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Fim ao desperdício de alimentos: conheça a história do Pay as You Feel Cafe

Redação Planeta Sustentável 25 de julho de 2014

Por Suzana Camargo

Fim ao desperdício de alimentos a história do Pay as You Feel Cafe (5)

Quantos vezes você já não se sentiu culpado por jogar sobras de comida no lixo? Assim como você, o inglês Adam Smith e a brasileira Johanna Hewitt (ela nasceu no Brasil e fala português), fundadores do projeto The Real Junk Food*, também estavam chocados com a gigantesca quantidade de alimentos – em excelente estado ainda para ser consumida,  que é simplesmente descartada.

O casal se reuniu com um grupo de amigos, também incomodado com o imenso desperdício, e decidiu fazer algo para mudar esta realidade. E começou a fazer a diferença onde vivia, na cidade de Leeds, no norte da Inglaterra.

No Pay as You Feel Cafe (em tradução livre, “Café Pague se Você Quiser”), todos os pratos do cardápio são preparados com ingredientes que seriam jogados fora. Não significa que a equipe retira sobras da lixeira, mas na verdade, utiliza alimentos que já estão com o prazo de validade vencido – mas podem sim ainda ser consumidos, com rótulos incorretos ou simplesmente comida que seria descartada.

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Cardápio variado e balanceado muda diariamente

“Os alimentos vêm de várias fontes, incluindo restaurantes, empresas, supermercados, feiras”, conta Adam. O cardápio muda diariamente. “Criamos pratos todos os dias com base no que temos no estoque”. Há sempre preocupação em preparar refeições bem variadas nutricionalmente.

A experiência inicial do projeto aconteceu em dezembro do ano passado. Adam, que é chef profissional, cozinhou um jantar de Natal para os moradores sem-teto de Leeds. A iniciativa foi um sucesso e desde então o Pay as You Feel Cafe abre todos os dias da semana, entre 9h e 16h. O lugar é pequeno e simples. O pessoal do The Real Junk Food Project não paga aluguel por ele. O restaurante acomoda até 30 pessoas.

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Dia cheio no Pay as You Feel Cafe

Os cinco amigos, co-diretores do café e integrantes da iniciativa (um deles também é chef) são jovens ativistas, que desde cedo estavam engajados em movimentos de mudanças políticas, sociais e ambientais.

Para administrar o dia a dia do restaurante, contam com a ajuda de voluntários, que se revezam na cozinha, no atendimento aos clientes, na realização de eventos e num dos momentos mais importantes de todos: a captação de alimentos e recebimento de doações pela cidade. Eles gostam de se intitular interceptadores do desperdício.

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Doações de frutas e verduras

Pelos cálculos de Adam, até agora o Pay as You Feel Cafe já evitou que mais de 10 mil quilos de comida fossem jogados em aterros. Até agora quase 3 mil pessoas foram atendidas e cerca de 4 mil refeições servidas. E quem são os clientes? Os mais diversos. De idosos a adolescentes, crianças a adultos. Até o tricampeão do Tour de France, Greg Lemond comeu no restaurante, quando esteve em Leeds para o Grand Départ da competição.

O pagamento pelo serviço é realmente opcional. Há quem pague, outros não. Alguns realmente nem têm dinheiro para tal. Mas isso não faz a mínima diferença para os jovens voluntários do projeto. “O que importa é que estamos tendo um impacto direto e positivo sobre a vida das pessoas”, diz Adam.

Assim como o trabalho realizado pelo Pay as You Feel Cafe, estão surgindo outras iniciativas similares no Reino Unido. Lugares com o intuito de alimentar o mundo e acabar com o desperdício.

É bom lembrar que estimativas apontam que 1,3  bilhão de toneladas de comida são perdidas anualmente no planeta, aproximadamente 40% da produção global. Estudos britânicos apontam que grande parte desde desperdício se deve à legislação de segurança alimentar por demais rigorosa e confusa.

*The Real Junk Food Project

 

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Põe no Rótulo: pais de crianças com alergias pedem informações claras

Marina Maciel 16 de julho de 2014

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Como se já não bastasse a dificuldade de ler as pequenas letras dos rótulos, existem informações que não constam na embalagem dos produtos – e elas podem ser vitais a pessoas com alergias. De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), de 6% a 8% das crianças brasileiras e de 2% a 3% dos adultos possuem algum tipo de alergia alimentar.

Para pedir mais segurança para comer, 600 mães e pais de crianças alérgicas se uniram na internet e criaram a campanha Põe no Rótulo*. Lançada em fevereiro deste ano, defende a obrigatoriedade de informações claras nos rótulos de produtos industrializados. Isso porque nem sempre substâncias que podem induzir uma reação alérgica – como leite, soja, ovo, peixe, amendoim, entre outros – estão identificadas nos produtos.

Estudos da Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) mostram que 39,5% das reações alérgicas infantis são relacionadas a erros na leitura de rótulos dos produtos. Dependendo do grau de sensibilidade, o alérgico pode ter reações graves que podem levar à morte, como choque anafilático.

Celebridades como Thiago Lacerda, Leticia Spiller, Juliana Paes e Zeca Baleiro postaram fotos no Facebook, Instagram e Twitter apoiando a campanha, usando a hashtag oficial #poenorotulo.

A mobilização foi tanta que sensibilizou a Diretoria Colegiada da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que regula os rótulos dos alimentos no Brasil. Para definir mudanças nos rótulos que contêm substâncias capazes de provocar alergia,o órgão abriu consulta pública online. Para participar basta preencher o formulário no site com sugestões e comentários até 18/08. Após a decisão final da agência, as indústrias terão prazo de um ano para se adequar às novas regras.

