecia ter desistido daquele território. Já na certidão de nascimento da Marinha costuma aparecer a data de 1822, quando o Brasil se tornou um país independente. A primeira esquadra oficialmente brasileira seguiu, em novembro daquele ano, na direção de Montevidéu, para expulsar os portugueses que se recusavam a aceitar que a então província da Cisplatina se submetesse ao rei Dom Pedro I. Por sua vez, a Força Aérea Brasileira foi formada em 1941, no contexto da Segunda Guerra Mundial. O presidente Getúlio Vargas fundou o Ministério da Aeronáutica e reuniu ali os equipamentos aéreos e os especialistas em aviação que, antes, ficavam dispersos no Exército e na Marinha.

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A partir de 2013, o Brasil passou a usar veículos aéreos não tripulados de forma sistemática. No nosso caso, eles servem principalmente para melhorar a fiscalização das fronteiras e monitorar grandes eventos – os jogos da Copa do Mundo de 2014 e as competições da Olimpíada de 2016, por exemplo. Somos um dos mais fiéis clientes da fabricante israelense Elbit Systems, fundada em 1966 e especializada na produção de equipamentos e softwares. Começamos adquirindo o Hermes 450 e, mais recentemente, fechamos um contrato para receber unidades da versão atualizada do modelo, o Hermes 900, a US$ 8 milhões por unidade. O Elbit Hermes 900 é um drone de altitudes médias e baixa velocidade. Não carrega armas, mas conta com o que há de mais moderno em sistemas de comunicação e monitoramento. O drone pode ser utilizado para uma vasta lista de objetivos, incluindo buscar pessoas em locais de difícil acesso, e monitoramento de queimadas. Também serve para identificar as rotas utilizadas por contrabandistas e narcotraficantes, que abrem picadas na mata para criar estradas e pistas de pouso clandestinas. Hermes-900/Divulgação

Mas há quem afirme que a força surgiu, de fato, em 1736, com a criação da Secretaria D’Estado dos Negócios da Marinha, que, na prática, ampliava e organizava as forças navais portuguesas ao longo da costa da colônia.

Em todos os casos, a carreira nas Forças Armadas costuma começar com o serviço militar obrigatório, prestado por homens selecionados ao completar 18 anos. Mulheres podem entrar de forma voluntária. Com a diferença, em relação a outros países, como Israel e Coreia do Sul, de que no Brasil o alistamento obrigatório não absorve todos os inscritos. A grande maioria dos jovens é dispensada. E poucos se interessam. No Estado de São Paulo, até 2014, só 5% dos 350 mil jovens de 18 anos que se apresentam para fazer o alistamento queriam, de fato, entrar para o serviço militar. Em 2016, diante da crise econômica, o percentual saltou para 10%.

Para quem presta serviço militar e segue carreira, o caminho para entrar em combate é participar das missões de paz do Brasil. No Haiti, por exemplo, os 37 mil militares brasileiros que participaram da operação da Organização das Nações Unidas ao longo de 13 anos participaram de tiroteios frequentes, principalmente entre 2004 e 2007.

Não é uma situação muito confortável, não ter um porta-aviões. Desde a Segunda Guerra, eles são as naus-capitânias dos países que os têm, uma força incomparável ao que outras embarcações podem prover. Mas estamos sem nenhum. O porta-aviões São Paulo não “vingou” e foi desativado em 2017. Agora a Marinha brasileira aposta em uma embarcação britânica construída na década de 1990 e utilizada pelos ingleses entre 1998 e 2018, com o nome HMS Ocean. O Atlântico custou R$ 424 milhões e pode transportar 800 homens e 18 helicópteros. Tem autonomia de 13 mil quilômetros. Com seus quatro radares, capazes de projetar imagens em 3D, a embarcação é projetada para controlar áreas marítimas num raio de 200 quilômetros. Conta também com uma capacidade considerável para receber doentes e feridos, o que faz dele um equipamento adequado para missões humanitárias. Em caso de guerra, o PHM Atlântico se tornaria o quartel-general da Marinha. Mas continuamos sem o poder de ataque que só um porta-aviões confere. PHM Atlântico/Divulgação

No bairro de Bel Air, na região central de Porto Príncipe, os combates contra as gangues armadas que dominavam as ruas eram diários. Mesmo para oferecer ajuda humanitária, como instalar postos de atendimento de saúde, reconstruir escolas, distribuir comida e roupa e retirar os mais de 3 mil caminhões de lixo que estavam acumulados na região, foi preciso contar com escolta fortemente armada.

Quando a situação parecia controlada, em 2010, Bel Air foi arrasada por um terremoto. O tremor devastou o país. O edifício-sede da ONU em Porto Príncipe veio ao chão. Havia 130 pessoas lá dentro. Apenas cinco sobreviveram, incluindo o tenente-coronel Adriano de Souza Azevedo, que escapou debaixo de blocos de parede. Ao todo, 18 militares brasileiros morreram vítimas do tremor.

Em resumo: enormes, mas sem equipamentos de ponta nem experiência em conflito com outras forças militares: assim são as Forças Armadas brasileiras. Para os padrões latino-americanos, elas têm se mostrado mais do que suficientes para preservar o território nacional – se descontadas as ações criminosas na fronteira, que são claramente bem-sucedidas. Tem dado certo, ainda que, no longo prazo, a queda de investimentos na comparação com os vizinhos seja preocupante.

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