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Recomeço com emprego e dignidade: no Magdas Hotel, em Viena, todos os funcionários são refugiados

24 de abril de 2015

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Este não é um hotel como outros. Logo de cara, na entrada, ao lado do lobby, uma série de retratos na parede fazem as primeiras apresentações. O Magdas Hotel, em Viena, na Áustria, é um lugar cheio de histórias.

Histórias como a do iraniano Antonio Piani, que fugiu de seu país natal há mais de dez anos. No Irã, foi preso diversas vezes porque lutava pela democracia. Chegou à Áustria como exilado, mas nestes anos todos, nunca conseguiu um emprego estável. Descobriu que apesar de estar longe da ditadura, a falta de um trabalho o impedia de se tornar um homem livre.

Assim como Piani, o nigeriano Segun Brince buscou asilo em Viena. Por ser cristão, sua mulher foi morta por terroristas do grupo fundamentalista islâmico Boko Haram, na Nigéria, e ele teve de ir embora.

Brince e Piani são funcionários no Magdas Hotel. Ao lado deles, refugiados de outras 14 nacionalidades trabalham no local. Eles ocupam as mais diferentes funções: de chefs de cozinha a camareiros, eletricistas a recepcionistas. São as lindas fotos deles, que dão as boas-vindas aos hóspedes.

recomeco-com-emprego-e-dignidade-no-magdas-hotel-em-viena-todos-funcionarios-sao-refugiados-retratos-625Retratos dos funcionários no lobby do Magdas Hotel

A ideia do hotel é criar um ambiente em que pessoas de todos os cantos do planeta, sejam elas turistas ou refugiados – tenham a chance de conviver e conhecer a históriado próximo.

A iniciativa do Magdas Hotel é da organização europeia Caritas, que faz trabalho filantrópico no mundo todo, frequentemente com refugiados. A Europa vive um momento dificílimo: milhares de pessoas chegam todos os dias ao continente, tentando fugir da fome, terrorismo e guerras civis. Muitos já morreram no caminho, em travessias ilegais, até a costa da Itália.

O hotel de Viena, inaugurado em fevereiro deste ano, é um negócio social. Pretende resolver um problema social e econômico. Mas justamente por isso, não receberá subsídios ou doações. Terá que gerar lucro para continuar de portas abertas. Pelo sucesso dos primeiros meses e a receptividade dos hóspedes, o hotel terá vida longa.

O prédio do Magdas era um antigo abrigo de idosos, localizado em frente à famosa roda-gigante da cidade. Reformado, ganhou decoração minimalista e clean. Os alunos da Academia de Belas Artes de Viena, vizinha de bairro, colaboraram com diversas obras de arte e pinturas na parede. Na escadaria, que leva aos 78 quartos do hotel, estão penduradas bandeiras que representam as nacionalidades dos refugiados.


recomeco-com-emprego-e-dignidade-no-magdas-hotel-em-viena-todos-funcionarios-sao-refugiados-ambiente-625O hotel é um negócio social, criado para solucionar um problema econômico e social

Pelos corredores podem ser ouvidos 23 idiomas. Línguas diferentes, mas de pessoas unidas por um objetivo comum: ter um emprego, que garanta uma vida com liberdade e dignidade. Pessoas que fugiram de terras distantes e buscaram um novo recomeço longe de seus amigos, familiares e lembranças mais queridas.

Certamente este é um hotel único. Uma iniciativa brilhante, que merece ser replicada em outros lugares do mundo.

Na foto abaixo, você conhece a equipe completa do Magdas Hotel de Viena.

recomeco-com-emprego-e-dignidade-no-magdas-hotel-em-viena-todos-funcionarios-sao-refugiados-foto-geral-625Posando para foto: refugiados de 14 nacionalidades, que falam 23 idiomas

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Fotos: divulgação Magdas Hotel


Startup vai usar drones para semear 1 bilhão de árvores por ano e reflorestar o planeta

17 de abril de 2015

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Corte de madeira, mineração, agropecuária e a cada vez maior expansão dos centros urbanos em direção às florestas são responsáveis por levar ao chão aproximadamente 26 bilhões de árvores por ano.

