Para salvar o planeta, será preciso assumir responsabilidades, mudar hábitos, transformar o cotidiano. É sobre isso que os jornalistas Mônica Nunes, Thiago Carrapatoso e Thays Prado, do site Planeta Sustentável, falam neste blog. Outros já contaram um pouco essa história por aqui também: Daniela Silva, Isabel Braga e Danilo Romeiro
Há uns tempos, comentamos sobre um serviço online que fazia com que a caminhada dos ingleses ficasse algo muito mais simples e consciente. É o Walkit, que traça a rota para o pedestre e mede quanto tempo demorará o trajeto, quantas calorias serão queimadas e quanto de CO2 deixará de ir para a atmosfera já que o carro ficará na garagem.
Por mais que se possa parecer distante da nossa realidade, postamos a dica para mostrar que existem meios de usar ferramentas simples para tornar o mundo um lugar mais sustentável. A iniciativa, afinal, pode inspirar outras pessoas.
E pode ser que o Walkit tenha inspirado o Google Maps. Recentemente, o serviço disponibilizou a versão beta de se traçar rotas para serem percorridas a pé. Em vez de se guiar pelas mãos da rua para te dar o melhor caminho para se chegar de um ponto a outro, essa ferramenta busca pelo traçado mais curto.
É simples. Só entrar no site, clicar na opção “Como chegar”, digitar as localidades e selecionar para que a rota seja percorrida “a pé”, como mostra a figura acima. Se você não gostar do caminho sugerido, há a opção de modificar o traçado, adicionando outras ruas.
Por enquanto, a ferramenta só faz isso, sem calcular quanto se economizará em CO2 ou quantas calorias serão queimadas, como faz o Walkit. Mas não deverá demorar muito tempo para que se criem mashups por aí que adicionem outras informações.
Quanto você anunciaria em um leilão para comprar o extinto EV-1, o carro elétrico da GM que foi assassinado por alguém ainda não identificado? US$ 50 mil? US$ 100 mil? US$ 500 mil? Lembre-se que o EV-1 é algo raro, já que todos os seus donos tiveram que devolver o carro, em 2003, para a concessionária destruí-lo. Então, quanto você pagaria?
Agora, se ficou difícil estimar um valor para a raridade, quanto você pagaria para ter só o manual do proprietário do EV-1? R$ 5? R$ 10? R$ 15? Nada?! Pois existem algumas pessoas que pensam completamente diferente de você. O site de leilões eBay está com a oferta para o manual aberta. Qualquer um pode entrar lá e dar um lance. Adivinha em quanto chegou o preço do pequeno manual?
Nada menos do que US$ 1 milhão! Pelo menos, é o que a página do leilão nos informa. Para se ter uma idéia, ainda hoje, quando o blog AutoblogGreen publicou sobre o acontecimento, os lances estavam em torno de US$ 100 mil. Hoje, próximo das 19h, a casa do milhão já tinha chegado.
Nestes sites de leilão é muito comum alguns usuários colocarem manuais ou caixas de produtos bastante visados e venderem por quase o preço do produto real. O pior é que tem pessoas que realmente compram.
Dos 19 lances feitos para o manual do proprietário do EV-1, 17 foram negados e dois estão pendentes.
Se quiser, ainda dá tempo para dar um lance. O leilão termina somente amanhã... ;)
A China está lutando para que estas Olimpíadas sejam conhecidas como as Olimpíadas Verdes, o que, convenhamos, não será uma tarefa nada fácil. Em março, nós comentamos sobre como a poluição de Pequim poderia afetar os pulmões dos atletas. O fundista Haile Gebrselassie, da Etiópia, desistiu de disputar a prova de 42 km justamente por causa desse problema.
O governo chinês, então, resolveu entrar em ação. Para conter a poluição em Pequim, a 20 dias de serem abertas as Olimpíadas, instituiu um rodízio de veículos radical: 50% da frota diária não poderá circular pelas ruas e avenidas da cidade. Com a divisão entre as placas pares e ímpares, a idéia é que os 3,3 milhões de carros da capital Chinesa dêem uma folga ao clima.