*Põe no Rótulo

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Imagem: Reprodução


Gravações feitas no WhatsApp viram histórias de ninar para crianças de abrigos

Débora Spitzcovsky 11 de julho de 2014

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Tem WhatsApp no seu celular? Sabe ler? Então você poderia ter ajudado a alegrar a noite de muitas crianças que vivem em abrigos e nem ficou sabendo. A Casa da Criança de Santo Amaro, em parceria com a agência Mood, criou a iniciativa Mensagens de Ninar, que pretende levar aos pequenos que vivem em lares temporários a experiência de dormir ao som de uma gostosa história de ninar.

Em abril, a entidade convidou voluntários a comparecer a algumas livrarias parceiras de São Paulo para ler trechos de livros infantis pré-selecionados. A leitura era captada pelo celular do próprio narrador, gravada como mensagem de áudio no WhatsApp e enviada a Casa da Criança de Santo Amaro instantaneamente.

Agora, a entidade vai compilar todos os trechos gravados por voluntários e criar audiolivros com vários contos de ninar. Toda a noite, uma historinha será colocada para tocar para os pequenos que vivem na Casa da Criança de Santo Amaro e para muitas outras crianças Brasil afora. Isso porque a entidade pretende criar uma espécie de biblioteca virtual na rede, para que abrigos de todo o país possam baixar e tocar as histórias para suas crianças.

De acordo com a entidade, ouvir contos antes de dormir diverte as crianças e, mais do que isso, ajuda no seu desenvolvimento, estimulando a criatividade e o gosto pela leitura. Boa ideia para replicar por aí?

Foto: Katrina Br*?#*!@nd/Creative Commons

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Designer reforma e distribui móveis descartados, em gratidão a Nova York

Marina Maciel 9 de julho de 2014

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Dizem que Nova York é a cidade das oportunidades. Para o designer francês Grégoire Abrial*, a metrópole norte-americana foi, durante cinco anos, um lugar de inspiração para seu trabalho. Então, no último Black Fridaydia em que lojas baixam preços dos produtos drasticamente –, ele bolou um jeito diferente de expressar sua gratidão.

Primeiro, o designer recolheu 12 peças de mobiliário descartadas nas ruas da cidade. Os itens ainda podiam ser utilizados, mas foram jogados no lixo apenas por serem considerados velhos ou fora de moda.

Abrial tinha certeza que as peças mereciam uma segunda chance. Então, em seu estúdio, no Brooklin, o francês repaginou os móveis, transformando-os em presentes únicos, modernos e desejáveis.

Na esperança de chamar a atenção das pessoas para o consumo consciente, ele escreveu a palavra “free” (grátis, do inglês) em cada uma das peças e as espalhou pelas ruas da cidade. Dessa forma, qualquer um que encontrasse o objeto poderia levá-lo para casa, de graça.

A ação deu tão certo que o francês resolveu batizar o dia de Bright Friday (Sexta-feira Brilhante, do inglês). “Essa data conta a história de móveis descartados, transformados em pequenos tesouros para aqueles ansiosos para olhar em volta”, conta Abrial em seu site.

Abaixo, veja algumas das peças criadas pelo designer e conheça as pessoas sortudas que as encontraram:

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*Grégoire Abrial

Fotos: Divulgação


Menina de oito anos vende limonada orgânica para combater trabalho escravo infantil

Débora Spitzcovsky 4 de julho de 2014

 

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“Se a vida te der um limão… mude o mundo com ele!” Esse é o lema da pequena Vivienne Harr – e inclusive o título do primeiro livro da menina, que com apenas oito anos de idade já tem muita história para contar (e inspirar outras pessoas).

É que, há mais de dois anos, Harr vende limonada orgânica para ajudar a combater o trabalho escravo infantil no mundo. A ideia partiu da própria menina, após ir a uma exposição em maio de 2012 e se deparar com a foto de dois garotos, também de oito anos, que viviam em situação de escravidão. Naquele momento, Harr decidiu: “Quero ajudar a libertar 500 crianças escravas”.

Com a ajuda dos pais, a menina começou a pesquisar entidades que trabalham no combate ao trabalho escravo e calculou que precisaria de cerca de € 115 mil (ou R$ 350 mil) para doar a essas organizações e ajudar 500 pessoas que são escravas em pleno século 21.

O que fazer, então, para arrecadar o dinheiro? Limonada orgânica! Em uma barraquinha estrategicamente posicionada na frente de casa, Harr começou a vender a bebida por € 2 – e não obteve sucesso. O negócio só bombou quando a menina comunicou aos consumidores o real motivo de estar vendendo limonada e ofereceu a bebida “pelo preço que o coração mandar”. Em semanas, ela conseguiu os € 115 mil e não parou mais.

Hoje, Harr tem uma empresa de limonada orgânica, comandada com a ajuda do pai, Eric, que pediu demissão para ajudar a filha. 5% do valor de cada Lemon-aid vendida é destinado à Fundação Make a Stand, também fundada por Harr, que encaminha o dinheiro a entidades especializadas em combater o trabalho escravo infantil no mundo.

Pensa que parou por aí? Harr criou o app Make a Stand, que orienta as pessoas a arrecadar dinheiro e ajudar causas que acreditam, lançou um livro sobre sua história e virou protagonista de um documentário (assista ao trailer, abaixo).

Acabar com o trabalho escravo infantil no mundo é tarefa para gente grande: ainda existem por aí 18 milhões de crianças que vivem nessa situação. Não é fácil, mas a determinação de Harr mostra aos adultos que é totalmente possível: “Você não precisa ser grande ou poderoso para mudar o mundo. Você pode ser exatamente como eu”, incentiva a menina, hoje com 10 anos.

 

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