Para reverter este cenário de destruição, o americano Lauren Fletcher sonha em fazer um replantio em escala industrial: semear 1 bilhão de árvores por ano usando drones. “Há anos eu e meu time estudamos as mudanças climáticas. Com esta tecnologia, acreditamos que poderemos mudar o mundo”, afirma o visionário.

Fletcher, engenheiro que trabalhou durante 20 anos na Agência Aeroespacial Americana (Nasa), é o CEO da BioCarbon Engineering, sediada em Oxford, na Inglaterra. A startup desenvolveu um projeto que utiliza a tecnologia dos drones para mapear, plantar e monitorar o crescimento das mudas.

No ar, os drones farão o mapeamento preciso das áreas que precisam ser replantadas, gerando imagens em alta resolução e mapas em 3D. Em seguida, o equipamento será usado para o plantio de sementes germinadas, que tem índice de absorção na terra muito mais alto quando comparado a técnicas que fazem dispersão aérea de sementes  secas.

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O drone lança do ar casulos com sementes pré-germinadas

O sistema é bastante sofisticado. Os drones descem a dois ou três metros acima do solo e lançam uma espécie de casulo, que contem sementes pré-germinadas, cobertas por um hidrogel com nutrientes. O veículo aéreo tem capacidade para plantar dez sementes por minuto. Fletcher acredita que será possível plantar 36 mil mudas de árvores por dia.

A técnica de agricultura de precisão garantirá o replantio em larga escala. Segundo a BioCarbon Engineering, o plantio manual é caro e lento e o que espalha sementes secas apresenta baixo índice de germinação.

Numa última etapa, os drones servirão para monitorar as áreas que foram replantadas. Esta informação ajudará a fornecer avaliações da saúde do ecossistema ao longo do tempo.


start-up-vai-semear-1-bilhao-arvores-com-drones-e-reflorestar-planeta-625A startup estima que será possível plantar 36 mil mudas de árvore por dia

No ano passado, o projeto da BioCarbon Engineering recebeu um prêmio da Skoll Foundation, fundação americana que investe na inovação e empreendedorismo social. Mais recentemente, ficou com o terceiro lugar na competição Drones for Good, nos Emirados Árabes Unidos.

A intenção do engenheiro americano é que até o meio do ano os drones já estejam no ar, semeando novas florestas pelo planeta. Que bons ventos os levem!

Assista abaixo ao vídeo em que Lauren Fletcher explica como funcionará o replantio de árvores com drones:

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Fotos: Pavel Ahmed (abertura) e divulgação BioCarbon Engineering


Casa de repouso na Holanda abriga universitários em troca de companhia

15 de abril de 2015

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Na casa de repouso Humanitas, em Deventer, na Holanda, é comum observar longos e gostosos bate-papos entre jovens e idosos. As conversas parecem acontecer entre netos e avós que se gostam muito. Todos moram juntos, só que não há vínculo sanguíneo entre eles.

Essa interação entre gerações, que coloca sob o mesmo teto 160 idosos e seis universitários faz parte de um projeto inovador, que começou há dois anos, quando o estudante Onno Selbach entrou em contato com a gerente da casa de repouso, Gea Sijpkes. Ele reclamava do excesso de barulho, das condições precárias da universidade onde morava – com alojamentos caros e pequenos – e sugeria um intercâmbio.

Lá, os estudantes das universidades Saxion e Windesheim não precisam pagar aluguel, desde que passem ao menos 30 horas por mês como “bons companheiros” dos idosos. O objetivo é reduzir a solidão dos mais velhos e acabar com a imagem negativa que muitos têm sobre o processo de envelhecimento.

Os estudantes participam de diversas atividades com os moradores. Preparam refeições, fazem compras, comemoram aniversários, assistem TV e fazem companhia quando alguém adoece. Também planejam atividades de acordo com os interesses de cada um.

Quando um grupo de idosos demonstrou interesse por grafites, por exemplo, os alunos os levaram para as ruas, munidos de spray e pedaços de papelão para ensiná-los sobre essa forma de arte. Já o morador Anton Groot Koerkamp, de 85 anos, se interessou por aulas de informática. Jurrien Johanna, seu vizinho de 22 anos, se prontificou a ajudá-lo. Hoje, Anton já sabe navegar na internet, tem perfil no Facebook e envia e-mails.

