“A Odisseia” teve uma continuação na Grécia Antiga – e ela é bizarra

Depois do fim de A Odisseia, a história do herói Odisseu ainda continuava. Um poema perdido, a Telegonia, narra suas aventuras após a volta à Ítaca e sua trágica morte.

Telegonia fazia parte do chamado Ciclo Épico de Troia, um conjunto de oito poemas sobre a Guerra de Troia. Era, cronologicamente, seu capítulo final.

Dos oito poemas, apenas A Ilíada e A Odisseia sobreviveram integralmente até hoje . A Telegonia foi perdida: restam apenas dois versos do texto original.

Seu conteúdo é conhecido por citações e resumos de autores antigos. A autoria também é incerta, mas seu autor não é Homero, e a obra foi escrita depois dos poemas homéricos.

O poema conta que, após seu retorno à Ítaca, Odisseu viajou à região da Tesprócia, onde se casou com a rainha Calídice e teve um filho, Polipetes, antes de voltar para seu próprio reino.

A segunda parte apresenta Telégono, filho que Odisseu teve com a feiticeira Circe. Criado sem conhecer o pai, ele parte em sua busca quando atinge a maioridade.

Circe dá ao filho uma lança com a ponta feita do ferrão venenoso de uma arraia. No meio da jornada, uma tempestade leva Telégono até uma ilha desconhecida.

Na ilha, Telégono rouba gado e entra em combate com seu dono. Só depois de feri-lo descobre que matou acidentalmente seu próprio pai.

Após a morte de Odisseu, Telégono leva seu corpo até Circe, acompanhado de Penélope e Telêmaco. A feiticeira então concede imortalidade aos três.

O desfecho é peculiar: Penélope se casa com Telégono, enquanto Circe se casa com Telêmaco. Assim, as duas se tornam sogra e nora simultaneamente.