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Vem aí um dilúvio de bits

Com velocidade vertiginosa, as fibras óticas desbancaram os satélites nas comunicações (interligando os continentes por cabos submarinos ou terrestres) e agora estão batendo à sua porta.

Gilberto Stam

Com velocidade vertiginosa, as fibras óticas desbancaram os satélites nas comunicações (interligando os continentes por cabos submarinos ou terrestres) e agora estão batendo à sua porta.

A revolução começou na década de 80, acelerou nos anos 90 e hoje, no mundo todo, já há 10 milhões de quilômetros de cabos contendo, cada um, dezenas de fibras de vidro de 0,1 milímetro de diâmetro cada uma. Uma única fibra transmite um milhão de vezes mais informação do que um satélite. Como resultado, circulam hoje pelo mundo 1,5 quatrilhão de bits por segundo, carregando dados, e-mails, imagens digitais ou conversas telefônicas. As cidades pequenas ainda precisam usar antenas e fios elétricos para ter acesso aos grandes troncos óticos. Mas, nas metrópoles como São Paulo, os canudinhos de luz já chegaram à maioria dos bairros e aos prédios maiores – só as residências não estão diretamente conectadas às fibras.

É verdade que o trânsito de bits não pára de crescer: só a internet faz o fluxo de informações multiplicar por dez a cada ano que passa.

Também vai crescer a quantidade de aparelhos inteligentes, capazes de se comunicar entre si – carros, televisores, geladeiras e fornos de microondas estarão todos conectados às rodovias planetárias de informação. Mas a produção de fibras avança no mesmo ritmo. Para você ter uma idéia, se todos os canudinhos fabricados no mundo fossem emendados num único tubo (em vez de ser enfeixados em cabos), o tamanho dessa superminhoca transparente aumentaria a uma velocidade duas vezes maior que a da luz, de 300 000 quilômetros por segundo.

A capacidade de transmissão também está crescendo depressa: há dez anos, cada fibra levava um único raio de luz e transmitia 600 milhões de bits por segundo. Já se pode canalisar 100 raios dentro da fibra e transmitir 1 trilhão de bits por segundo.

“A capacidade das fibras é quase ilimitada”, diz Álvaro Bortoletto, diretor da Lucent, uma das empresas líderes na produção de fibras óticas.

Comunicação luminosa

Nas fibras óticas, que estão substituindo os fios de cobre nas telecomunicações, as mensagens são codificadas em sinais de luz

1. Desde a invenção do telégrafo, em 1840, as mensagens passaram a ser codificadas em sinais elétricos, que transportam só algumas centenas de bits por segundo (bps) em fios de cobre

2. Em 1944, os cabos submarinos começaram a empregar cabos coaxiais (em que o fio corre dentro de um cilindro metálico oco). Eles aumentaram a velocidade de transmisssão, mas até hoje não vão além dos 6o 000 bps

3. Em 1980, os primeiros sistemas de fibras óticas já transportavam 45 milhões de bps, codificados na forma de luz laser. Hoje, um cabo de fibra ótica transmite 1 trilhão de bps. Para competir com um feixe de fibras óticas, que pesa pouco mais de 2 quilos, seria preciso utilizar 200 carretéis de fios de cobre pesando 800 quilos