São relações como a de Anton e Jurrien que rompem o isolamento social e a solidão – tão comuns entre os idosos -, responsáveis pelo aumento dos casos de depressão e até de mortalidade. Só que é difícil dizer quem se beneficia mais com o projeto. Os moradores desfrutam – e muito – da presença dos jovens, mas os estudantes também aprendem. Essa conexão entre gerações cria interações sociais positivas e benéficas para todos os residentes da casa de repouso, sejam jovens ou idosos. É uma belíssima forma de criar um ambiente acolhedor e acabar com a barreira dos idosos com o mundo exterior.

Os jovens podem entrar e sair quando necessário, desde que não incomodem os mais velhos. Mas não é qualquer aluno que pode morar nesta simpática casa! Os interessados passam por processo de seleção criterioso antes de se mudar para lá. Na avaliação, são levadas em conta a origem do estudante e suas motivações para o trabalho no local.

O projeto criativo da Humanitas já ultrapassou as fronteiras holandesas. Intercâmbios de gerações têm surgido na França, Reino Unido e Estados Unidos. Em alguns países, idosos independentes alugam quartos com desconto para estudantes.

Mas os pioneiros são os espanhóis, que começaram as experiências de habitação compartilhada em 1996, em Barcelona. Segundo a Associação Internacional de Lares e Serviços para o Envelhecimento* (IAHSA, na sigla em inglês), o programa funciona hoje em mais de 27 cidades.

Espero que a ideia chegue ao Brasil e, aos poucos, melhore o sistema atual de atendimento ao idoso. Afinal, a população mundial está ficando mais velha. A vida está cada vez mais longa, mas nascem menos crianças. E todos, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos, precisamos aprender a conviver com as diferenças (e com todas as idades).

*Associação Internacional de Lares e Serviços para o Envelhecimento

Foto: Cortesia/Divulgação/Humanitas

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Sonhos de crianças com doenças graves viram realidade com ajuda de um irlandês

10 de abril de 2015

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A palavra “impossível” parece não fazer parte do vocabulário do irlandês Shay Kinsella, que trabalha para transformar sonhos de crianças com doenças graves ou portadoras de deficiência em realidade. Ele fundou a ONG Share a Dream Foundation* (Fundação Compartilhe um Sonho, em tradução livre) depois de conhecer uma menina de 7 anos com leucemia que desejava ir para a Disney.

A doença foi mais rápida do que todos os esforços de Kinsella para realizar o desejo da garota. E a impossibilidade de fazer esse sonho virar realidade o deixou tão arrasado que ele decidiu dedicar sua vida a levar um pouco de magia para crianças irlandesas que enfrentam difíceis obstáculos.

Sem subsídios ou patrocinadores, Kinsella depende de pessoas entusiasmadas como ele para arrecadar fundos e conseguir ajudar a garotada diariamente. Ele já devolveu o brilho no olhar e o sorriso no rosto de mais de 20 mil crianças desde o episódio da menina vitimada pela leucemia, mas centenas ainda enviam cartas todos os anos para a ONG.

Independente do desejo, Kinsella e sua equipe tentam torná-lo real. Organizam encontros, viagens e passeios para dar uma pausa nos tratamentos longos, cansativos e muitas vezes dolorosos das crianças. É o caso de Aishlinn, de 4 anos, que foi diagnosticada com câncer cerebral quando tinha apenas 10 semanas. Assim como a menina que motivou a criação da ONG, Aishlinn queria visitar a Disney e conhecer a Branca de Neve. Já John Christie, de 11 anos, que sofre de Distrofia Muscular de Duchenne, uma doença hereditária e degenerativa, teve a oportunidade de conhecer o lutador John Cena.

E estas são apenas pequenas amostras do trabalho da ONG, que já projetou o quarto de uma menina cadeirante, ajudou uma garota a gravar seu próprio CD e até fez um garoto viver a experiência de ser guarda por um dia. “Não há alegria maior do que ver o sorriso no rosto de uma criança especial que tem sofrido muito em sua vida curta e traumática, sabendo que você fez isso acontecer. É mágico”, disse Kinsella ao Independent*, jornal local.