Os motoristas não são obrigados a deixar seus carros em casa. O rodízio funciona na base da troca: quem respeitar o pedido, não precisará pagar três meses de impostos e algumas taxas. Agora, quem for pego em um dia sequer trafegando pela cidade, terá que pagar tudo normalmente. O governo municipal, com a medida, deixará de arrecadar cerca de R$ 350 milhões.
E essa não é a única ação para melhorar os ares asiáticos. Três mil obras, de shoppings a arranha-céus, foram paralisadas para reduzir a poluição. Os operários que ficaram desempregados temporariamente tiveram que voltar para as suas províncias de origem, por não terem permissão para morar na capital.
O governo ainda puniu quatro cidades e dez empresas de eletricidade por desrespeitarem metas ambientais. Yingtan, Sanya, Hechi e Yuxi tiveram o certificado ambiental suspenso para a construção de novos projetos. As cidades atrasaram a construção de usinas de tratamento de esgoto ou apresentaram falhas nas instalações.
Até os fogos de artifício se tornaram eco-eficientes. Segundo o site norte-americano Green Daily, a pirotecnia causará menos poluição do que as tradicionais e usará menos calor para ser estourada (270º C, segundo o jornal britânico Daily Mail).
Embora muitos esforços, não tem como falar que um evento que reúne pessoas de diversos continentes – e, conseqüentemente, obrigando os atletas a viajarem de avião -, queima uma tocha usando gás e obriga as cidades a construções rápidas e pesadas seja completamente sustentável.
Certamente, não será dessa vez que teremos olimpíadas verdes.
Qual a sua grande idéia para tornar o cotidiano um pouco mais sustentável? Foi essa a pergunta levantada pelo concurso do site The Green, do Sundance Channel. O objetivo era que os participantes mandassem pequenos vídeos ou fotos que mostrassem essa idéia que revolucionou a vida delas.
Pode parecer simples demais para sair algo interessante, mas diversas idéias valem dar uma conferida. O vídeo vencedor mostra como evitar o desperdício de canudinhos de plástico (esses usados para tomar qualquer coisa). Em vez de separar para colocar em uma lata de reciclagem mais tarde, por que não deixar de usá-lo? Parece bem besta, mas a solução é bem interessante.
Isabel Dréan, co-fundadora da Kopnoi, sugeriu que se usasse canudinhos de bambu! Ele é prático, fácil de reusar (é só jogar na água fervendo para limpar) e ecológico, uma vez que o bambu já foi considerado o substituto à madeira tradicional:
O concurso ainda separou outras 25 idéias finalistas, como uma bicicleta projetada para simular uma caminhada.
Se John F. Kennedy prometeu que colocaria o homem na lua em 10 anos e cumpriu (em menos até), por que o próximo presidente estadunidense não promete tornar toda fonte de energia do país em 100% renovável no mesmo período de tempo? Embora a primeira frase que possa surgir na mente seja “ah, falô”, é isso que o ganhador do Prêmio Nobel Al Gore desafiou os candidatos à presidência do país a fazerem quando chegarem ao comando.
O objetivo do grande desafio é fazer com que os norte-americanos percam a dependência ao petróleo, matéria-prima que está cada vez mais cara no país. Gore quer que todas usinas de energia sejam eólicas, solares e geotérmicas, pelo menos. Para conseguir isso, a energia nuclear continuaria sendo usada na mesma quantidade de hoje em dia, mas seria trocada gradativamente pelas mais eficientes.
Alguns especialistas do governo acreditam que o consumo de energia no país irá aumentar em 50% nas próximas duas décadas. A Energy Information Administration prevê que até 2030 o mundo não chegará nem perto de perder o vício do petróleo.
A Alliance for Climate Protection estima que o custo para transformar toda a energia dos EUA em fonte renovável será de US$ 1,5 trilhões a US$ 3 trilhões durante 30 anos de investimentos, tanto públicos, quanto privados.
E vamos que vamos...
com informações do San Francisco Chronicle e do discurso na íntegra (em inglês)