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O que alguns filósofos têm a dizer sobre o direito de ir e vir na pandemia

Governos podem limitar a circulação de pessoas para evitar o vírus? Veja o que Cícero, Hobbes e Hayek têm a dizer.

Por Bruno Vaiano 3 jul 2020, 19h11

Cícero (106 a.C. – 43 a.C.)

Governos podem limitar o direito de ir e vir durante uma pandemia? Sim. O filósofo e político romano cunhou a frase Salus populi suprema lex esto – algo como “A saúde do povo deve ser a lei suprema”. Para ele, é papel do Estado fazer o que for preciso para manter a população saudável. Mais de 1.700 anos depois, a frase foi considerada um dos princípios fundamentais dos governos pelo filósofo liberal John Locke.

Thomas Hobbes (1588 – 1679)

O governos têm a prerrogativa de decretar um lockdown, e ele recomenda que o façam. Para Hobbes, humanos sem o Estado tendem a se aniquilar em decisões irracionais – no caso de 2020, fazer aglomerações desnecessárias ou beber desinfetante para combater o coronavírus. Conclusão: se vivesse nos dias de hoje, Hobbes seria um dos maiores defensores da quarentena para evitar que a pandemia se agravasse.

Friedrich Hayek (1899 – 1992)

O economista austríaco, defensor do Estado mínimo, sempre afirmou que o governo deve interferir o mínimo possível nas escolhas individuais. Mas reconhece que, durante a “guerra e outros desastres temporários, a subordinação de quase tudo à necessidade imediata é o preço a se pagar pela liberdade em longo prazo.” A questão é saber se ele consideraria a pandemia uma emergência internacional grave o suficiente para justificar intervenção.

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