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A ONG não realiza apenas um sonho por vez. Kinsella criou o Dream Machine, ônibus que viaja o país até crianças que não têm a possibilidade de sair de casa. Há também o Dream Concert, evento gratuito onde todos podem assistir aos shows de seus cantores e bandas favoritos.

Atualmente, a ONG está em busca de doações para criar o Dreamland Fun Centre, um parque de diversões especial na Irlanda, algo em falta no país. Somente lá há 70 mil crianças sem lugar para brincar. Uma discriminação e tanto!

Já mostramos aqui em nosso site, por exemplo, o primeiro parquinho acessível de São Paulo. Ele foi inaugurado em 2014 em uma unidade da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), no Parque da Mooca, na Zona Leste.

A ideia de Kinsella é que em parques, eventos, viagens ou em outras oportunidades as crianças possam ser… crianças. Ou seja, que ninguém se sinta diferente. Por um curto período de tempo, todos podem desfrutar o melhor da infância ao lado de amigos e familiares, mas longe de hospitais, médicos e tratamentos. Afinal, todos têm o direito de brincar.

*Share a Dream Foundation
*Independent

Fotos: Divulgação/Share a Dream Foundation


Sobreviventes de câncer celebram a vida em ensaio fotográfico na água

8 de abril de 2015

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“Fui diagnosticado com câncer de estômago em janeiro de 2008 e tive meu estômago, baço, metade do pâncreas e um terço do esôfago removidos no mês seguinte. Passei por quimioterapia e radioterapia e várias complicações e desafios inesperados nos dois anos seguintes. Queria que minha filha Ava fizesse as fotos debaixo d’água comigo. Ela é a principal razão pela qual estou aqui hoje. Ava é meu anjo”.

O depoimento emocionante é do americano Steve Melen, que aparece na imagem acima ao lado da filha. Assim como ele, outros sobreviventes de câncer decidiram celebrar a reconquista da saúde e - da vida - em ensaios fotográficos embaixo d’água.

A ideia é da fotógrafa japonesa Erena Shimoda. Apesar de ter nascido e crescido em Tóquio, longe do mar, ela sempre foi apaixonada por histórias de sereias e o mundo submarino.

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Izumi Hirayama ao lado de seu ensaio fotográfico

Atualmente, morando em São Francisco, na Califórnia, Erena é mergulhadora profissional. As sessões fotográficas com os sobreviventes de câncer são chamadas de “Underwater Healing” (Cura Subaquática, em tradução livre). “Tento ajudar estas pessoas a melhorar a autoestima. Meu objetivo é trabalhar mente e corpo através da magia dos retratos subaquáticos, escreveu Erena em seu blog.

As imagems são cheias de simbolismo. Se água é vida para o planeta, para as pessoas fotografadas, é um momento de afirmação, liberdade e recomeço.

“Debaixo da água, o mundo desaparece e você encontra-se novamente. A quietude remove barreiras entre elemento e corpo. Somos lembrados a reviver mais uma vez”, conta após o ensaio, Lorine Stone, diagnosticada com câncer quando tinha 34 anos. “A diversão está na descoberta e no desapego. Somos todos tão bonitos e merecemos ser vistos dessa forma após o tratamento”.

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O simbolismo da água no recomeço após o câncer

Muitas vítimas da doença têm dificuldade em expressar suas dúvidas e medos. E mesmo após a cura, podem levar algum tempo a reconhecer o próprio corpo, que sofreu com o câncer.

“Pelas lentes de Erena, uma nova e vagamente familiar imagem minha surgiu. O que enxerguei na fotografia foi uma pessoa capaz, forte e alegre. E esta pessoa era eu. Foi maravilhoso!”, diz Erica Yee, que descobriu um câncer no seio um dia após completar 32 anos.

No ano passado, foram registrados 576 mil novos casos de câncer no Brasil, de acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e do Ministério da Saúde. No mundo todo, cerca de 14 mihões de pessoas descobrem estar com a doença anualmente. Uma das principais barreiras a ser enfrentada pelos portadores é justamente falar sobre o câncer.

Erena Shimoda conseguiu, de uma maneira sensível e poética, que estes sobreviventes exponham seus sentimentos e reafirmem sua força de viver.

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 Steve e a filha Ava celebram na água a alegria de viver e ter um ao outro

 

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Fotos: divulgação Erena Shimoda